Técnicas de uso do Calor e do Frio

Calor ou frio?
Os benefícios clínicos produzidos pelo calor e pelo frio são similares. A seleção, contudo, se baseia em vários fatores que no momento poderão ser empíricos mas que são de importância.

• Estágio de inflamação. Geralmente, o frio é preferível durante o estágio agudo da inflamação para aliviar a dor, reduzir o sangramento e possivelmente reduzir o edema. O calor, em contraste, pode exacerbar o processo inflamatório inicial. Contudo, deve-se lembrar que o frio pode retardar o processo básico de regeneração.

• Edema. O calor tende a aumentá-lo, especialmente nos estágios iniciais de inflamação e lesão. O frio pode ajudar a limitar o edema.

• Extensibilidade do colágeno. Essa é mais provável de ser afetada de modo benéfico por um aumento na temperatura; o colágeno se torna mais rígido com o frio.

• Dor. Tanto frio como calor podem ser usados para aliviar a dor. O efeito do frio pode ser mais prolongado mas, em certas ocasiões, pode aumentar a dor.

• Espasmo. Tanto calor como frio podem diminuir o espasmo muscular associado a lesões musculoesqueléticas e irritação de raiz nervosa. Do mesmo modo, ambos reduzem a espasticidade decorrente de disfunção de neurônio motor superior, embora o calor faça isso por apenas um período curto de tempo; o frio é mais efetivo nessas circunstâncias, já que o retorno às temperaturas normais é mais demorado.

• Contração muscular. O resfriamento moderado para aproximadamente 27°C leva a um aumento na habilidade do músculo de manter uma contração. Parece haver um leve aumento na força de contração com o aumento da temperatura.

• Área a ser tratada. Em algumas pessoas, a aplicação de frio nas mãos e pés leva a desconforto considerável e essa pode ser então uma indicação para o uso de calor.

• Facilidade de uso. Isso pode ser especialmente importante ao se considerar a terapia domiciliar feita pelo paciente.

• Preferência do paciente. Algumas pessoas acham o frio intolerável; o uso de calor para aliviar a dor e o espasmo muscular pode ser mais aceitável e levar a maior cooperação com o tratamento.

Seco ou úmido?

Um segundo fator importante a ser considerado ao selecionar o tratamento de contato é a escolha de técnicas de contato secas ou úmidas. Pouco se sabe sobre a eficácia relativa de uma comparada com a outra; contudo, Abramson (1967) sugeriu que o calor seco pode elevar a temperatura de superfície para um grau um pouco maior, enquanto o calor úmido pode levar o aumento de temperatura para níveis um pouco mais profundos.

Calor e frio

Os efeitos do calor e do frio são descritos separadamente nas seções seguintes. Ocasionalmente, os dois são usados alternadamente, mais comumente em banhos de contraste.
Banhos de contraste. Muito comumente, os banhos de contraste compreendem dois banhos de água com temperaturas diferentes: um banho mais quente a 40-42°C (imersão por 3-4 minutos) e um mais frio a 15-20°C (por cerca de um minuto). A parte do corpo é imersa em cada um dos banhos alternadamente e é prática normal começar e terminar com o banho quente. Leh-mann e de Lateur (1990) sugeriram que uma imersão de dez minutos no banho quente, antes do uso das temperaturas contrastantes mais frias pode ser útil na produção de uma hiperemia inicial.
Poucos estudos examinaram a eficácia desse tratamento mas sugere-se que os efeitos implicados possam ser a hiperemia, a redução do edema devido à vasodilatação (Woodmansey, Collins e Ernst, 1938) e o alívio da dor, possivelmente através do mecanismo de comporta (Lehmann e de Lateur 1999). Myrer, Draper e Durrant (1994) demonstraram que é pouco provável que os banhos de contraste resultem em aumento da temperatura intramuscular.

CALOR: TÉCNICAS DE CONTATO

Os métodos de aquecimento por contato requerem, por definição, contato físico entre o agente terapêutico e os tecidos. As mudanças na temperatura são resultado da transferência de calor por condução; a oscilação ou vibração resultante de íons ou moléculas, ou de ambos, dá origem ao aquecimento. O aquecimento de tecidos mais profundos é devido à condução dentro dos próprios tecidos assim como à convecção através dos fluidos (por ex., sangue).
Quando o calor superficial por contato é aplicado, a mudança de temperatura na superfície do tecido dependerá de:

• a intensidade do calor (watts/cm2)
• a duração da exposição ao calor (minutos)
• o tamanho da área exposta (cm2)
• o meio térmico; esse é um produto das características de condutividade térmica, densidade e calor específico do tecido (Hendler, Crosby e Hardy, 1958).

Para alcançar níveis terapêuticos de aquecimento a temperatura obtida nos tecidos deve estar entre 40 e 45 °C (Lehmann e de Lateur, 1990). É provável que ocorram queimaduras acima desse nível, e abaixo de 40°C os efeitos do aquecimento são considerados fracos demais para terem uso terapêutico.
Ocorre elevação máxima da temperatura da pele e tecidos mais superficiais dentro de 6-8 minutos. O músculo subjacente responderá muito menos e mais lentamente e, a temperaturas toleráveis, pode-se esperar que a temperatura muscular aumente cerca de 1°C a uma profundidade de 3 cm. Contudo, se houver gordura subcutânea o aquecimento dos tecidos mais profundos fica reduzido devido ao isolamento. Onde é necessária uma profundidade de penetração maior, devem ser consideradas modalidades de aquecimento profundo, como a diatermia por ondas curtas.

Efeitos fisiológicos

Incluem efeitos na função celular em geral, na circulação (fluxo sanguíneo, edema, hemorragias), no colágeno, no tecido neurológico (dor, espasmo) no músculo (frequência e intensidade de contração, agilidade) e no reparo dos tecidos. É importante lembrar que os métodos de contato produzem apenas mudanças térmicas relativamente superficiais; assim, nos tecidos mais profundos do corpo os efeitos serão limitados.

Eficácia clínica

Muitos dos trabalhos que examinaram a eficácia clínica do calor foram conduzidos usando métodos de contato, tais como banhos de água. Lehmann e de Lateur (1990) e Chapman (1991).

Métodos de aplicação

O calor de superfície pode ser aplicado de várias maneiras. Todos os métodos elevam as temperaturas dos tecidos superficiais; contudo, alguns podem ser mais apropriados em determinadas situações devido ao material usado (por ex., calor seco ou úmido) e à praticidade de aplicação.

Cera

A parafina, com um ponto de derretimento de aproximadamente 54°C, é combinada com um óleo mineral, tal como parafina líquida, para pro-
duzir um banho com a temperatura controlada na faixa de 42°C a 50°C. Essas temperaturas são levemente mais altas do que seria tolerado se a parte do corpo fosse colocada em água quente. Isso porque o calor específico da cera parafina é menor do que o da água (2,72 kJ/Kg por grau centígrado para a cera e 4,2 kJ/kg por grau centígrado para a água). A cera, portanto, libera menos energia do que a água quando é resfriada. Selkins e Emery (1990) observaram que a quantidade de calor passada para o tecido devido à solidificação da cera - o calor latente de fusão - é pequena. Ao mesmo tempo, previne-se a perda de calor através da natureza isolante do material. O resultado final é um método de aquecimento do tecido de baixa temperatura e bem isolado.
Temperaturas um pouco mais altas podem ser usadas para membros superiores e temperaturas mais baixas para membros inferiores e tecidos recém-regenerados (Burns e Conin, 1987; Head e Helms, 1977).
Aplicação: a parte do corpo é inspecionada para qualquer contra-indicação (veja a seção a seguir) e lavada. No método mergulho e envolvimento, a parte é primeiro imersa na cera morna. É então tirada e permite-se que a cera endureça. O procedimento é repetido, normalmente de 6 a 12 vezes, para desenvolver uma "luva de cera". O todo é então envolvido com plástico ou papel encerado e um material isolante como uma toalha.
Alternativamente, a parte pode ser deixada dentro do banho após o desenvolvimento da luva de cera - o método mergulho e reimersão. Essa técnica resulta em um maior aumento na temperatura (Abramson et al, 1964; Abramson, ChueTuck, 1965).

Compressas e bolsas quentes

Existem vários tipos de compressas quentes que podem ser usadas para prover calor a pequenas áreas.
Bolsas hidrocoladas. Essas consistem em sí-lica gel hidrofílica (que absorve água) colocada dentro de um invólucro de algodão. A bolsa é aquecida em um banho de água quente de aproximadamente 75°C, envolvida em uma toalha ou outro material apropriado e então aplicada ao corpo. A temperatura final da compressa deve ficar em torno de 40-42°C. Ocorrerá resfriamento gradual. A substituição das bolsas durante o tratamento pode resultar em aquecimento prolongado, embora não produza diferenças significativas na temperatura subcutânea (Lehmann et al, 1966).
Compressas úmidas. Essas são imersas em água quente (aproximadamente a 36-41 °C) e têm uma função similar às anteriores mas tendem a esfriar mais rapidamente, já que não é prático prover uma camada isolante. Tais compressas precisam ser substituídas após aproximadamente 5 minutos.
Bolsas aquecidas eletricamente. Essas variam muito de tamanho. O fio de resistência elétrica fica dentro da estrutura e o design permite que a temperatura (40-42°C) seja controlada por termostato. Essas bolsas podem ser usadas a temperaturas mais baixas, algumas tendo uma faixa de 1-42°C.

Hidroterapia

O uso de água quente para aquecer o tecido é um modo efetivo de aumentar a temperatura, e tanto o turbilhão quanto a imersão em água parada podem ser usados para tratamento local. As temperaturas ficam geralmente entre 36 e 41°C (mais baixas do que as temperatura da cera, pelas razões já discutidas). Borell et al. (1980) confirmaram que o tratamento nessas temperaturas resulta em um aumento na temperatura subcutânea. O movimento da água nos banhos de turbilhão pode ainda estimular receptores na superfície da pele, produzindo o alívio da dor através do mecanismo de comporta.

Outros métodos

O ar quente (a cerca de 70°C), tanto seco como úmido, pode ser usado para aquecer os tecidos. Devido à baixa condutividade do ar, a temperatura do tecido permanece mais baixa do que 70°C, novamente em torno de 35-40°C. A fluidoterapia é uma forma de aquecimento seco (38-45°C) e envolve uma suspensão de partículas de celulose que são mantidas em movimento pelo movimento de ar. Faz uso de forças de convecção para transferir energia. Nenhuma dessas formas de aquecimento é comumente usada na prática clínica, provavelmente devido à necessidade de cabines especiais para o tratamento.

Riscos

Esses incluem:

• Queimaduras. As queimaduras são o principal risco associado com os métodos de contato. Elas podem ocorrer se os materiais e equipamentos forem testados de modo inadequado, se o paciente estiver com a circulação gravemente comprometida ou se os tecidos estiverem desvitalizados.

• Materiais estranhos. Esses podem ser introduzidos nas feridas abertas. Partículas de cera podem permanecer nas lesões e água e materiais úmidos podem transmitir infecções caso não sejam cuidadosamente controlados. Os pacientes com qualquer tipo de ferida aberta ou infecção não devem usar banhos usados por outros pacientes (por ex., banhos de parafina).

Contra-indicações

A presença das seguintes condições pode contra-indicar completamente esse tipo de tratamento ou pode indicar a necessidade de cuidados adicionais na sua aplicação:

• falta de sensibilidade térmica naquela parte do corpo
• circulação comprometida
• áreas onde ocorreu sangramento ou hemorragia recentemente. Pele desvitalizada, por exemplo após tratamento com raios X profundos
• feridas abertas
• certas condições da pele como carcinomas de pele, dermatite aguda (especialmente para o uso de cera)
• comprometimento cardiovascular - em alguns indivíduos a imersão em líquidos quentes pode ser inapropriada se uma parte extensa do corpo precisar ser tratada
• tecidos lesados ou infectados, já que a umidade pode encorajar seu colapso.

FRIO: TÉCNICAS DE CONTATO (CRIOTERAPIA)

As técnicas de contato podem ser usadas para resfriar o tecido para fins terapêuticos. As mudanças na temperatura que podem ser obtidas foram relatadas em muitos estudos e variam grandemente. Essa variação pode ser atribuída a:

• métodos diferentes de aplicação
• extensão de tempo durante o qual é aplicado o resfriamento
• temperatura inicial da técnica usada, por ex., temperatura da água.

Temperatura da pele. As maiores mudanças na temperatura relatadas em diversos estudos de diferentes métodos de aplicação são as seguintes:

• imersão na água: uma queda de 29,5 °C com a temperatura da água a 4°C após 193 minutos
• massagem com gelo: uma queda de 26,6°C com gelo a 2°C após uma aplicação de 10 minutos
• sprays vaporizadores: uma queda de 2°C com uso de spray por 15-30 segundos
• bolsas de gelo: uma queda de 20,3°C a uma temperatura de contato de 0-3°C após 10 minutos
• toalhas com gelo: uma queda de 13°C após um período de 7 minutos.

Temperatura intramuscular. A queda de temperatura associada depende da duração do tratamento, da profundidade do músculo a partir da superfície e da temperatura inicial do agente de tratamento; o resfriamento persiste por várias horas (Meussen e Lievens, 1986).
Temperatura articular. Essa parece permanecer baixa após a aplicação de frio, embora alguns pesquisadores tenham relatado inicialmente um breve aumento na temperatura (Kern et al, 1984).

Efeitos fisiológicos

Incluem efeitos na função celular em geral, circulação (fluxo sanguíneo, edema, hemorragias), colágeno, tecido neural (dor, espasmo), músculo (velocidade e intensidade de contração, agilidade) e reparo dos tecidos. É importante lembrar que os métodos de resfriamento por contato produzem apenas mudanças relativamente superficiais, de modo que os efeitos serão limitados nos tecidos mais profundos do corpo.

Eficácia clínica

Estudos examinando a eficácia clínica suportam evidências empíricas para o uso de gelo em inúmeros sintomas.
O resfriamento pode reduzir o edema (por ex., Basur, Shephard e Mouzos, 1976). Contudo, na prática clínica o resfriamento é geralmente acompanhado por compressão, o que significa que é difícil atribuir os benefícios apenas ao resfriamento. O tratamento pode levar a uma redução no sangramento; novamente, contudo, isso pode ser devido a uma redução no fluxo sanguíneo e é mais provável que ocorra durante a fase inicial do tratamento. A elevação do limiar de dor foi demonstrada em pacientes com artrite reumatóide (Curkovic et al, 1993) imediatamente após o tratamento mas declina dentro de 30 minutos. A dor pode, às vezes, ser devida a irritantes particulares do tecido. Por exemplo, vários estudos têm sugerido que pacientes com artrite podem experimentar alívio da dor devido aos efeitos adversos do resfriamento na atividade de enzimas destrutivas dentro das articulações (Harris e McCroskery, 1974; Pegg, Littler e Littler, 1969). Lessard et al. publicaram em 1997 uma avaliação do efeito do frio na recuperação de uma cirurgia artroscópica de pequeno porte de joelho. Foi encontrada uma diferença significativa entre os grupos (regime de exercícios mais gelo ou apenas regime de exercícios) em termos de maior cooperação e apoio de peso e menor consumo de medicamentos.
Estudos clínicos trazem algum suporte a esses achados (por ex., Oliver et al, 1979); há alguma evidência de que o desempenho muscular melhora acima dos níveis de pré-tratamento durante as horas que se seguem ao resfriamento.
Vários pesquisadores recentes têm examinado evidências da eficácia do resfriamento. Sauls (1999) fez uma revisão dos efeitos do frio no alívio da dor por profissionais de enfermagem. Foram observados certos benefícios em alguns procedimentos ortopédicos e injeções em adultos; em contraste, não foi registrado alívio da dor em procedimentos abdominais ou injeções em crianças. Ela observou, contudo, junto com outros pesquisadores, que a qualidade de muitos relatos é questionável e deve-se ter cuidado ao avaliar e implementar seus resultados.
Efeitos prejudiciais do resfriamento. Ao considerar os efeitos benéficos do resfriamento, é importante que os outros efeitos, menos úteis terapeuticamente, não sejam subestimados. Por exemplo, o aumento imediato na resistência vascular periférica associado com a vasoconstrição que ocorre com o resfriamento causa um aumento na pressão sanguínea. Isso pode impedir o uso seguro dessa modalidade em pacientes que tenham uma história de hipertensão. O gelo não deve ser aplicado em áreas afetadas por doença vascular periférica, já que a vasoconstrição comprometerá ainda mais o suprimento sanguíneo para uma área que já está comprometida. A vasodilatação tardia, que ocorre como parte da "reação alternante", é também de valor limitado, já que o desvio para a esquerda da - curva de dissociação de O2, que também ocorre com o resfriamento, significa que o O2 não se acha prontamente disponível para os tecidos.
Os efeitos terapêuticos podem não ocorrer em pacientes com disfunção simpática, já que algumas respostas circulatórias são mediadas pelo sistema nervoso simpático.
Os efeitos na força muscular discutidos acima devem ser considerados quando se toma medidas objetivas de força muscular, já que tais medidas podem não ser confiáveis quando feitas após o resfriamento.
Os efeitos da temperatura no colágeno foram discutidos na seção sobre o aquecimento do colágeno. É importante observar, contudo, que uma redução na temperatura provavelmente aumentará a rigidez mecânica do tecido colagenoso e portanto aumentará também a rigidez articular (Hunter, Kerr e Whillans, 1952).

Métodos de aplicação

O frio pode ser aplicado de diversas maneiras, incluindo bolsas secas e úmidas e o uso de sprays vaporizadores. Durante aplicação da crioterapia o indivíduo experimentará várias sensações; essas podem incluir:

• frio intenso
• queimação
• dor
• analgesia.

Bolsas de gelo

As bolsas de gelo podem ser bolsas "caseiras" feitas pelo profissional ou bolsas compradas. Bolsas adequadas podem ser feitas envolvendo toalhas felpudas úmidas em flocos de gelo. Essas podem ser aplicadas na parte do corpo a ser tratada por até 20 minutos. A velocidade de resfriamento inicial é rápida mas diminui à medida que se forma um filme de água entre a bolsa e a pele; isso significa que a temperatura da pele está geralmente acima da temperatura de derretimento do gelo e fica geralmente na região de 5-10°C. As bolsas de gelo produzidas comercialmente são de dois tipos. Primeiro, existem bolsas que contém uma mistura de água e uma substância anti-congelante. Essas podem ser resinadas em um freezer e então moldadas à parte do corpo. Deve-se ter cuidado na aplicação inicial, já que a temperatura da bolsa pode estar abaixo de 0°C e assim levar a um resfriamento muito rápido do tecido superficial. Uma toalha úmida colocada entre a pele e a bolsa pode assegurar que a temperatura de contato permaneça em cerca de 0°C. Segundo, existem bolsas cujas propriedades de resfriamento dependem de uma reação química. Tais bolsas podem ser usadas apenas uma vez. Embora os dois tipos de bolsa sejam efetivos para reduzir a temperatura dos tecidos, McMaster, Liddle e Waugh (1978) mostraram que as bolsas químicas são mais efetivas para abaixar as temperaturas subcutâneas. Contudo, como já foi sugerido no início desta seção, a temperatura final desenvolvida depende de vários fatores.

Toalhas com gelo

Um resfriamento muito superficial pode ser conseguido utilizando toalhas com gelo. As toalhas são colocadas em um mingau de flocos de gelo e água, torcidas e aplicadas no corpo. Podem ser cobertas áreas extensas mas a toalha precisará ser substituída frequentemente, já que se aquece rapidamente. O tratamento pode durar até 20 minutos.

Banhos frios

Um dos métodos mais simples de resfriar o tecido é colocar a parte do corpo em água fria ou em uma mistura de gelo e água. A temperatura pode ser controlada variando a proporção de gelo e água. Lee, Warren e Mason (1978) sugerem que uma temperatura de 16-18°C pode ser tolerada por 15-20 minutos. Temperaturas mais baixas podem ser usadas, mas será necessária imersão intermitente do membro.

Sprays vaporizadores

As técnicas que usam esse método de redução da temperatura da pele produzem um resfriamento efetivo do tecido, porém de curta duração. Um líquido volátil é vaporizado diretamente na área a ser tratada. É importante que o spray seja tanto não-inflamável como não-tóxico por razões de segurança. Deve ser aplicado sobre a área por meio de jatos curtos (de aproximadamente 5 segundos cada). Geralmente, são adequados três a cinco jatos. Um trabalho não publicado sugere que o reaquecimento começa cerca de 20 segundos depois da aplicação e que podem ser produzidas reduções estatisticamente significativas na temperatura com aplicações repetidas (Griffin, 1997).

Massagem com gelo

"Geladinhos" plásticos ou cubos de gelo podem ser usados para essa técnica. Primeiro, a massagem com gelo pode ser usada para produzir analgesia. Essa é normalmente feita sobre uma área pequena, como um ventre muscular ou ponto de disparo (trigger point) e pode ser usada antes de outras técnicas, como a massagem profunda. Waylonis (1967) discutiu os efeitos fisiológicos da massagem com gelo e sugeriu que uma área de 10 X 15 cm deve ser tratada por até 10 minutos ou até que ocorra analgesia. É usado um movimento circular lento sobre uma pequena área. As temperaturas não caem a níveis abaixo de 15°C com esse método. Em segundo lugar, a massagem com gelo pode ser usada para facilitar a atividade muscular. Nesse caso, o gelo é aplicado de forma rápida e breve sobre o dermátomo da pele da mesma raiz nervosa do músculo em questão.

Riscos

A lesão devido ao uso terapêutico de frio é rara. Contudo, podem ocorrer queimaduras por gelo se o uso de frio for excessivo ou se a patologia do paciente seja tal que predisponha à lesão a temperaturas que seriam normalmente aceitáveis. A lesão aparece, poucas horas após a aplicação do frio, na forma de eritema e hiper-sensibilidade. Uma lesão mais grave pode levar à necrose do tecido adiposo e ao aparecimento de bolhas; por fim, o resfriamento intenso pode levar à geladura (frost bite). Os dois últimos são pouco prováveis de ocorrer, contudo, se forem usados os métodos descritos anteriormente.

Contra-indicações

As seguintes condições contra-indicam o uso de crioterapia:

• arteriosclerose
• doença vascular periférica - o frio comprometerá o suprimento sanguíneo já inadequado nessa área
• vasoespasmo - por ex., condições tais como doença de Raynauld, que estão associadas com vasoespasmo excessivo
• crioglobinemia - proteínas sanguíneas anormais podem se precipitar a baixas temperaturas, e isso pode levar ao bloqueio dos vasos; a condição pode estar associada com artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico
• urticária devido ao frio - a histamina, liberada pelos mastócitos, leva à formação de vergões locais, prurido e ao desenvolvimento de eritema; ocorrem ocasionalmente mudanças na pressão sanguínea (diminuída) e na frequência de pulso (aumentada).

Deve-se também ter cuidado ao tratar pacientes com os seguintes problemas:

• doença cardíaca e pressão sanguínea arterial alterada - esses fatores podem ser importantes caso seja preciso resfriar uma área larga de tecido
• sensação defeituosa da pele - embora a maioria das terapias com gelo leve à analgesia e seja, portanto, desnecessário que o paciente esteja sensorialmente consciente durante o tratamento, a perda de percepção sensorial pode indicar outros problemas neuromusculares e autônomos que impedem o uso de crioterapia:
• hipersensibilidade da pele
• fatores psicológicos adversos - algumas pessoas acham o frio muito desagradável e esse, portanto, não deve ser usado nesses casos.

Além disso, deve-se ter cuidado ao aplicar agentes resfriadores em áreas onde o tecido nervoso seja muito superficial. Vários autores relataram dano neural, incluindo axonotmese confirmada, após o resfriamento dos nervos fibular, femoral cutâneo lateral e femoral cutâneo.(Covington e Bassett, 1993; Green, Zachazewski e Hordan, 1989; Parker, Small e Davis, 1983).

6 Comentários:

Carlos Correa disse...

Certa noite jogando futebol de salão, numa dividida de bola torci o tornozelo do pé direito. Aquela região inchou e ficou dolorida. Fui ao médico no dia seguinte, verificou, tirou radiografia e mandou engessar e tomar cataflan. Simples, não? Não. Médicos dificilmente jogam bola, não se machucam, sabem teorizar sobre um problema mas não sentem na pele. Passados 3 dias, a dor era constante, o calor era insuportável, percebia meu tornozelo inchar dentro do gesso, tomei uma decisão: pedi para a copeira do banco esquentar uma chaleira de água, peguei uma faca de serra, joguei água fervendo no gesso e ia serrando até retirá-lo completamente. Em seguida, ali mesmo nos fundos da agência bancária, apliquei gelo e toalha quente; continuei em casa à noite. Em 4 dias já estava começando a colocar os pés no chão, pouca dor e pé desinchado. Pelo médico deveria ficar, pasmem, 40 dias com o gesso e muleta!!! Então, problemas musculares, torções, indico aplicação de contraste.

Carlos Correa disse...

Certa noite jogando futebol de salão, numa dividida de bola torci o tornozelo do pé direito. Aquela região inchou e ficou dolorida. Fui ao médico no dia seguinte, verificou, tirou radiografia e mandou engessar e tomar cataflan. Simples, não? Não. Médicos dificilmente jogam bola, não se machucam, sabem teorizar sobre um problema mas não sentem na pele. Passados 3 dias, a dor era constante, o calor era insuportável, percebia meu tornozelo inchar dentro do gesso, tomei uma decisão: pedi para a copeira do banco esquentar uma chaleira de água, peguei uma faca de serra, joguei água fervendo no gesso e ia serrando até retirá-lo completamente. Em seguida, ali mesmo nos fundos da agência bancária, apliquei gelo e toalha quente; continuei em casa à noite. Em 4 dias já estava começando a colocar os pés no chão, pouca dor e pé desinchado. Pelo médico deveria ficar, pasmem, 40 dias com o gesso e muleta!!! Então, problemas musculares, torções, indico aplicação de contraste.

Anônimo disse...

Olá. Sou gestante, faço fisioterapia e utilizo choque e infavermelha. Tem alguma conta indicação?

Anônimo disse...

Após uma cirurgia de colocação de stent na femoral pode se fazer na região inguinal banho de contraste? 1 água gelada para 4 de morna? Minha tia está com 1 mês de pós operatorio.

Marta Brazil disse...

Meu filho tem 16 anos. Ele pode usar o IV nas espinhas?. Ele tem muitas nas costas e face.

Marta Brazil disse...

Meu filho tem 16 anos. Ele pode usar o IV nas espinhas?. Ele tem muitas nas costas e face.

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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