Principais complicações relacionadas ao uso de ventiladores mecânicos


Apesar dos inúmeros benefícios, a utilização de ventilação mecânica pode acarretar complicações. A instituição de ventilação mecânica em qualquer paciente altera a mecânica pulmonar e a função respiratória, podendo, além de afetar outros órgãos, causar grande morbidade ou mortalidade.

DIMINUIÇÃO DO DÉBITO CARDÍACO

A ventilação mecânica sob pressão positiva aumenta a pressão intratorácica média e, desta forma, reduz o retorno venoso e a pré-carga ventricular direita, principalmente com a utilização da PEEP. A distensão pulmonar, pela ventilação mecânica, associada ou não à PEEP, também aumenta a resistência vascular pulmonar (RVP).

ALCALOSE RESPIRATÓRIA AGUDA

É uma das ocorrências mais comuns. Pode prejudicar a perfusão cerebral, predispor à arritmia cardíaca, além de ser razão frequente para insucesso do desmame. Comumente secundária à dispnéia, dor ou agitação, a hiperventilação alveolar também pode resultar de uma regulagem inadequada do ventilador e ser corrigida por ajustes da frequência respiratória, do volume corrente, de acordo com as necessidades do paciente.

ELEVAÇÃO DA PRESSÃO INTRACRANIANA

A ventilação com pressão positiva na presença de pressão intracraniana (PIC) elevada pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral, principalmente quando se utilizam altos níveis de PEEP, devido à diminuição do retorno venoso do território cerebral e o consequente aumento da PIC.

METEORISMO (DISTENSÃO GÁSTRICA MACIÇA)

Pacientes sob ventilação mecânica, principalmente aqueles com baixa complacência pulmão-tórax, podem desenvolver distensão gasosa gástrica e/ou intestinal. Isto, presumivelmente, ocorre quando o vazamento do gás ao redor do tubo endotraqueal ultrapassa a resistência do esfíncter esofágico inferior. Este problema pode ser resolvido ou aliviado pela introdução de uma sonda nasogástrica ou ajustando-se a pressão do balonete.

PNEUMONIA

O desenvolvimento da pneumonia associada à ventilação mecânica requer uma fonte de microrganismos infectantes, geralmente os bacilos Gram-negativos, e a transmissão destes microrganismos para os hospedeiros. Nos hospedeiros, os microrganismos colonizam as vias respiratórias superiores gastrointestinais superiores, ou ambas. Sabe-se que estes microrganismos penetram nas vias respiratórias inferiores em consequência da aspiração de pequenas quantidades de conteúdo hipofaríngeo.
Uma epidemia de pneumonia nosocomial acompanhou o surgimento da ventilação mecânica. Constatou-se que esta situação deveu-se primariamente aos nebulizadores contaminados por flora polimicrobiana, e que os bacilos Gram-negativos eram geralmente os predominantes. O reconhecimento do problema, a implementação de rotinas de troca e cuidados com os circuitos e nebulizadores, além da adequada desinfecção de alto nível ou esterilização dos mesmos, diminuíram a incidência de tal complicação.
A maioria dos ventiladores atuais de UTI utiliza umidificadores que não aerossolizam bactérias, ao contrário dos nebulizadores. Entretanto, os nebulizadores de pequeno volume, utilizados para a administração de broncodilatadores ou outras medicações, podem ser fontes de infecção quando não são manuseados, esterilizados ou trocados adequadamente.
O condensado que se acumula no circuito expiratório é contaminado por microrganismos das vias respiratórias do paciente e, se não for manuseado adequadamente, pode servir como fonte de infecção nosocomial. Outra importante fonte de disseminação infecciosa, na unidade de terapia intensiva, são as mãos dos médicos, enfermeiras e outras pessoas da equipe de saúde; esta fonte pode ser bastante reduzida pelo hábito de lavar as mãos e pela utilização adequada de luvas.

ATELECTASIA

As causas de atelectasia relacionadas à ventilação mecânica estão associadas à intubação seletiva, presença de rolhas de secreção no tubo traqueal ou nas vias aéreas e hipoventilação alveolar.

BAROTRAUMA

As situações como pneumotórax, pneumomediastino e enfisema subcutâneo traduzem a situação de ar extra-alveolar. A existência de pressões ou de volumes correntes muito elevados foi correlacionada ao barotrauma nos pacientes em ventilação mecânica.

FÍSTULA BRONCOPLEURAL

O escape broncopleural persistente de ar, ou fístula broncopleural (FBP), durante a ventilação mecânica, pode ser consequente à ruptura alveolar espontânea ou à laceração direta da pleura visceral. A colocação de um sistema de sucção conectado ao dreno de tórax aumenta o gradiente de pressão através do sistema e pode prolongar o vazamento, principalmente se o pulmão não se expandir completamente.
É desconhecida a frequência de desenvolvimento de FBP como complicação direta da ventilação mecânica. Um estudo demostrando a heterogeneidade do padrão de comprometimento pulmonar na síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA)reforça a antiga noção de que o barotrauma pode ser mais uma manifestação da doença do que de seu tratamento, principalmente quando ocorre tardiamente na evolução da síndrome e quando existe sepse associada.

1 Comentário:

Thiago disse...

Parabéns pela postagem ! Excelente mesmo.. :)

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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