Pneumonias na infância

As pneumonias na infância conforme Tarantino (2002), podem ser de diversas etiologias, principalmente bacteriana ou virais, quando diagnosticadas precocemente, apresentam boa resposta ao tratamento.

Definição conceitual

Pneumonia é definida por Tarantino (2002) com um processo inflamatório dos pulmões, sendo difusa ou localizada. Sendo causada por microorganismos, existem também várias outras causas não infecciosas que incluem, não estão limitadas a aspiração de alimentos ou ácido gástrico, corpos estranhos, hidrocarbonetos e substâncias lipóides, reações de hipersensibilidade e pneumonites induzidas por drogas ou pela radiação. Podendo esta ser adquirida antes do nascimento, durante o nascimento e após o nascimento, podendo ser uma causa significativa de mortalidade na infância em todo o mundo, sendo com maior evidência nos paises em desenvolvimento.
O mesmo autor considera atual a segunda causa de morte em crianças. Caracterizada por um processo inflamatório, geralmente agudo, que compromete os alvéolos, bronquíolos e espaço intersticial, dificultando as trocas gasosas e prejudicando o trabalho de todas as células do corpo, levando muitas vezes a criança a necessitar de internamento (TARANTINO, 2002).
Segundo Sarmento (2005), a pneumonia torna-se responsável por 90% das mortes, tornando-se maior a mortalidade em indivíduos imunocomprometidos, tendo como exemplo, portadores de HIV, fibrose cística, e aos extremos de vida, como recém-nascidos e lactentes.
Estas representam um grave problema de saúde pública. A pneumonia compreende um grupo de enfermidades que representam a terceira causa de morte, de 4% a 15% de todas as mortes registradas no mundo (CORRÊA, 1998).

Etiologia

A definição da causa da pneumonia é de grande importância para que se possa realizar uma conduta terapêutica, sendo que identificação do agente é possível em 25% dos casos das crianças internadas. Sendo assim, a definição do agente é descoberta de acordo com a faixa etária, o estado imunológico, a sazonalidade e a origem do paciente domiciliar ou hospitalar (SILVA, 2001).
De acordo com Tarantino (2002), em países desenvolvidos os vírus são os maiores causadores de pneumonia, já nos em desenvolvimento acontece com maior freqüência pneumonia bacteriana. Entre os vírus mais comuns causadores de pneumonia encontram-se o vírus sincial respiratório (SRV), parainfluenza, influenza e adenovírus, sendo que o SRV é o mais comum. Os agentes mais comuns nas pneumonias bacterianas são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus, Staphylococus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella pneumoniae. Estes podem ser adquiridos dependendo da área geográfica, idade, estado imunológico, condições climáticas e locais de contaminação, na comunidade ou no hospital (TARANTINO, 2002).
As causas predisponentes exercem papel muito importante. Entre elas salientam-se: baixa idade, prematuridade e baixo peso ao nascer, mau estado nutricional e viroses prévias, como sarampo, influenza, varicela e rinofaringites, e certas infecções bacterianas, como a coqueluche (TARANTINO, 2002).
Para Silva (2001), as pneumonias virais em neonatos com poucas semanas de vida, fazem parte de uma infecção generalizada de aquisição intra-uterina pelos vírus coxsakie, herpes, varicela e rubéola; já a pneumonia bacteriana poderá ser adquirida pelo streptococcus e os gram-negativos, através do trato genital materno. Em lactentes e pré-escolares, a pneumonia viral pode se adquirida a partir do primeiro mês de idade com os vírus sincial, parainfluenza, influenza e adenovírus. Nas bacterianas a incidência é variável, pois depende do tipo de população e dos procedimentos diagnósticos. Em escolares e adolescentes, as pneumonias virais estão mais presentes pelos vírus influenza, parainfluenza e adenovírus; e as pneumonias bacterianas poderão ser adquiridas na idade escolar por Mycoplasma pneumoniae, podendo haver infecção freqüente, podendo manifestar-se durante todo o ano, com maior incidência no outono e no início do inverno.
Para diminuir o empirismo e permitir que a escolha do procedimento adequado no tratamento da pneumonia é de grande importância que os critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais sejam interpretados de forma correta antes da aplicação do tratamento. Com este objetivo, o diagnóstico da pneumonia é dividido em diagnóstico clínico, radiológico e laboratorial.

Diagnóstico

Para se definir o diagnóstico quanto ao tipo de pneumonia, devem-se analisar os dados clínicos, radiológicos, laboratoriais e ainda, quando necessário, proceder ao diagnóstico diferencial, os quais informarão dados para escolha do melhor tratamento.

Diagnóstico clínico

Para Marcondes (2003), as manifestações clínicas são variáveis, podendo estar presentes logo após o nascimento nos casos de pneumonia intra-uterina ou congênita, podendo inclusive a criança ser natimorta ou muito grave, levando ao óbito nas primeiras 24 ou 48 horas de vida.
As manifestações clínicas são conseqüência da resposta inflamatória sistêmica e no local da infecção. Podem ser gerais, como febre, mal-estar, calafrios e cefaléia; e também respiratórios como tosse, dispnéia, taquipnéia e anomalias em ausculta torácica. A semiologia e a gravidade variam segundo o agente biológico, já que por enquanto uns dão lugar a uma consolidação pulmonar localizada, outros provocam uma infecção mais difusa. (LIRIA, FERNANDEZ, 2001).
Sendo assim, o quadro clínico de pneumonia viral pode apresentar sintomas de vias aéreas superiores, como coriza, congestão nasal e espirros, acompanhados de tosse, mal-estar e febre baixa. Evoluindo para quadro com dificuldade respiratória, taquipnéia, sendo nos casos graves, retrações costais, batimentos de asa de nariz e cianose, podendo apresentar apnéia em lactentes. No exame físico pode apresentar estertores crepitantes ou subcrepitantes e sibilos (TARANTINO, 2002).
Dentre as manifestações predominantes de pneumonia bacteriana encontram-se a febre alta acima de 39º C, dispnéia com taquipnéia, tosse produtiva e não produtivos calafrios e ansiedade podendo ocasionar delírio. Estes iniciando de maneira súbita, no curso de uma infecção das vias respiratórias superiores ou de uma virose específica (KLIEGMAN, JENSON, BEHRMAN, 2005).
Nos casos mais graves, a insuficiência respiratória é progressiva, acompanhada por sinais e sintomas clínicos intensos, apnéia, choque e falência respiratória. Derrame pleural pode ocorrer em geral e associado à pneumonia por estafilococo do grupo A, estreptococo e E.coli (MARCONDES, 2003).

Diagnóstico radiológico

De acordo com Marcondes (2003), a radiografia de tórax póstero-anterior e perfil constituem o melhor exame para o diagnóstico radiológico da pneumonia. Esta avalia o processo e identifica complicações. Sua indicação justificará clinicamente e a sua interpretação procedida de forma sistematizada e minuciosa, pois exames de má qualidade podem levar a um diagnóstico equivocado (DIRETRIZES 2007).
Nas pneumonias bacterianas, alguns tipos apresentam imagens radiológicas de infiltração peribrônquica e áreas mal definidas de opacidade. A pneumonia pneumocócica é encontrada em pré-escolares e escolares, apresentando consolidação de um lobo ou do pulmão inteiro. A estafilocócica distingue-se pela rapidez com que progridem as imagens radiológicas nas primeiras horas de instalação da doença, rarefações cistiformes aéreas ou hidroaéreas, de parede fina, em geral múltiplas, possíveis abscessos simples ou múltiplos e precocidade do comprometimento pleural. Em todas as modalidades de pneumonia bacteriana, as imagens radiológicas podem custar a regredir, desaparecendo em alguns dias ou semanas após normalização clínica (TARANTINO, 1998).
As pneumonias virais caracterizam-se por uma hiperinsuflação, com infiltrados intersticiais bilaterais e congestão peribrônquica. (KLIEGMAN; JENSON; BEHRMAN, 2005).

Diagnóstico laboratorial

No diagnóstico laboratorial de pneumonia destaca-se o hemograma, que embora seja um exame inespecífico, poderá demonstrar a presença de anemia, leucocitose, plaquetopenia e índice neutrófilico (MARCONDES, 2003).
Nos casos de pneumonia viral, a contagem de leucócitos pode ser normal ou elevada, mas geralmente não fica acima de 20.000/mm3 com predominância de linfócitos. A pneumonia bacteriana geralmente está associada a uma contagem elevada de leucócitos, variando entre 15.000-40.000/mm3 e predominância de granulócitos (KLIEGMAN; JENSON; BEHRMAN, 2005).
De acordo com Sarmento (2005), para casos que o indivíduo não responde ao tratamento clínico ou que envolvem com admissão hospitalar, poderão ser solicitados também, hemocultura, urocultura, cultura de escarro em crianças maiores, broncoscopia, aspirado pulmonar, toracocentese casos de derrame pleural, sorologia e PPD para pesquisa de tuberculose.

Diagnóstico diferencial

Para Franco, Pereira e Torres (1998)o diagnóstico diferencial da pneumonia, pode acrescentar tromboembolismo pulmonar, contusão pulmonar, edema cardiogênico, podendo estas e outras simular o quadro infeccioso de pneumonia. Com isso alguns sinais clínicos não irão ser suficientes para indicar uma infecção pulmonar, destacando-se secreção purulenta, febre, leucocitose e infiltrados pulmonares. De acordo com essas condições o diagnóstico microbiológico é que será capaz de produzir com segurança o diagnóstico.

Fonte: UNISUL

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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