Oxigenioterapia em pediatria

OBJETIVO:

A oxigenoterapia é a administração de oxigênio em concentrações maiores do que a encontrada no ar ambiente, sendo o primeiro passo a ser tomado na correção da hipoxemia comprovada, visando ao aumento da saturação da hemoglobina pelo oxigênio, por meio do fornecimento de uma adequada oxigenação tecidual com a menor FiO2. Podendo ter como benefício: o crescimento ponderal adequado, o desenvolvimento normal do sistema nervoso, a prevenção do desenvolvimento da hipertensão pulmonar e a redução no tempo de hospitalizações. É um tratamento muito eficaz e está indicado e deve ser iniciado prontamente em todo paciente grave, seja com insuficiência respiratória ou circulatória (choque).

DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO:

A presença de hipoxemia no RN e na criança deve ser avaliada de acordo com a idade e com a patologia. Em RN acima de 28 dias de vida, podem ser considerados hipoxemia valores de pressão arterial de oxigênio (PaO2) menores que 60 mmHg ou uma saturação menor do que 90%, sendo aceitos valores inferiores em lactentes ou crianças portadoras de doença pulmonar crônica, como é o caso da Displasia Broncopulmonar, ou nos casos de cardiopatias congênitas associadas.
A administração de oxigênio em RN e em crianças visa sempre manter:
PaO2 entre 60 e 80 mmHg,
Saturação de O2 entre 88% e 92%, com a menor FiO2 possível.

Esses valores devem ser monitorados constantemente por meio de gasometria e oximetria de pulso para evitar complicações decorrentes da hiperóxia, pois os pulmões em crescimento são mais sensíveis à toxicidade que os de um adulto. Em situações de emergência, a FiO2 deve ser administrada a 100%, independentemente da patologia de base e do quadro clínico.
Existem vários equipamentos que permitem oferecer ao paciente uma concentração variável de oxigênio (FIO2) e deve-se escolher a forma mais adequada, mais estável, mais confortável e de menor custo. Se o paciente está respirando espontaneamente pode-se usar cateteres nasais, máscaras diversas, funil, hoods e tendas. Nos casos em que o paciente não está respirando espontaneamente ou seu padrão respiratório é instável, pode ser necessário administrar oxigênio com pressão positiva com uma unidade ventilatória auto-inflável com máscara (ambú) e colocá-lo em ventilação mecânica não invasiva ou invasiva.

Equipamentos: Deve-se fazer uma seleção adequada do equipamento a ser utilizado, dependendo da idade e suas capacidades individuais.

Sistemas cercados: São dispositivos em que o paciente é adaptado a um ambiente fechado com oxigênio controlado. São utilizados em crianças e lactentes.

Tendas de oxigênio: permitem a entrada de oxigênio em temperatura confortável. São indicadas para crianças pequenas que necessitam de concentrações baixas ou moderadas de oxigênio e de aerossol.

Capacetes: fornecem concentrações precisas de oxigênio através apenas da cobertura da cabeça do paciente. São utilizados em lactentes que necessitam de suplementação de oxigênio, já que o corpo permanece livre para cuidados de enfermagem.

Incubadoras: são dispositivos que permitem o aquecimento com suplementação de oxigênio e umidificação externa. São indicadas para lactentes que necessitam de suplementação de oxigênio e regulação térmica precisas.

Sistema de baixo fluxo: Os sistemas de baixo fluxo revelam concentrações de oxigênio entre 22% (com fluxo de 1L/min) a 60% (com fluxo de 15L/min). Entretanto, o limite superior de fluxo confortável para o paciente, utilizando os sistemas de baixo fluxo, fica em torno de 8L/min.

Cânula nasal (tipo óculos): A cânula nasal é um dispositivo plástico descartável composto por duas pontas ou dentes, com aproximadamente um centímetro de comprimento, conectados a um tubo longo de pequeno calibre para o suprimento de oxigênio. As pontas são inseridas diretamente nos vestíbulos dos nasais, enquanto se fixa o tubo de suprimento diretamente a um fluxômetro ou a um umidificador de bolhas. É indicada para pacientes estáveis que necessitam de pequenas concentrações de oxigênio e na terapia domiciliar prolongada. Em crianças deve ser utilizado baixo fluxo para prevenir lesões e sangramentos.

Cateter nasal: o cateter nasal é um dispositivo composto por um tubo plástico macio com vários pequenos orifícios em sua extremidade. É introduzido na cavidade do assoalho nasal gradativamente até ser visualizado através da úvula.
Depois de posicionado, o cateter é fixado na ponta do nariz. Se a visualização direta não for possível, o cateter pode ser inserido às cegas até uma profundidade igual à distância entre o nariz e o lóbulo da orelha. O posicionamento do cateter estimula a produção de secreção, o que requer a remoção e a substituição por um novo pelo menos a cada oito horas. É indicado para aqueles pacientes que serão submetidos a procedimentos em que a cânula dificulta o acesso traqueal, é menos utilizado em pediatria, pois pode causar hemorragias, distensão gástrica e lesões na orofaringe.

Sistema com reservatório: Trata-se de um sistema em que o oxigênio é armazenado em um reservatório que incorpora o dispositivo que é liberado durante as inspirações do paciente. Esse sistema oferece uma concentração de oxigênio mais elevada, com utilização de fluxos menores do que os sistemas de baixo fluxo.

Máscara com reservatório: A máscara simples é plástica, descartável e cobre a boca e o nariz. O corpo da máscara armazena o oxigênio entre as inspirações do paciente. A expiração se dá através de orifícios contidos na lateral do corpo da máscara. É indicada para emergências e terapias de curto prazo que requerem concentrações de oxigênio moderada ou elevada, utilizadas em crianças maiores.

Sistema de alto fluxo: São sistemas que funcionam com fluxos acima de 60L/min. Esses dispositivos misturam ar e o oxigênio, para determinar uma concentração necessária através de sistemas de arrastamento de ar ou misturadores.

Arrastamento de ar (Venturi): Os sistemas de arrastamento de ar conduzem uma fonte de oxigênio em alta pressão através de um jato por um orifício de entrada. Quanto maior for o orifício e o jato de entrada, maiores serão as concentrações oferecidas de oxigênio. A máscara de arrastamento de ar possui um orifício de jato em torno do qual se encontra uma porta de arrastamento de ar. O corpo da máscara possui orifício de saída para o ar expirado. A concentração de oxigênio é obtida através da troca de peças de entrada de jato de oxigênio. É indicada para pacientes estáveis que necessitam de concentrações baixas de oxigênio, porém precisas. Utilizada em crianças maiores.

Dispositivos e Fração inspirada

Tipo----------------Fluxo---------------FiO2 esperada
Cânula-------------0,5 - 5 L/min-----------21 – 40%
Máscaras------------6 – 15 L/min----------21 – 100%
Tenda-----------------> 12 L/min-----------21 – 50%
Capacete---------------> 7 L/min-----------21 – 100%

Precauções e possíveis complicações:

O oxigênio, como qualquer medicamento, deve ser administrado em doses e por tempos necessários com base nas condições clínicas dos pacientes e fundamentado no controle exato dos gases arteriais.
A hiperóxia pode favorecer quadros de displasia broncopulmonar, por causa de lesão celular, por liberação de radicais livres, e quadros de retinopatia da prematuridade (fibroplasia retrocristalina). Além disso, a hiperóxia pode gerar efeitos cardiovasculares deletérios, como o fechamento prematuro do canal arterial em lactentes portadores de cardiopatias congênitas canal dependente e/ou de áreas de atelectasia de reabsorção, além disso pode ser tóxico e deprimir a função mucociliar e leucocitária, sendo ideal, então, manter uma PaO2 de, no máximo, até 140 mmHg.

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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