Posicionamento terapêutico em pediatria

O posicionamento terapêutico é uma forma de intervenção que permite o desenvolvimento de respostas adaptativas semelhantes aquelas apresentadas por recém-nascidos a termo (RNT) saudáveis. Tem como objetivo promover regulação do estado neurocomportamental e auto-regulação, proporcionar suporte postural e de movimento, facilitar a participação da criança nas extremidades sensório motor normais, otimizar o desenvolvimento musculoesquelético e o alinhamento biomecânico.

Os princípios do posicionamento terapêutico:

Promover contenção e a adaptação suave ao ambiente extra-uterino;

Promover a flexão para obter um padrão postural e de movimento semelhantes à do RNT saudável;

Otimizar a estabilidade fisiológica e a organização neurocomportamental;

Facilitar a colocação das mãos na linha média;

Manter alinhamento articular;

Prevenir as assimetrias posturais e o desenvolvimento de padrões posturais anormais;

Estimular a exploração visual do ambiente (com a cabeça na linha média);

Facilitar o desenvolvimento do controle da cabeça;

Auxiliar o movimento antigravitacional;

Encorajar o desenvolvimento das habilidades motoras, reflexas e do tono postural;

Promover interação familiar.

Para promover o alinhamento biomecânico e facilitar o desenvolvimento neuromotor, materiais como fraldas de tecido, cueiros, lençóis e toalhas são necessários, para promover a contenção parcial dos movimentos das extremidades, e rolos preenchidos por algodão como suporte postural. Proporcionando estabilidade postural e organização do RN sobre o leito.

Suportes como “cadeirinhas para bebê” ou “bebê conforto” poderão ser utilizados como dispositivos para posicionar crianças que permanecem internadas em UTIN por longos períodos. Esse posicionamento deve ser evitado em crianças que não apresentam controle da musculatura cervical, principalmente quando há distúrbios respiratórios associados, uma vez que, na postura sentada, a flexão do pescoço contribui para a obstrução do fluxo aéreo.

POSIÇÃO PRONA

OBJETIVO:

A posição prona (decúbito ventral) é bastante utilizada em recém-nascidos, com objetivos de :

Promover estabilidade da caixa torácica, favorecendo a excursão diafragmática, melhorando a sincronia toracoabdominal, o movimento das costelas e, consequentemente, a mecânica respiratória, com melhora da relação V/Q, aumento do volume corrente e melhora da complacência pulmonar;

Reduzir o consumo de oxigênio;

Regularizar a freqüência cardíaca;

Reduzir o número de episódios de apnéia;

Diminuir a pressão intracraniana;

Diminuir a freqüência respiratória;

Aumentar o tempo de sono profundo e diminuir o tempo de choro e desorganização;

Favorecer o esvaziamento gástrico e reduzir os episódios de refluxo gastroesofágico.

DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO:

A posição prona é o posicionamento do paciente em decúbito ventral. A cabeça mantida lateralizada, alinhada ao tronco para evitar flexão ou extensão excessivas (principalmente nos RN em uso de ventilação mecânica) deve-se alternar a lateralização da cabeça para que não ocorram deformidades de crânio, encurtamento unilateral da musculatura do pescoço e evitar edema e lesões na face. Os MMSS e MMII são mantidos em flexão, respeitando o padrão flexor fisiológico, evitando abdução e rotação externa exageradas nos MMII.

Ao colocar o RN em prono, deve-se evitar que o tronco, a pelve e os membros permaneçam em extensão sobre o leito. O uso de fraldas dobradas ou rolos para elevar o tronco e a pelve facilita o posicionamento dos membros próximos à linha média em flexão e adução. Para que o RN permaneça em postura aconchegante, coloque um rolo nas laterais dos membros (como um ninho), conservando-os na linha média e facilitando o acesso da mão à boca. Os pés são apoiados em posição neutra, para evitar a deformidade em eversão, e com o uso do ninho ao redor da criança, além do estímulo tátil-proprioceptivo, também estimulam o tônus muscular à medida que o bebê o empurra, como faz com a parede uterina.

Essa posição é contra-indicada em pacientes com distensão abdominal aguda.

POSIÇÃO SUPINA

OBJETIVO:

A posição supina (decúbito dorsal) facilita os cuidados médicos e cirúrgicos, o monitoramento e o acesso aos equipamentos de suporte à vida. Tendo como objetivo:

Diminuir a incidência para síndrome da morte súbita;

Permiti movimentos amplos dos MMSS e MMII;

Facilita o RN brincar com as mãos e levá-las a boca, promovendo a auto regulação comportamental.

DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO:

Em posição supina, a cabeça deve manter-se alinhada ao tronco, em posição neutra, recebendo apoio posterior (evitando flexão excessiva). Um rolo deve ser colocado nas laterais do corpo para elevar suavemente os ombros e o quadril, promovendo um comportamento em flexão, que propiciam a contração abdominal ativa. Para o bebê permanecer nessa postura, é necessário circundá-lo com um tecido macio, na tentativa de formar um ninho. Os MMSS e MMII são mantidos livres para movimentação espontânea.
A variação das posições favorece a formação arredondada do crânio.
Essa posição deve ser monitorada, levando em conta algumas considerações:

Leva ao atraso das aquisições motoras;

Dificulta o movimento de alcance;

Favorece a hiperextensão cervical;

Predispõe à obstrução do retorno venoso cerebral quando a cabeça cai para o lado;

Favorece a postura assimétrica;

Ocasiona assimetria na região occipital.

POSIÇÃO LATERAL

OBJETIVO:

A postura em lateral possibilita o alerta visual para as mãos, favorecendo a movimentação para a linha média e boca. Tendo como objetivo:

Favorecer o esvaziamento gástrico;

Facilita o comportamento das mãos na linha média e o comportamento mão-boca.

DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO

Para posicionar o RN em decúbito lateral, um rolo maior deverá ser confeccionado e passado na região dorsal, entre as pernas, e na região ventral, entre os membros superiores do RN. Deve-se alternar periodicamente os lados. E para evitar alterações posturais, a cabeça do RN deverá estar em posição neutra, e o tronco, os MMSS e MMII em leve flexão.

2 Comentários:

Maria Claudia Feliciano disse...

Poderia disponibilizar a referência desse texto por favor?

Adm. Blog disse...

SARMENTO, George J. V. Fisioterapia
Respiratória em Pediatria e Neonatologia. 1. ed.
São Paulo, 2007.

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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