Prevenção de lombalgias em gestantes

Durante a gravidez o corpo da mulher passa por modificações locais e gerais, gerando alguns desconfortos e problemas. Dentre estes o mais comum é a lombalgia (PODEN, 2000).
Segundo Leitão (1995), lombalgia é uma patologia que acomete a coluna vertebral, ocasionando algias nesta região. Pode ser leve ou intensa. Geralmente acomete gestante, pois com o passar dos meses estas adquirem marcha e posturas alteradas. À medida que o peso aumenta no abdômen as articulações pélvicas se relaxam, o centro da gravidade desloca-se para frente, e assim há uma tendência a aumentar a curvatura da região lombar, ocorrendo um espasmo muscular nessa região, o que modifica a movimentação.

Para KATZ (1999), as alterações biomecânicas e hormonais da gestante são causadas pelo estrógeno, progesterona e relaxina, pois esses hormônios possuem importantes implicações para a segurança dos exercícios durante a gestação. Essas alterações hormonais aumentam a frouxidão geral das articulações.

Estudos prospectivos e retrospectivos citados por (FERREIRA & NAKANO, 2001), demonstram a prevalência de lombalgia na gestação com uma variável de 49% a 71% e com a incidência de 54,8% e 78%. Para estes pesquisadores, profissionais da saúde que trabalham com gestantes, percebem as repercussões dos problemas, quando não há indicação de medidas de alívio para as queixas de lombalgia. Existem algumas medidas preventivas a serem adotados durante a gestação que deveriam ser difundidas. O objetivo deste trabalho é descrever os benefícios da hidroterapia como tratamento da lombalgia em gestantes.

Para PODEN (2000), são varias as modificações anatômicas que ocorrem durante o período gestacional, as quais devem ser levadas em consideração para ser propor qualquer atividade física para gestante.

Durante a gravidez é comumente, necessário para a mulher adaptar sua postura para compensar a mudança de seu centro de gravidade. Isso será individual e dependerá de alguns fatores, como força muscular, extensão da articulação e fadiga muscular (KATZ, 1999).

Segundo PODEN (2000), a parede abdominal é a primeira a sentir as modificações, à distância entre os dois músculos retos abdominais pode ser visto dilatando-se do início ao final da gestação e a linha Alba pode até dividir-se sob o esforço (diástase dos retos abdominais), o útero tem seu eixo vertical e exige da mulher uma sustentação total, deslocando seu centro de gravidade, o que resulta em uma rotação pélvica e uma progressiva lordose lombar. A estabilidade acontece através de um trabalho mais intenso com a musculatura e os ligamentos da coluna vertebral.

A postura da gestante modifica-se à medida que o volume da barriga aumenta, e esta, para não se deslocar para frente, força os glúteos, arrebitando as nádegas, o que ocasiona dores e desconfortos na região lombar. No decorrer da gestação, o assoalho pélvico, que tem como musculatura principal o pubococcígeno, exerce função de suporte para os órgãos pélvicos. Na gravidez, os hormônios amolecem a região da sínfise púbica, dando maior mobilidade à cintura pélvica, para que assim ocorra a expulsão do feto (LEITÃO, 1995).

Além das modificações anatômicas, a gestante sofre algumas alterações fisiológicas. Nos demais aspectos do sistema corporal, ocorrem alongamentos das fibras musculares, aumento do abdômen, aumento da caixa torácica, pressão pélvica, descontrole urinário, algias na região do quadril, sacroilíaca e lombar, estiramento da pele (estrias na gravidez), distensão na coluna vertebral conforme os músculos abdominais se alongam (GUYTON, 1998).

Problemas músculos-esqueléticos ou neuromusculares (lombocialtalgia), podem ser agravados no período gestacional. A maioria das mulheres tem uma predisposição para adquirir lombalgia, devido à própria anatomia (anteroversão do quadril) (LEITÃO, 1995).

As gestantes com predisposição a lombalgia já nos primeiros meses de gestação queixam-se de sintomas, e os sinais ficam bem evidentes, como diminuição da amplitude de movimento (ADM), principalmente na região lombar, juntamente com a dor (PODEN, 2000).

Outro fator que contribui para a necessidade da adoção de medidas preventivas por ocasião da gestação é o aparecimento de lesões que poderão se intensificar ou tornar-se irreversíveis logo após o parto (LEITÃO, 1995).

De acordo com (FERREIRA& NAKANO, 2001), a gestação limita a adoção das condutas diagnósticas e terapêuticas, normalmente utilizadas para lombalgia fora da gestação como os exames radiológicos e o uso de alguns fármacos. Desta forma durante o período gestacional a melhor medida a ser adotada são as alternativas, ou seja, medidas como mudança de hábitos posturais, revisão e adequação do ambiente de trabalho, séries de exercícios ergométricos, relaxamento e hidroterapia.

Autores como KATZ (1999), relata que durante a gestação, a hidroterapia é benéfica, pois exerce um efeito relaxante, além de permitir que o peso corporal seja mais bem sustentado. Sua propriedade de flutuação permite diminuir o impacto dos exercícios sobre as articulações, além de proporcionar benefícios físicos, diminuindo a tensão dos músculos e a sobrecarga das articulações, promovendo assim exercícios amplos e sem algias. O tratamento deve ser distribuído em exercícios de aquecimento, alongamento, reforço muscular, relaxamento e exercícios respiratórios. Os exercícios aquáticos preparam o corpo da gestante para uma gravidez confortável, sendo então que os exercícios para a parte mediana do corpo ajudarão a gestante a desenvolver agradavelmente sua gravidez, além de fortalecer os músculos da coluna vertebral e do abdômen (oblíquo e transverso) para suportar o peso adicional e manter a boa postura. Mantendo o corpo alinhado, não serão exigidas, das articulações e dos músculos, ações desnecessárias de esforço, ajudando a eliminar as dores da região lombar.

Autoras: GUIMARÃES, Luciana Angélica; PELLOSO, Sandra Mariza.

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