Bronquiectasias parte 1

O que é bronquiectasia?

A definição de bronquiectasia é basicamente anatômica e refere-se à dilatação e distorção irreversível dos brônquios, em decorrência da destruição dos componentes elástico e muscular de sua parede.

Como ocorre o desenvolvimento de bronquiectasia?

Na patogenia da bronquiectasia há necessidade da presença de dois elementos: agressão infecciosa e deficiência na depuração das secreções brônquicas. Assim, quanto maior a virulência do agente agressor e quanto pior as condições de defesa locais e sistêmicas, maior a possibilidade de desenvolvimento de bronquiectasias. Isso, associado à resposta imune do próprio hospedeiro, promove a perpetuação do processo inflamatório local, com posterior destruição da parede brônquica.

O que é a teoria do círculo vicioso na patogênese da bronquiectasia?

A teoria do círculo vicioso, proposta por Cole e Wilson, pressupõe que um evento inicial (infecção ou condição genética primária) comprometeria o mecanismo mucociliar de depuração. Isso faria com que o muco e as bactérias permanecessem por um maior tempo na árvore brônquica, levando a seleção natural das bactérias mais virulentas que lesariam o epitélio ciliar. Posteriormente, surgiria um processo inflamatório crônico que reduziria ainda mais a depuração brônquica, facilitando as infecções recorrentes e o aparecimento das bronquiectasias, que, por sua vez, predisporiam a novas infecções, fechando o círculo vicioso.

O que é pseudobronquiectasia?

A pseudobronquiectasia é a dilatação brônquica que surge em decorrência de processos inflamatórios agudos, mas, no entanto, é reversível. É geralmente cilíndrica e tem sua resolução após um período que varia de três meses a um ano. O conhecimento dessa situação é importante, pois evita a realização de procedimentos cirúrgicos desnecessários ou investigações diagnósticas precoces.

Como é o típico paciente portador de bronquiectasia?

O típico paciente portador de bronquiectasia é aquele indivíduo que apresenta, persistentemente, tosse produtiva, com expectoração mucopurulenta, em grande quantidade, principalmente pela manhã. A evolução da doença é crônica, meses a anos, e é intercalada por períodos de acentuação dos sintomas, com necessidade de uso freqüente de antibióticos.

Quais são os principais sintomas e sinais de bronquiectasia?

Sintomas

Tosse 90%
Produção diária de escarro 76%
Dispnéia 72%
Hemoptise 56%
Pleurite recorrente 46%

Sinais

Crepitações 70%
Roncos 44%
Sibilos 34%
Baqueteamento digital 03%

O que é bronquiectasia seca?

A bronquiectasia seca é aquela que se manifesta através de episódios de hemoptise e com quase nenhuma produção de escarro. Geralmente, surge em decorrência de lesões de tuberculose, curadas e cicatrizadas, no ápice pulmonar. Não há acúmulo de secreções em função da drenagem contínua das secreções brônquicas promovida pela ação da gravidade.

Como podem ser classificadas as bronquiectasias?

As bronquiectasias podem ser classificadas de acordo com:

Morfologia

Cilíndricas - brônquios uniformemente dilatados
Císticas - brônquios dilatados somente em determinado ponto de seu diâmetro
Varicosas - dilatações que se alternam com segmentos normais

Localização

localizadas
difusas

Etiologia

Congênita
Adquirida

Quais são as principais localizações das bronquiectasias?

As bronquiectasias ocorrem, preferencialmente, nos lobos pulmonares com maior dificuldade de drenagem das secreções brônquicas. Assim, o lobo inferior esquerdo é o mais acometido, pois o brônquio esquerdo forma um ângulo mais agudo com a traquéia e seu diâmetro é mais estreito, em razão do cavalgamento que sofre da artéria pulmonar e da aorta. Todavia, a localização também depende da sua etiologia; desta forma, as bronquiectasias restritas à determinado segmento pulmonar geralmente estão relacionadas à aspiração de corpo estranho, à obstrução por tumores ou adenopatias ou à tuberculose, entre outras. Aquelas com envolvimento difuso do parênquima pulmonar tendem a estar relacionadas às causas sistêmicas, como imunoedeficiência, fibrose cística, discinesia ciliar, entre outras.

Quais são as principais etiologias das bronquiectasias?

Etiologia

Congênita - Deficiência de elementos da parede brônquica, seqüestro pulmonar.
Pneumonite inflamatória - Aspiração de conteúdo gástrico ou substâncias cáusticas, inalação de gases tóxicos.
Resposta imunológica exacerbada - Aspergilose broncopulmonar alérgica, bronquiectasia pós-transplante pulmonar, artrite reumatóide.
Deficiência imunológica - Hipogamaglobulinemia, deficiência de IGA, SIDA, neoplasia.
Deficiência da depuração mucociliar - Discinesia ciliar primária, fibrose cística, Síndrome de Young, discinesia ciliar secundária (asma, tóxica, bactérias).
Pós-infecciosa - Bacterias, vírus, fungos e protozoários.
Outras - Síndrone sinusobronquial, idiopática.

O que é a discinesia ciliar primária?

A discinesia ciliar primária é uma doença hereditária, caracterizada pela imotilidade ou disfunção dos cílios do epitélio que reveste a cavidade nasal, seios paranasais, ouvido médio, trato respiratório inferior, ventrículos cerebrais e ovidutos. É comum estar associada a consangüinidade.
No trato respiratório, o batimento ciliar é fundamental para a depuração das secreções brônquicas, bactérias e células fagocitadas. Como conseqüência da discinesia, o indivíduo apresenta repetidas infecções respiratórias e, posteriormente, o surgimento de bronquiectasias difusas. Associadamente há o comprometimento da motilidade dos espermatozóides, levando com freqüência à esterilidade no homem.

Como é feito o diagnóstico da discinesia ciliar primária?

O diagnóstico é confirmado através do estudo, por microscopia, do epitélio ciliar obtido por biópsia ou escovado do tecido brônquico ou nasal. Através de método especial de microscopia óptica, é analisada a freqüência dos batimentos ciliares (reduzida ou ausente), e, através da microscopia eletrônica, é avaliada a estrutura dos cílios, que é anormal. O exame não deve ser feito na vigência de infecção respiratória, bacteriana ou viral, pois pode resultar em falso positivo.
Na impossibilidade de serem feitos tais estudos microscópicos, frente à suspeita clínica, em homens na idade reprodutiva, pode ser feita a análise da motilidade dos espermatozóides, sendo que a evidência de disfunção da mesma contribuiu para a confirmação diagnóstica da discinesia ciliar.

Como se caracteriza a fibrose cística?

A fibrose cística é uma patologia hereditária (autossômica recessiva) que acomete as glândulas exócrinas, levando-as a produzir uma secreção mucosa espessa. Acomete, principalmente, o trato respiratório inferior e o pâncreas. No pulmão, a secreção brônquica espessa provoca a obstrução das vias aéreas e subseqüentes infecções de repetição, com o aparecimento de bronquiectasias.
As bronquiectasias localizam-se, inicialmente, no lobo superior direito e com o progredir da doença tornam-se difusas. São, geralmente, identificadas nas duas primeiras décadas de vida.

Como é confirmado o diagnóstico de fibrose cística?

O diagnóstico é fornecido pela análise iônica quantitativa do suor, estimulado pela pilocarpina. Valores de sódio e cloro no suor acima de 60 mEq/l confirmam a doença. A coleta do suor por outras técnicas que não a iontoforese com pilorcapina não tem valor diagnóstico.

Quais os agentes infecciosos mais relacionados ao desenvolvimento de bronquiectasias?

Outrora, o sarampo e a coqueluche eram causas freqüentes de bronquiectasias, porém, com a extensa imunização, a importância dessas doenças entre as causas de bronquiectasias diminuiu.
As infecções por vírus, principalmente adenovírus, têm potencial para gerar bronquiectasias. As infecções por bactérias provocadoras de processos necrotizantes, entre elas, o Staphylococcus aureus, a Klebsiella pneumoniae, a Pseudomonas aeruginosa, o Mycoplasma pneumoniae, os
aneróbios e o Mycobacterium tuberculosis também são causas de bronquiectasias.
A tuberculose, em nosso meio, ainda é uma doença infecciosa bastante comum. A infecção pelo bK pode gerar bronquiectasias pelo processo infeccioso brônquico em atividade ou por cicatrizes pulmonares de infecções prévias ou, ainda, por compressão brônquica por adenopatia hilar.
Os fungos também contribuem para o surgimento de bronquiectasias, principalmente o Aspergillus fumigatus e o Histoplasma capsulatum.

Fonte: Pneumoatual

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