Decanulação da traqueostomia (TQT)

De acordo com Netto e Cavalcante apud Costa (2003), a traqueostomia (TQT) é uma técnica cirúrgica muito antiga, que tem por finalidade possibilitar a respiração por uma nova via, sendo realizada uma abertura da traquéia para o exterior. Ainda não existem estudos que comprovem o momento mais correto para a realização desta técnica, porém, sabe-se que a TQT é realizada somente quando necessária.

A principal indicação da TQT é diminuir o desconforto com a via aérea artificial e facilitar a remoção de secreções pulmonares, que com esses benefícios, podem possibilitar a redução do tempo de ventilação artificial, da incidência de pneumonia e do tempo de internação hospitalar (PASINI et al, 2007).

Segundo Oxford Ridellife Nhs Trust Hospitals apud Santos, (2007) o período de decanulação da TQT é o período pelo qual o paciente passa da situação de dependência da TQT para uma situação de independência, uma vez que as vias aéreas superiores apresentam parâmetros respiratórios adequados, com pouco ou nenhum suporte necessário.

Segundo Kent (2005), a decanulação requer muita cautela, principalmente se o período de uso da TQT tenha sido prolongado. Por isso, deve-se tornar um motivo de estudos para a fisioterapia respiratória, pois ainda não existem protocolos esclarecendo qual a forma mais adequada para realização, tornando-o contraditório.

A decanulação da TQT é na maioria das vezes realizada pelo profissional fisioterapeuta, por isso, o objetivo deste artigo, é relatar o papel da fisioterapia bem como estipular a melhor técnica no processo da decanulação/desmame da TQT, através da uma revisão bibliográfica. Tal preocupação se justifica pelo pouco referencial bibliográfico e artigos que relatem sobre a importância desse profissional nessa intervenção e que esclareçam a técnica de forma mais fidedigna.

METODOLOGIA

Para alcançar o objetivo proposto foi realizada uma revisão da literatura em livros, periódicos e nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE (Literatura Internacional em Ciências da Saúde), e SCIELO (Scientifc Eletronic Library Online), compreendendo a literatura publicada desde 1998 à 2008. Os descritores utilizados foram: decanulação de traqueostomia e fisioterapia hospitalar. Foram considerados para análise artigos nos idiomas português e inglês. Os textos foram analisados a fim de obter informações consistentes no que diz respeito à atuação da fisioterapia no processo de decanulação dos pacientes traqueostomizados.

DISCUSSÃO

Carvalho (2000) relata que a TQT somente deve ser indicada quando houver a necessidade de manutenção de via aérea por tempo prolongado, de caráter eletivo e com todos os rigores da técnica, não havendo consenso quanto ao momento ideal para a realização da TQT no paciente, levando em consideração as condições clínicas do paciente, tempo de intubação traqueal, grau de dependência e previsão de uso de ventilação mecânica.

Para iniciar o desmame é necessário ocluir a cânula por 24 horas e observar se o paciente apresenta capacidade de respirar espontaneamente nesta situação, e se é capaz de eliminar secreções pela boca. Tendo isto ocorre a troca da cânula plástica por uma de metal, onde é diminuído progressivamente o diâmetro da mesma, através de trocas freqüentes, até a sua decanulação (COSTA, 2003).

Segundo Santos (2007), em sua pesquisa, ao abordar os fisioterapeutas quanto os critérios utilizados por eles no momento da decanulação da TQT, os mais citados foram: estabilidade hemodinâmica, ausência ou diminuição da secreção pulmonar, melhora do quadro respiratório, ausência de sinais de esforços respiratórios, boa saturação de O2, ausência da necessidade de ventilação mecânica, tosse eficaz, presença de eupnéia e bons resultados em exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, gasometria).

A decanulação só é realizada quando não houver mais a necessidade da ventilação mecânica, a secreção estiver controlada e a origem do problema respiratório resolvido não devendo ser tomada rapidamente, pelo contrário, deve-se ter total domínio sobre o quadro atual do paciente, e se ele está preparado para esse processo (KENT, 2005).

Para Kent (2005) a decisão para realizar o procedimento da decanulação para manutenção de uma obstrução aguda das vias aéreas superiores é muito diferente da avaliação para retirada de um tubo de TQT que foi colocado para manutenção de anormalidades de via aérea em longo prazo ou para ventilação mecânica prolongada (VMP). Por exemplo, se a TQT foi feita para uma obstrução aguda das vias aérea superiores, pode ser prudente para o paciente fazer um exame endoscópico das vias aéreas superiores para confirmar que a anormalidade está substancialmente melhorada ou resolvida. Se uma via aérea patente está restabelecida, o processo de decanulação, monitoramento e avaliação clínica pós-procedimento adequados podem ser a melhor intervenção.

Sobre os critérios para a decanulação da TQT, Kent (2005), considera ainda necessário a PaCO2 menor que 60 mmhg, exame de endoscopia normal ou revelando lesão estenóticas que ocupem até 30% das vias respiratórias e pressão expiratória máxima de 40 cmH2O.

Em sua pesquisa, Santos (2007), notou que 66,66% dos fisioterapeutas tomam a decisão do processo de decanulação após consenso de uma equipe multidisciplinar. Onde o fisioterapeuta, o psicólogo e o fonoaudiólogo são profissionais indispensáveis nesse processo. Também observou que 93,33% dos fisioterapeutas entrevistados não realizam a decanulação abrupta da TQT plástica, mas sim, prosseguem com o desmame de maneira gradativa, preconizando a redução do calibre da cânula.

Segundo Santos (2007), quando abordou os fisioterapeutas sobre a freqüência da necessidade da recanulação após a decanulação, 60% dos fisioterapeutas responderam que raramente é observada esta situação. Oxford Ridellife Nhs Trust Hospitals apud Santos, (2007) afirma que para o sucesso da decanulação é necessário o teste de oclusão, uma vez que é a única maneira de avaliar plenamente as VAS e a integridade das cordas vocais. A oclusão deve ser realizada gradualmente, porém, antes da decanulação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente existe uma grande preocupação em paciente com uso da TQT; onde embora não há um protocolo definido para a execução da técnica de decanulação; sabe-se que a fisioterapia vem desempenhando não só a função de prevenir e tratar as complicações que a TQT proporciona, mais também de avaliar as condições clínicas e laboratoriais que cada paciente com TQT apresenta, definindo assim a técnica ideal para enfim realizar o processo de decanulação.

Com a presente revisão da literatura, pode-se notar a deficiência de material que esclareça um protocolo definido para a técnica de decanulação. Porém, nota-se que a fisioterapia vem assumindo esse papel. Por sua vez, sugere-se maiores estudos sendo necessário para que se obtenham melhores comprovações científicas.

Autores: Drielly Fontana, Giselle Amparado Rosas, Graciela Gobi Santos, Luiz Augusto Mazine Santos, Camila de Lima Cicotoste

1 Comentário:

Vanderson Fávaro Fisioterapeuta disse...

Bom dia! Vejo a preocupação que temos no desmame do paciente em responder aos sinais de autocontrole hemodinâmico. Vejo em estudos recentes que pacientes mesmo não tendo passado em testes para o desmame principalmente no quadro de DPOC estão sendo extubado precocemente e estão tendo condições hemodinamicamente de auto controle e diminuindo seu tempo no VMI. Este assunto foi abordado pela Drª e Profª Carmen V. Barbas (SP)abç!

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