Exercícios direcionados nas complicações pós-operatórias de câncer de mama

O carcinoma mamário invasor é a segunda neoplasia mais incidente na população feminina do Brasil, com 41.610 casos novos diagnosticados e 9.335 óbitos em 20031. A imensa maioria das pacientes submete-se a abordagem cirúrgica da axila com finalidade prognostica e o pós-operatório pode levar a complicações como seroma, deiscência da ferida cirúrgica e linfedema precoce. Considerando a expectativa de sobrevida de 17,5 anos para essas mulheres e que o método gold-stantard para estadiamento da axila é o esvaziamento axilar, tornou-se fundamental o aprimoramento das técnicas de reabilitação para proporcionar uma adequada qualidade de vida física e mental. Os exercícios realizados nos programas de reabilitação física no pós-operatório de câncer de mama não seguem um guideline.

Muitas propostas de reabilitação foram desenvolvidas para minimizar as complicações pós-operatórias, como o volume de secreção drenada, a incidência de seroma, de deiscência da ferida cirúrgica e, a longo prazo, o desenvolvimento de linfedema crônico.

Alguns estudos discutem a associação entre a realização dos exercícios com as possíveis complicações do pós-operatório; entretanto na literatura há descrições sucintas e particularizadas sobre a maneira de realização dos exercícios.

A fisioterapia precoce tem como objetivos prevenir complicações, promover adequada recuperação funcional e, conseqüentemente, propiciar melhor qualidade de vida às mulheres submetidas à cirurgia para tratamento de câncer de mama. Entretanto, questiona-se qual a melhor maneira de realizar esses exercícios e qual a sua influência nas complicações pós-operatórias.

Os programas de reabilitação no pós-cirúrgico das pacientes submetidas à mastectomia ou a tratamento conservador com dissecção axilar são parcialmente descritos na literatura do ponto de vista da especificação dos exercícios realizados. Existem programas estruturados em contrações isométricas da musculatura do ombro, braço e mão, nos quais a paciente é instruída a levantar, com as mãos unidas, em flexão, abdução e rotação do ombro até o limite de dor; em outros em que a paciente é estimulada a realizar exercícios ativo-livres em todos os movimentos fisiológicos do ombro.

Há, também, terapias em que são indicados os exercícios como subir com os dedos pela parede até o limite máximo de flexão e abdução, pentear os cabelos, fazer roda de ombro e rotação do braço, entre outros. Existem propostas baseadas em alongamento e fortalecimento, com exercícios rítmicos de cabeça, pescoço, tronco, membros superiores e inferiores. Outros programas consistem de exercícios pendulares, exercícios de escalada do braço na parede e polias.

Wingate descreve o tratamento incluindo exercícios ativos-assistidos progredindo para exercícios ativo-resistidos, facilitação neuromuscular proprioceptiva e atividades funcionais, além de orientações para casa. Molinaro et al. defendem um protocolo de exercício baseado em movimentos naturais, acompanhados de música, para desenvolver flexibilidade, coordenação e amplitude de movimento do ombro.

No tratamento de câncer de mama existe um certo consenso no que diz respeito à cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia; no entanto, na reabilitação física não existem trials comparando e tentando padronizar os programas de exercícios. Diante de várias propostas, têm-se a necessidade de homogeneização dos protocolos, para que sua reprodutibilidade seja possível, dentro de um serviço com vários fisioterapeutas ou em outros serviços, para que o atendimento possa ser otimizado, além de permitir a comparação dos resultados obtidos.

Protocolo de exercícios direcionados

01 Alongamento da musculatura do pescoço
02 Elevação, rotação externa e interna dos ombros
03 Flexão e extensão dos cotovelos na posição neutra, à 90º e ADM máxima do ombro
04 Flexão e extensão dos ombros à ADM máxima acompanhado de exercícios metabólicos
05 Exercício ativo-assistido de flexão de ombro alcançando a cabeça
06 Rotação dos punhos em flexão e abdução do ombro
07 Flexão e extensão dos cotovelos em abdução do ombro
08 Abdução e adução do ombro com as mãos na região occiptal
09 Abdução do ombro com os cotovelos fletidos
10 Extensão dos ombros com o uso de um bastão
11 Flexão do cotovelo partindo da posição do exercício 10
12 Deslizamento diagonal com uma mão acima do ombro e a outra ao nível da cintura
13 Flexão e extensão do cotovelo em abdução dos ombros, Rotação interna e externa do ombro em abdução do ombro
14 Abdução dos ombros – exercício ativo livre
15 Exercício ativo-assistido de flexão do ombro mantido por 1 minuto
16 Abdução e adução do ombro com os cotovelos fletidos
17 Abdução do ombro - Alongamento mantido por 10 segundos
18 Abdução lateral do ombro - Alongamento mantido por 10 segundos
19 Diagonal funcional do ombro – combinação de flexão e abdução do ombro - Alongamento mantido por 10 segundos

*Os exercícios de 1 a 12 são realizados em ortostatismo
*Os exercícios de 13 a 16 são realizados em decúbito dorsal
* Os exercícios de 17 a 19 são realizados em decúbito lateral
*Todos os movimentos descritos são realizados 10 vezes
*Intervalo de 60 segundos entre um exercício e outro

Autores: LAURA FERREIRA DE REZENDE, PATRICIA ODILA BELETTI, RICARDO LAIER FRANCO, SIRLEI SIANI MORAES, MARIA SALETE COSTA GURGEL

1 Comentário:

Dri Viaro disse...

Bom dia, passei pra conhecer seu blog, e desejar-lhe boa quarta-feira.
bjss

aguardo sua visita :)

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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