Incontinência urinária masculina

No homem adulto, as causas mais importantes de incontinência urinária são as lesões iatrogênicas decorrentes de cirurgias prostáticas. Dentre as mais comuns, estão à ressecção transuretral da próstata (RTU), a prostatectomia aberta e a prostatectomia radical.

Existe uma grande discrepância na literatura sobre a incidência da incontinência pós-prostatectomia. Isto pode ser explicado pela definição e graduação diferente da incontinência, pelo tempo de seguimento e pelos métodos utilizados para avaliação do paciente.

Altas taxas de incontinência são detectadas (87%) quando se utiliza o estudo urodinâmico rigoroso em pacientes pós-prostatectomia radical.

A incontinência urinária por insuficiência esfincteriana pode ocorrer após as cirurgias prostáticas, em especial a prostatectomia radical, pois estas podem promover redução significativa do esfíncter urinário masculino.

A incidência de incontinência após 3 meses da prostatectomia radical varia de 17% até 54% e aos 6 meses, de 5% até 38%.

A maioria dos pacientes recupera a continência urinária espontaneamente nos primeiros 6 meses após a cirurgia. Uma parcela menor a recupera entre 6 meses e 12 meses e, após esse período, adicionalmente apenas 3% a readquirem.

De acordo com Sengler e Grosse, no pós-operatório, justifica-se um atendimento educativo e informativo. A reeducação propriamente dita deve começar entre 1 e 2 meses de pós-operatório.

Um estudo realizado por Chang et al. com 50 pacientes com diagnóstico de incontinência urinária pós-prostatectomia transuretral, avaliou os efeitos dos exercícios do assoalho pélvico que eram iniciados logo após a retirada do cateter de Foley. Os primeiros 25 homens formavam o grupo controle e os próximos 25 faziam parte do grupo que realizou tais exercícios. Na conclusão, os autores relataram que os exercícios do assoalho pélvico fornecem ajuda na redução da frequência da micção e melhoram os sintomas da perda urinária em homens, nas primeiras 4 semanas após a cirurgia. Essa melhora pode ser devida ao aumento da força das contrações dos músculos do assoalho pélvico.

Meaglia et al. realizaram estudo com 27 pacientes que apresentavam incontinência urinária entre 5 e 198 meses após prostatectomia radical, perineal ou prostatectomia transuretral. Durante o estudo que teve seguimento de 1 a 17 meses, foram avaliados 20 pacientes que realizaram exercícios perineais. A melhora no número de episódios de perda em todo grupo foi de 56,6%.Vinte cinco por cento pararam de utilizar fraldas e 2 pacientes se tornaram continentes. Esse trabalho mostrou que o treino comportamental com estimulação verbal para pacientes com incontinência persistente pode melhorar a continência.

Nos casos de insuficiência esfincteriana pura de grau leve pode-se utilizar o tratamento conservador, como proteção com absorventes, clampe peniano, eletroestimulação, exercícios de Kegel, biofeedback, e drogas alfa-agonistas. Na insuficiência esfincteriana pura de grau moderado ou nos casos em que o tratamento conservador falhou, podemos utilizar a injeção de substâncias periuretrais.

Na incontinência de etiologia mista (insuficiência esfincteriana associada a disfunção vesical), deve-se tentar corrigir primeiramente a disfunção vesical. Uma vez conseguida, passa-se à correção da insuficiência esfincteriana.

Considerando-se que não há unanimidade na literatura com relação ao tempo ideal de início da fisioterapia nos pacientes com incontinência urinária após as cirurgias prostáticas, este estudo se propôs a observar se um programa fisioterapêutico precoce, ou seja, com início nos primeiros seis meses de pós-operatório, poderia apresentar melhores resultados se comparado com outros pacientes que receberam o mesmo tipo de tratamento fisioterapêutico, mas com início mais tardio, isto é, após seis meses da cirurgia.

Autores: Carina Tárzia Kakihara, Ubirajara Ferreira,Nelson Rodrigues Netto Jr

1 Comentário:

Anônimo disse...

estou com mais de um ano nao obtive nenhum resultado tenho incontinencia sen controle e muito me incomoda faco exercio sempre e ja prdi a esperanca tenho 49 anos

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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