Paralisia cerebral e alterações motoras

Paralisia cerebral (PC), ou encefalopatia crônica não progressiva da infância (ECI), decorre de lesão comprometendo o sistema nervoso central na sua fase de maturação funcional e estrutural ocorrida nos períodos pré, peri e pós-natal, onde as causas mais prováveis citados na literatura são: genéticas, infecção intra-uterina, prematuridade, baixo peso ao nascimento, hipóxia e isquemia perinatal, sendo que diversos fatores de risco interagem, sugerindo que a paralisia cerebral seja consequência de um acometimento cerebral multifatorial não se encontrando uma causa específica.

Segundo Papasian & Afonso, as síndromes motoras mais frequentes na paralisia cerebral são: a tetraplegia ou tetraparesia espástica com predomínio em membros inferiores, a diplegia espástica e a hemiplegia ou hemiparesia espástica.

Podemos ainda encontrar outras formas de apresentação clínica tais como: hipotônica, atetóica, distônica e coreiforme, além da atáxica, que embora rara, surge após comprometimento cerebelar.

O quadro clínico da paralisia cerebral é caracterizado por uma disfunção predominantemente sensório-motora, com alterações do tônus muscular, da postura e da movimentação voluntária e movimentos involuntários, podendo ser ou não acompanhada por distúrbios na linguagem, visão, audição e mentais, além de epilepsia e hidrocefalia.

As alterações motoras presentes na criança com paralisia cerebral são resultante de lesão de estruturas supra segmentares que controlam a postura e os movimentos.

As estruturas mais afetadas são as sensitivo-motoras, nos neurônios da área periventricular, gânglios da base, núcleo rubro, substância negra, tronco cerebral e cerebelo. Estas lesões supra-segmentares produzem comprometimento na função dos motoneurônios inferiores do tronco cerebral e da medula espinhal que inervam os músculos estriados e músculos lisos. Com isto ocorrem alterações no controle do tônus e força muscular, com aparecimento de alterações do movimento, assim como persistência e aumento dos reflexos posturais primitivos, promovendo posturas e movimentos reflexos anormais.

A anormalidade do tônus muscular presente na paralisia cerebral favorece o surgimento de problemas relacionados à coordenação motora, já que o movimento visa em sua essência, à regulação do tempo de execução e a graduação de atividades exercidas por grupos musculares múltiplos. Este distúrbio na coordenação motora da paralisia cerebral resulta em ruptura na ativação, na sequência e na regulação do tempo, produzindo anormalidades no movimento funcional, e como consequência, influenciando nas alterações do equilíbrio dificultando o controle postural.

O principal objetivo da fisioterapia consiste em treinar estas crianças com paralisia cerebral que apresentam disfunção motora para a realização de atividades essenciais para sua vida diária.

Autores: Andréia Pedrosa Mota, João Santos Pereira

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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