Períneo e atividade física

Períneo vem do grego períneos, significa “o espaço entre o ânus e o escroto” é a região que recobre a abertura inferior da pelve, sendo este constituído por músculos, ligamentos e fáscias.

O assoalho pélvico é formado pelo peritônio parietal (uma membrana serosa que forra a parede abdominal e pélvica) e pelo diafragma da pelve (formado pelos músculos levantadores do ânus e coccígeos) que juntos, em forma de funil, fecham a abertura inferior da pelve e separam a cavidade pélvica do períneo.

Ortiz, Nunez e Ibanez afirmam que a função da musculatura do assoalho pélvico deve ser muito bem avaliada, pois existem fatores etipatogênicos como o parto transpélvico ou a diminuição dos níveis séricos de estrógeno, que podem conduzir alterações anatômicas associadas à disfunção deste grupo muscular.

Segundo Hall e Brody existem outros fatores que levam a disfunção do períneo como: bulimia acentuada com vômitos crônicos (elevando a pressão intra-abdominal), levantamentos incorretos de longa duração ou esforço com manobra de Valsava (também eleva a pressão intra-abdominal), constipação crônica, congestão ou tumefação pélvica, disfunções neurológicas que podem afetar os nervos centrais, menor percepção dos músculos do assoalho pélvico (levando a uma atrofia por desuso), cirurgia pélvica, episiotomia profunda ou laceração perineal com o trabalho de parto, história de fissuras ou fístulas no assoalho pélvico, e afecções inflamatórias pélvicas, tais como endometriose ou intestino irritável.

Ortiz et al. estabeleceram uma avaliação funcional (escala de Ortiz) para estudo clínico da musculatura do assoalho pélvico, demonstrando a importante correlação com a classificação anatômica. Esta avaliação é graduada de zero a cinco, assim sendo obtida a visualização da atividade contrátil da musculatura perineal e a sensibilidade à palpação digital da vagina. Assim a mulher é colocada em posição ginecológica e orientada a contrair os músculos do assoalho pélvico.

Segundo Ortiz et al. os graus de força muscular do períneo podem ser classificados da seguinte forma:

Grau 0 = sem função perineal objetiva, nem mesmo à palpação;
Grau 1 = função perineal objetiva ausente, reconhecida somente à palpação;
Grau 2 = função perineal objetiva débil, contração fraca à palpação;
Grau 3 = função perineal objetiva e resistência não opositora à palpação;
Grau 4 = função perineal objetiva e resistência opositora não mantida mais do que cinco segundos à palpação;
Grau 5 = função perineal objetiva e resistência opositora mantida mais do que cinco segundos à palpação.

Kegel descreveu um dispositivo pneumático, o Perineômetro, que ele usava para medir a pressão dentro da vagina, assim também motivando as mulheres a praticar exercícios para o assoalho pélvico. O aparelho trata-se de uma peça de borracha cheia de ar compressível (sensor), que deve ser inserida na vagina, e ligada por um tubo de borracha a um manômetro. Então a mulher é instruída a contrair o períneo, sendo anotado o maior valor na leitura do mostrador.

De acordo com Isherwood e Rane, os resultados obtidos com o perineômetro e avaliação funcional bidigital, tornam a avaliação da força muscular do períneo mais fidedigna, tanto nos aspectos de força como de resistência muscular, podendo assim um método reforçar o outro.

Bo, Talseth e Vinsnes realizaram um trabalho de exercícios para o assoalho pélvico, e tiveram como resultado a melhora na vida sexual dessas mulheres. Já Medeiros, Braz e Brongholi [9] também realizaram um trabalho de contração perineal, em mulheres orgásmicas e anorgásmicas, tendo como resultado que as anorgásmicas conheceram o orgasmo, e as orgásmicas melhoraram significantemente o prazer sexual, porém foi possível constar que a disfunção sexual das mulheres tratadas não estava relacionada com a falta de força perineal, pois elas não obtiveram aumento significativo de força, mas obteve maior consciência corporal do local. Portanto com a melhora da consciência corporal, as mulheres tiveram melhora da sua vida sexual.

Em situações normais de esforços menos intensos, o diafragma demonstra uma atividade reflexiva, assim a atividade abdominal excessiva conduz ao aumento da pressão intra-abdominal, causando tensão anormal nas paredes vaginais.

Durante os esforços intensos em atividade de alto impacto os ligamentos não podem sustentar a mesma durante longos períodos. Sugerindo-se que os ligamentos, tecido conjuntivo e os músculos do assoalho pélvico são prejudicados pelo aumento da pressão intra-abdominal.

As atividades físicas devem ser classificadas de acordo com o grau de risco que podem causar enfraquecimento no assoalho pélvico, o grupo de risco grave estaria composto por atletismo, ginástica, artes marciais, musculação e hipismo; o grupo de risco moderado seriam, tênis, patinação e dança; e para finalizar, o grupo de mínimo risco, caminhada, ciclismo e o remo.

Segundo Appell, Bourcier e Torre, os movimentos de alto impacto resultam em forças de impacto até três ou quatro vezes o peso corporal de uma pessoa. A prática do esporte vai impor um aumento da pressão intra-abdominal, que deve ser compensada por um apoio do assoalho pélvico igualmente mais alto.

Autores: Selma Regiane de Moraes Lamim, Maíra Ferreira dos Santos, Michele Marques da Silva, Adriana Lyvio Rotta, Marcos Antonio Pudo

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