Síndrome neuroléptica maligna (SNM)

Embora não exista definição universalmente aceita para ela, a SNM pode ser caracterizada por: hiperpirexia, alteração do nível de consciência, hipertonia, disfunção autonômica e
insuficiência respiratória, podendo ainda ser encontrados rabdomiólise e leucocitose. Outra característica é a hipertermia que é a temperatura corporal central acima de 40.0°C4.
Sendo assim, a síndrome é caracterizada por confusão mental, rigidez muscular, diaforese e hipertermia em pacientes recebendo potentes drogas antipsicóticas. Pode ocorrer após uma dose inicial ou durante o tratamento regular. Seu mecanismo parece estar relacionado com bloqueio de dopamina em SNC.

Dentre os efeitos colaterais dos neurolépticos, a síndrome neuroléptica maligna (SNM) é a mais grave por ser potencialmente fatal. Dada sua rápida instalação e rápida progressão exigindo uma pronta intervenção são necessárias saber prever tanto quanto possível sua manifestação.

As manifestações clínicas da SNM abrangem largo espectro. O quadro mais típico é de alteração do estado mental e rigidez muscular precedendo ou acompanhado de febre. De acordo com Lavie, Olmsted, Ventura e Lepler em revisão de 55 casos de SNM, encontraram febre em 100% dos casos, rigidez em 91%, taquicardia em 85%, alteração do estado mental em 76%, entre outras. Os mesmos autores relatam aumento de CPK em 92% dos casos e leucocitose em 90%8. Há um alerta para o fato da má interpretação de dosagem de CPK elevada, ressaltando a possibilidade de ocorrência de tal fato pelo mero uso de neuroléptico via intramuscular ou por quadro de agitação, sendo a elevação desta enzima um fenômeno inespecífico.

No diagnóstico diferencial da SNM várias situações clínicas devem ser consideradas, sendo diagnóstico de exclusão em pacientes com alteração do estado mental, febre e hipertonia. Infecções causando exacerbação de sinais extrapiramidais pré-existentes e diminuição de nível de consciência podem erroneamente ser interpretados como SNM. Pneumonia seguida de reação distônica generaliza é, sem dúvida, o principal diagnóstico diferencial da SNM. Síndrome de abstinência como delirium tremens e interações medicamentosas também devem ser excluídas. Uma síndrome semelhante em pacientes psicóticos não tratados, conhecida como catatonia letal, caracterizada por uma fase prodrômica de mania, anorexia, comportamento destrutivo seguido de catatonia, febre e instabilidade autonômica pode simular SNM.

O prognóstico da SNM depende fundamentalmente da precocidade do diagnóstico e do tratamento instituído11. A mortalidade da síndrome varia de 9 a 30%. Lavie, Olmsted, Ventura e Lepler em revisão da literatura inglesa encontraram mortalidade de 9% atribuindo este menor índice em parte ao diagnóstico precoce da entidade. Kellam relata que o pico de temperatura permanece associado ao da sobrevida; todos os 38 pacientes com temperaturas entre 37,5 e 37,9º C sobreviveram; entre 38 e 38,9ºC, 6 pacientes de 92 morreram; entre 39 e 39,9º C, 10 de 85 morreram; entre 40 e 40,9º C, 18 de 79 morreram; entre 41 e 41,9º C 17 de 55 faleceram e finalmente acima de 42º C 14 pacientes morreram dentre os 25 revisados.

O nível de consciência altera-se, variando de agitação e mutismo alerta para estupor e até coma. Também ocorre instabilidade autonômica, com respostas alternadas simpáticas
(taquicardia, hipertensão) e parassimpáticos (bradicardia, incontinência fecal e urinária). A taquicardia e as arritmias podem levar a colapso cardíaco. Ocorre, geralmente, até 2 semanas após início ou aumento da dose de antipsicótico, progride rapidamente levando a uma taxa de mortalidade de 21% quando não tratada.

A eletroconvulsoterapia surge como alternativa de tratamento da SNM, porém, de acordo com Ballone, a eletroconvulsoterapia é o método mais controverso e polêmico da psiquiatria. Sua própria natureza, seu histórico de abuso, as apresentações desfavoráveis da mídia, testemunhos de pacientes que se julgaram lesados, a atenção especial do sistema legal e a opinião leiga tão convincente quanto desinformada, contribuíram para o contexto extremamente controverso da Eletroconvulsoterapia.

Na psiquiatria, o choque aplicado nas têmporas é criticado e condenado não apenas pela mídia e, conseqüente e inevitavelmente pela sociedade, mas, inclusive, por pessoas ligadas à área de saúde mental.

Ainda de acordo com Ballone, é, sobretudo, indispensável combater a desinformação em relação a ECT, assim como, depurar das opiniões sobre o tema, as simpatias mais apaixonadas, como pode acontecer em relação à psiquiatria eminentemente biológica, psicológica, farmacológica, alternativa e outras. O que se deve fazer é uma avaliação a mais científica e estatística possível.

Além dos efeitos adversos dos neurolépticos tradicionais sobre o Sistema Nervoso Central, são observados reflexos de sua utilização a nível sistêmico. São seis as principais ocorrências: efeitos autonômicos, cardiovasculares, endocrinológicos, gastrintestinais, oftalmológicos, dermatológicos.

Autores: Gleisson Ribeiro Dutra, Luciano Moreira Rocha e Marcelo Henrique Oliveira Ferreira

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