Cefaléia cervical

Definição

Cefaléia significa "dor de cabeça", sendo uma sensação dolorosa percebida pelo paciente numa região que vai dos supercílios até a base de implantação dos cabelos na nuca.

As cefaléias podem ser classificadas em primárias, quando não está presente nenhuma outra doença subjacente, e secundárias, quando a dor existe como sintoma de outra condição. O diagnóstico das cefaléias é baseado na anamnese.

As cefaléias ao contrário do que comumente se acreditam, também podem ser originadas por distúrbios localizados fora do crânio, como sendo resultante do espasmo muscular. Estas alterações são captadas pelas terminações nervosas livres e levadas por via aferente até o corno posterior da medula. Estas dores causadas pelo falta de oxigenação do músculo que trabalha no sistema anaeróbico lático, interfere também na função da microcirculação e são tão intensas quanto às causadas pelos distúrbios intracranianos

As diferentes posturas podem ser causa da tensão excessiva no pescoço que se transforma em dor de cabeça. A posição bípede causa conseqüências, que vão desde afecções dolorosas até deformidades, como causa de uma perturbação do equilíbrio do corpo em relação corpo e plano de apoio, podendo causar patologias, e até associação de patologias.

A cefaléia resultante de lesões na coluna cervical é um tema pouco pesquisado e recente, reconhecida na literatura médica no inicio deste século. Após uma analise detalhada da cefaléia cervical verificou que existem três conhecidas causas.

Principais causas de cefaléias cervicais

Artrite Atlanto-axial

Tanto os tipos inflamatórios de artrite quanto degenerativos podem comprometer a região superior da coluna cervical e, assim, são capazes de produzir cefaléia. A artrite das articulações atlanto-occipitais ou atlantoaxiais pode atingir pacientes com artrite reumatóide ou espondiloartrite, e a osteoartrite pode comprometer as articulações laterais.

Os eventos inflamatórios produzidos pela artrite reumatóide, ocasionam alterações erosivas, levando à atenuação e afrouxamento do ligamento transverso, o que produz subluxação anterior da articulação atlanto-axial.

O diagnóstico de artrite é confirmado por radiografias adequadas da região atlanto-axial.

Neuropatia por compressão

A neuropatia por compressão que compromete os nervos occipitais está bem descrita. O nervo occipital maior é a ramificação medial primário posterior de C2. Ele pode ser comprimido, pois passa pelo músculo semi-espinhal da cabeça ou pelo trapézio, a cerca de 1 cm da linha medial. A seguir cruza a linha nucal com a artéria occipital e se distribui no couro cabeludo até a região frontal.

A causa de compressão do nervo occipital é, com freqüência, pós-traumática, mas também pode surgir sem história de trauma, presumivelmente devido à compressão durante sua passagem através dos músculos do pescoço.

A cefaléia resultante de neuropatia por compressão pode ser intensa e intermitente e quase sempre é descrita como uma dor que queima, pulsa ou perfura, irradiando-se do pescoço para a cabeça. Ocorre mais à noite, e pode estar associada à hiperalgia ou parestesias do couro cabeludo.

Os sintomas freqüentemente podem ser reproduzidos por pressão direta sobre o nervo, distalmente à linha nucal, ou pela postura da cabeça. Também é possível demonstrar distúrbios sensoriais do couro cabeludo.

Lesões musculotendineas

As lesões do ligamento musculotendíneo dos músculos cervicais com a linha nucal do crânio também podem provocar cefaléia. Uma das três causas seguintes pode estar presente:

Alteração da postura do paciente, que pode ser, ela mesma, resultado de lesão de hipomobilidade subjacente ou de espondilose cervical.

Estado de tensão, produzindo tensão muscular nos músculos do pescoço. A contração em longo prazo do músculo esquelético da coluna cervical, da face e do couro cabeludo, pode causar assim as chamadas cefaléias de tensão.

Os pacientes com essa causa podem queixar-se de dor no pescoço ou apenas na cabeça, mas via de regra, queixam-se de ambas simultaneamente.

Às vezes, a tendinite pode ser o único achado clinico, sem qualquer evidência dessas condições associadas.

A tendinite nessa área é evidenciada por hipersensibilidade à palpação. Os músculos do pescoço devem ser contraídos isometricamente para determinar se a dor é produzida, e a infiltração da área com anestésico local deve aliviar os sintomas do paciente, pelo menos temporariamente.

Espondilose cervical - a cefaléia resultante de espondilose cervical, causada por alterações degenerativas nos discos, vértebras e articulações apofisárias que levam a excrescências osteofiticas que reduzem o tamanho do forame intervertebral, e assim, podem comprometer as raizes nervosas.

É geralmente occipital e unilateral. Diz-se frequentemente que começa na nuca, se distribui para a região occipital e muitas vezes para a fronte e o olho. A dor é geralmente caracterizada como aborrecida e cansativa, ao invés de dor pulsátil ou explosiva, tão frequentemente alegada em cefaléias de origem vasculares ou cefaléias de pressão intracraniana aumentada.

Muitas vezes, existe relação com a postura e agravação por movimentos ativos e passivos da nuca.

Lesão de hipomobilidade da coluna superior - nesta afecção é a restrição da amplitude de movimentos intervertebrais passivos em uma ou mais das três vértebras cervicais superiores. Essa restrição pode atingir rotação, flexão, extensão ou inclinação lateral e geralmente está associada a espasmo e hipersensibilidade dos músculos cervicais superiores.

Todas as lesões à coluna cervical causam espasmo, lesão ou inflamação dos músculos eretores da espinha, bem como a conexão miofascial ao periósteo craniano. As raízes nervosas podem muito bem ser encarceradas no interior destes tecidos irritados. Isto esclareceria o beneficio derivado de calor, massagem tração, manipulação ou injeção nos tecidos incriminados.

A cefaléia irradiada das áreas cervicais inferiores, isto é, terceira, quarta e quinta vértebras cervicais, podem ser presumidas como se originando a partir das articulações posteriores (facetas) que irritam a divisão primária posterior, cuja distribuição final é para o occipital.

Áreas-gatilho nos músculos esternocleidomastóideo, esplênio, temporal, masseter ou trapézio podem irradiar a dor para áreas occipitais.

Sinais e Sintomas

Trata-se de uma manifestação clínica que se caracteriza por dor nos olhos (principalmente no fundo do olho), dor na nuca, na fronte, cansaço, enrijecimento nos ombros, tonturas e náuseas relacionadas á posição do pescoço (coluna cervical), déficit de movimento cervical ou torcicolos. Os sintomas podem se manifestar em conjunto, parcial ou isoladamente.
Geralmente está presente à dor na nuca. A dor, geralmente descrita como surda e persistente ou como sensação dolorida, é pior pela manhã, ao levantar, ou imediatamente após a primeira elevação da cabeça. Quando intensa, a dor, pode ser sentida também durante a noite, impedindo que o paciente mantenha a cabeça no travesseiro. A cefaléia geralmente melhora à medida que o dia passa, mas pode piorar com os movimentos bruscos ou não da cabeça e do pescoço.

Além da cefaléia e da dor no pescoço, outros sintomas podem estar presentes como resultado de lesão na coluna cervical. São eles vertigens, sintomas vagos, como indisposição geral, náusea, depressão ou sentimento de incerteza.

As crises álgicas podem ter duração de horas ou dias e estão relacionadas á tensão emocional variando conforme o "estado emocional da pessoa". Sua relação situa-se na manifestação inflamatória das raízes altas cervicais.
Incide com maior freqüência no desempenho de funções sentadas tais como digitação, dirigir automóveis, telefonistas, dentre outras. Sempre se manifestando em períodos de maior tensão emocional.

Diagnóstico

O diagnóstico correto da cefaléia originaria da coluna cervical pode ser feito em bases clinicas. As indicações provêem da historia do paciente e da descrição das características da cefaléia. Outros sintomas devem ser procurados, incluindo relações e influencia da postura e movimentos do pescoço, presença de rigidez no pescoço e influencia da vibração como a provocada por anda em veiculo automotivo. A historia de trauma no pescoço também deve ser levantada.

Os movimentos articulares passivos são testados, prestando-se especial atenção aos movimentos passivos na articulação intervertebral da região superior da coluna cervical. A lesão de hipomobilidade nessa área pode ser demonstrada pela restrição dolorosa desses movimentos, com reprodução da dor e da hipersensibilidade na articulação do lado da cefaléia. A palpação dos ligamentos dos músculos cervicais na linha nucal deve ser cuidadosamente realizada, com o pescoço do paciente relaxado. Freqüentemente isso é conseguido com mais facilidade fazendo-se o paciente sentar-se com a cabeça flexionada e apoiada nos braços, que são colocados sobre uma mesa. Em pacientes com neuropatia por compressão, a compressão do nervo occipital sobre a linha nucal deve produzir dor.

Um exame geral completo deve ser realizado, alem de radiografias da cabeça e do pescoço, hemograma completo e velocidade de hemossedimentação rotineira.

Características Semiológicas

Os seguintes itens fazem parte da anamnese nas cefaléias:

1) localização;
2) duração;
3) freqüência;
4) irradiação;
5) qualidade e caráter;
6) sintomas associados;
7) fatores predisponentes, agravantes e de alívio, incluindo medicamentos;
8) história pregressa, pessoal e familiar.

Ao exame físico, além do exame neurológico:

1) inspeção da cabeça e pescoço;
2) palpação dos músculos cervicais e cranianos e das artérias carótidas, temporais e seus ramos; 3) palpação dos nervos occipitais maiores, supra e infra-orbitários e das raízes cervicais;
4) exame das articulações têmporo-mandibulares;
5) pesquisa de anormalidades da sudorese, das pupilas e outras alterações autonômicas na cabeça e no tronco.

Testes Físicos

O teste físico será de extrema importância, os principais realizados são:

Teste de Valsava, que terá como objetivo localizar o local onde ocorre uma maior compressão intradiscal;

Teste de compressão e descompressão, este quando positivo cursará com dor aguda e observaremos o local exato da diminuição do espaço articular;

Teste da campainha, que irá ratificar o local lesionado;

Teste de Romberg Simples e Sensibilizado, onde poderemos observar o desequilíbrio estático do paciente e desconfiar de labirintite ou compressão vértebro-basilar;

Teste de Adson, onde ficaria evidente o comprometimento da artéria subclávia.

Os testes físicos não devem se deter apenas na região cervical, tendo em vista que muitas vezes a cervical é a área hipermóvel, sendo a região torácica a de hipomobilidade. Confirmando então que o quadro álgico pode não está no local da lesão.

Tratamento

As técnicas de tratamento fisioterapêutico terão como objetivo quebrar o ciclo de dor e tensão muscular usando técnicas fisioterápicas, massagem e exercícios isométricos breves para aumentar a circulação local.

Avaliar a flexibilidade e força dos músculos na região cervical, torácica alta e cintura escapular, e elaborar um programa de exercícios para recuperar o equilíbrio entre comprimento e força no preparo para correção e treino da postura.

Orientar o paciente sobre as técnicas próprias para aliviar ou tratar a fonte de irritação; pois se existe má postura, ensine correção postural e meios para manejar a postura; se a pessoa está em uma situação produtora de tensão, ensine algumas técnicas de relaxamento, técnicas de amplitude de movimentos e isométricos, e mecânica de coluna apropriada.

O tratamento das cefaléias de origem cervical varia também de acordo com a lesão subjacente do pescoço.

As lesões de hipomobilidade na região superior da coluna cervical respondem bem à mobilização e, ocasionalmente, às técnicas de manipulação; um alivio substancial pode ser esperado depois de poucas sessões de tratamento, mesmo quando os sintomas estão presentes há bastante tempo. A tração pode ser necessária nos pacientes que não respondem. O alivio da dor também pode ser obtido com o uso de colares, principalmente à noite, para aliviar a dor matinal típica. Os exercícios não desempenham nenhum papel no tratamento da cefaléia propriamente dita, mas os exercícios isométricos podem ser realizados depois das técnicas de terapia manual.

Em pacientes com cefaléia associada a artrite das articulações cervicais superiores, a conduta deve ser o uso de colar e um tratamento médico geral. Ocasionalmente, esses indivíduos podem beneficiar-se com injeções de anestésico local e corticosteróide na região dolorosa, e a cefaléia pode ser aliviada com a cirurgia. A tração e os exercícios são
contra-indicados.

As cefaléias provocadas por neuropatia de compressão do nervo occipital devem ser tratadas, num primeiro momento, com repouso, colar e injeções ao longo do curso da compressão do nervo nos músculos cervicais superiores. Às vezes, as técnicas de mobilização podem ajudar a obter alivio temporário.

Entretanto, se essas medidas não tiverem êxito ou se o problema for recorrente, a cirurgia com divisão dos nervos é indicada.

Nos pacientes com lesões da inserção, o melhor tratamento é a injeção de anestésico local e corticosteróide na região dolorosa; podem ser repetidas periodicamente, conforme necessário. As técnicas de terapia manual são indicadas nos casos em que há lesões associadas que provocam hipomobilidade da coluna cervical e podem ser combinadas com injeções. Ás vezes é necessário o uso de colar para aliviar a dor.

7 Comentários:

Beth disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Beth disse...

*sinto

Beth disse...

Olá,Bom dia! Tenho 17 anos, quando eu vou deitar eu sinto dores na area da sentura, tipo um vacoo, e de uns meses pra casa tenho sentindo muiita dor de cabeça, como os sintumas descrito a cima, dores terriveis, tinha vezes que ate a luz mim incomodava, quando eu era mais nova dei um mal jeito no pescoço so que o medico so passou remedio, depois desse dia toda vez que coloco minha cabeça para traz ela doi muiito,queria saber se isso estar relacionado sobre esse assunto, pq minahs dores de cabeça ta ficando frente(era era eu ter dor de cabeça mais de uns tempo pra cá começei a ter e muiito forte)dor na frete da cabeça, uma dor nos olhos terrivel, perto da area do ouvido, eu queria uma opniao sobre isso, a e eu trabalho digitado tem isso tbm,Espero que alguem mim ajude, muiito obrigada

Anônimo disse...

Acabei de ler o artigo de vocês! E me identifiquei em várias situações e gostaria de tirar uma dúvida: Tenho vários dos sintomas citados e vou colocar aparelho ortodontico para correção da mordida. Mas desde que comecei a sentir essas dores e tonturas passei a ficar com medo de sair e fazer coisas normais. Tenho medo de passar mal na rua, pois fico mto tonto, parece até sindrome do pânico. Isso é normal? Tenho muita dor de cabeça, sensação de garganta inflamada, vertigens e tensão nos ombros... Obrigado!

Glauber Evil Sense disse...

Ola td bem, gostaria que ao postar meu relato resumido possa de alguma forma, pois completamente desesperado...ha 1 acordo com a cabeça pesada nuca tensionada, e uma forte sensação de agonia nos muculos especificamente das coxas e dos músculos do braço, o incomodo é somente na parte traseira da cabeça (metade nuca metade cabeça, todos esses sintomas começaram juntos progressivamente porem em quase um ano não resolvido nunca evoluíram...Neste um ano passei por diversos neurologistas e outros especialistas e eles alegam eu possuir um quadro depressivo, e 2 deles que eu tinha aumento da pressão intra craniana..(resumindo..) eu ja fiz fisioterapia acumpultura pilates, e usei diversos medicamentos ant depressivos e por fim coloquei uma válvula (DVP), e até hj meus sintomas são os mesmos..estou a procura de outras alternativas, métodos e profissionais, estou completamente desesperado pois minha vida estacionou por conta disso alguém ai pode me ajudar?

kuruka disse...

bom dia , sinto uma dor crônica atras o pescoço bem na região onde a coluna se atricula com o cranio. Doi ao fazer o movimento de olhar para cima e depois olhar para baixo articulando o pescoço.Passei a sentir essa dor há algum tempo atras quando pedalava de mountainbike, mas já faz uns 3 anos que não pedalo e continuo sentir essa dor. ela vem , tomo um analgésico e anti-inflamatório sedilax e ela passa. Pode ser uma cefaleia cervical? qual o melhor profissional que devo procurar? há algum especialista nisso? obrigado.

Felipe Gomes disse...

Olá, me chamo filipe, tenho 21 anos. Todas as vezes em que Uso óculos sinto dores iniciais na nuca, após o desconforto removo os oculos e a dor de cabeça vem surgindo mesmo se eu coloca-los novamente. a dor se inicia bem aguda na nuca, depois em cima do olho direito e em toda lateral direita da cabeça. Dói de mais, e convivo com isso a mais ou menos uns 2 anos. Alguem consegue me ajudar? se eu não usar os óculos as dores de cabeça acontecem com menos frequencia, porem como trabalho com computador, fico muito tonto sem os óculos.

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