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Cinesioterapia respiratória

Os recursos manuais da fisioterapia respiratória compõem um grupo de técnicas de exercícios manuais específicos que visam à prevenção, no intuito de evitar a complicação de um quadro de pneumopatia instalado, á melhora ou reabilitação de uma disfunção toracopulmonar e ao treinamento e recondicionamento físico das condições respiratórias de um pneumopata. Visam também ao condicionamento físico e respiratório a educação de um individuo sadio normal, como respirar corretamente, como forma de prevenção no intuito de evitar que uma disfunção respiratória ou uma disfunção se instale.

Tais recursos são geralmente empregados no tórax de indivíduos acometidos de pneumopatias ou após cirurgias de tórax ou de abdômen, especialmente nos casos em que o individuo apresenta dificuldade de auto eliminação de secreção das vias aéreas inferiores, bem como nas dificuldades de uma ventilação pulmonar adequada ou suficiente para suprir o consumo de oxigênio no organismo.

O tratamento apropriado do paciente com problemas pulmonares requer o conhecimento do distúrbio fisiológico presente e da eficácia de um dado tratamento dentro do contexto daquele problema. Historicamente, os efeitos de diversas medidas terapêuticas não estavam validados por rigorosa avaliação cientifica. Consequentemente os fisioterapeutas devem estar preparados para aperfeiçoar suas idéias com o influxo continuo de novas informações.

A fisioterapia tem um importante papel na manutenção das vias aéreas e pulmões desobstruídos, principalmente, quando patologias de gênese hipersecretiva estão envolvidas ou quando disfunções neuromusculares tornam a tosse ineficaz. As técnicas desobstrutivas também fazem parte dos programas pré e pós - operatórios de cirurgias cardíacas, torácicas e abdominais com objetivo profilático contra pneumonias e atelectasias.

Técnicas de Desobstrução Brônquica

Tapotagem ou percussões

A percussão, durante a expiração, 5 Hz de freqüência, promovendo ondas de energia cinética, transmitidas através das vias respiratórias, deslocam as secreções da arvore brônquica e as mobilizam das regiões periféricas para as centrais. Há controvérsia na aplicação das técnicas, segundo a sua freqüência de execução e a sua associação a outras técnicas o tempo estimado é de (240 ciclos/minuto) sendo continuo.
A tapotagem consiste em percutir com as mãos em concha ou em ventosa, as regiões torácicas relacionadas com as áreas pulmonares em que haja secreção, respeitando as regiões dolorosas.



Contra indicação: Aplicação direto a pele, paciente apresentando ruídos sibilares exacerbados, dispnéia, crise asmática, edema agudo do pulmão, pós cirúrgicos em menos de uma hora de refeição fraturas de costelas, cardiopatas graves.

Vibração e Vibrocompressão

São contrações isométricas repetidas do ombro e cotovelo realizada sobre a parede do tórax, durante a fase expiratória, em uma freqüência de 12 a 16 Hz, podendo ser associado à compressão.
È realizada com as mãos espalmadas, acopladas e com certa pressão no tórax do paciente, o punho e o cotovelo de quem aplica deverão permanecer imóveis impulsionando os movimentos vibratórios (tremor energético) com um trabalho mecânico proveniente da musculatura do braço e do ombro, deixando os demais grupos musculares do membro superiores contraídos isometricamente e as articulações do punho e do cotovelo imóveis.



Percussão Cubital

Com os mesmos objetivos da tapotagem a percussão cubital consiste em percutir o tórax mediante o movimento de desvio ulnar com uma das mãos semi fechadas, mais precisamente com o lado hipotênar sobre a outra mão ou os dedos da outra mão, que esta em concha e permanentemente acoplada ao tórax do paciente, neste caso a percussão cubital será indireta, podendo também ser realizada diretamente sobre o tórax do paciente, esta ultima é menos empregada pelo desconforto do paciente.
A principal diferença entre a percussão cubital e a tapotagem é que o movimento de “resvalo torácico” na pressão cubital é menos vibrátil, podendo ser mais bem empregada nos casos em que a tapotagem causa dor. Por outro lado, a percussão cubital embora menos vibrátil, por tratar-se de um movimento brusco proporciona maior estimulo a tosse.



Drenagem Postural

A drenagem postural pode ser considerada uma técnica respiratória, que tem como objetivo drenar secreção pulmonar da arvore brônquica, por esse motivo, ás vezes recebe a denominação de drenagem brônquica ou drenagem postural broncoseletiva. Sua principal fundamentação é o uso da ação da gravidade. Neste sentido, ao reportamo-nos a anatomia da arvore brônquica, notamos que esta tem a configuração de uma arvore em posição invertida. Isto é, com os troncos para cima e os galhos de folhas para baixo.
Considerando que a uma tendência natural de acumular secreções nas áreas mais distais da arvore brônquica, pelo próprio efeito gravitacional o drenagem empregar o posicionamento invertido ( decúbito com o quadril mais elevado que os ombros), no intuito de favorecer o acesso da secreção pulmonar a um trajeto mais superior na arvore brônquica e , consequentemente, sua eliminação.
Embora existam áreas localizadas na região superiores dos pulmões, há maior tendência de acumulo de secreção nas vias aéreas mais inferiores. É por isso q nos procedimentos de drenagem o paciente é posicionado de forma que seu tronco fique mais inferior que o quadril. Drenagem por segmentos do pulmão.








Drenagem autogênica

Dab e Alexander introduziram a drenagem autogênica da seguinte forma:

1.O paciente esta sentado ereto
2.O paciente respira profundamente a um ritmo normal ou relativamente lento.
3.As secreções nas vias aéreas se deslocaram para proximalmente para como resultado do padrão respiratório.
4.A medida que as secreções se deslocarem para a traquéia elas são expelidas com uma tosse suave ou expiração levemente forçada.
Objetivos: melhorar a ventilação e deslocação do muco.

Técnica expiratória forçada ou Huff

A técnica expiratória forçada foi popularizada por fisioterapeutas do Hospital Bromptom em Londres. Pryor et al. Começaram a empregar a TEF ao final da década de 1970 e nos anos de 1980.
A técnica de expiração forçada consiste de um ou dois huffs ( expirações forçadas, de volume pulmonar médio a baixo, seguidas de um período de respiração diafragmática controlada e relaxada. As secreções brônquicas mobilizadas para as vias aéreas superiores são ,então, expectoradas, e o processo é repetido até que se obtenha limpeza brônquica máxima. O paciente pode reforçar a expiração forçada pela autocompressão da parede torácica com um rápido movimento de adução dos braços.

Tosse

A tosse reflexa tem quatro fases: irritação, inpiração, compressão e expulsão. A tosse voluntária não requer a primeira fase. Para ser eficaz qualquer uma delas deve gerar força suficiente para mobilizar as secreções da primeira a sétima geração de brônquios.
Tipos de tosse:

1.Espontânea
2.Assistida ou auto- assistida
3.Fragmentada
4.Estimulada ( pressão na traquéia – fúrcula)

Aceleração do fluxo expiratório ou pressão expiratória

A pressão expiratória recebe diferentes nomes, conforme o uso e os hábitos dos profissionais que a empregam no dia-a-dia da fisioterapia expiratória, assim sendo é também denominada tensão expiratória manual ou terapia expiratória por pressão ou terapia manual por pressão, além de outras possíveis denominações não constantes na referencias bibliográficas até então não consultadas.
A pressão expiratória consiste em deprimir passivamente o gradil costal do paciente, além daquilo que ele consegue realizar ativamente, durante uma expiração normal ou forçada, pode ser feita com o paciente me decúbito supino ou decúbito lateral em decúbito supino o terapeuta coloca as mãos sobre as regiões paraesternais do paciente acompanhando o movimento torácico na fase expiratória, aplicando também uma pressão no final da expiração prolongando ainda mais esta fase, aplicando essa pressão nos sentidos para baixo (crânio-caudal) e para fora (latero-lateral). Em decúbito lateral a pressão é feita no mesmo sentido com apenas uma das mãos enquanto a outra devera dar fixação à região torácica posterior auxiliando a compressão e protegendo as articulações costovertebrais.
A pressão expiratória é realizada com as mãos abertas, dedos aduzidos ao máximo, punhos e cotovelos fixos e a pressão exercida é quase todo proveniente do ombro. A pressão deve ser continua, devendo, no fim, haver uma leve vibração para maior relaxamento do tórax do paciente, proporcionando melhor alavanca para quem aplica o que torna a manobra mais eficiente.
O objetivo principal da manobra é desinsuflar o tórax e os pulmões, diminuindo o espaço morte e residual e aumentando o volume de ar corrente. Possibilitando a maior ventilação pulmonar que por sua vez ira oxigenar melhor o sangue. Outro objetivo é melhorar a mobilidade da caixa torácica. Cabe lembrar ainda que a pressão expiratória poderá, na sua fase final, estimular a tosse e, quando a presença de acumulo de secreção nos pulmões do paciente será também estimulada a expectoração.


Shaking

É uma técnica que é realizada com varias compressões acompanhando a expiração com o objetivo de aumentar o fluxo aéreo para deslocar o muco.

Exercícios respiratórios diafragmáticos

O diafragma é o principal músculo da inspiração. Historicamente quando outros músculos que não o diafragma assumiam um papel na inspiração, os esforços terapêuticos eram voltados para a restauração de um padrão respiratório diafragmático mais normal. O retorno respiratório para respiração diagramática era visto como o alivio da dispnéia.

A seguir os passos para ensinar exercícios respiratórios diafragmáticos.

1.Coloque a mão dominante do paciente sobre a região media do reto abdominal.
2.Coloque a mão não dominante sobre a região esternal media.
3.Oriente o paciente a inspirar lentamente pelo nariz.
4.Oriente o paciente a observar a mão dominante.
5.Incentive o paciente a direcionar o ar de modo que a mão dominante se leve gradualmente durante a inspiração.
6.Alerte o paciente a evitar movimentos excessivos sob a mão não-dominante.
7.Aplique firme pressão sobre a mão sobre a mão dominante do paciente imediatamente antes de orientá-lo a inspirar.
8.Oriente o paciente a inspirar a media que você diminuir a pressão durante a inspiração.
9.Pratique os exercícios até que o paciente não necessite mais da assistência manual do terapeuta para realizá-lo corretamente.
10.Aumente o nível de dificuldade, removendo essencialmente os estímulos auditivos, visuais e táteis, progrida o exercício, praticando o exercício na posição sentado em pé e andando.

Os exercícios diafragmáticos são aplicados para eliminar o uso de musculatura acessória, aumentar a ventilação do individuo, melhora a oxigenação, redução do índice de complicações pulmonares pós-operatórias.


Exercícios respiratórios com os lábios franzidos ou freno labial

A respiração com lábio franzidos é outro método sugerido para melhorar a ventilação e a oxigenação. Essa estratégia respiratória, usada espontaneamente por pacientes com doença obstrutiva crônica, foi recomendada pela primeira vez para o uso terapêutico nos estados unidos por volta de 1935.

A seguir os passos para o método de respiração com os lábios franzidos.

1.Posicione o paciente confortavelmente.
2.Analise os objetivos do exercício: alivio da dispnéia ou aumento da ventilação.
3.Explique que os benefícios da técnica varia entre os indivíduos.
4.Explique que a contração abdominal é indesejada.
5.Coloque sua mão sobre o reto abdominal para detectar atividade durante a expiração.
6.Oriente o paciente a inspirar lentamente.
7.Oriente o paciente a franzir os lábios antes de expirar.
8.Instrua os paciente a soltar o ar entre os lábios franzidos e evitar a contração abdominal.
9.Oriente o paciente a parar de expirar quando for detectada atividade de contração abdominal.
10.Aumente a intensidade do exercício substituindo sua mão pela do paciente, removendo estímulos táteis e levando o paciente a fazer o exercício em pé e durante outros exercícios.

Objetivos terapêuticos: Aliviar a dispnéia, Reduzir o trabalho da respiração, Reduzir a incidência de complicações pulmonares desinsuflação pulmonar.

Objetivos fisiológicos: Melhorar a ventilação e Melhorar a oxigenação.

Possíveis resultados: Eliminação da atividade da musculatura acessória, diminuição da freqüência respiratória, aumento do volume corrente, melhora da distribuição da ventilação.

Obs: Freno labial ajuda os pacientes DPOCs a desinsuflar, na sua crise pelo fato de abaixar o ponto de igual pressão e o pulmão segura menos ar.

Exercícios respiratórios segmentares

Os exercícios respiratórios segmentares são usados para melhorar a ventilação e a oxigenação. Esse exercício, também é conhecido como respiração localizada, assume que o ar inspirado pode ser direcionado para uma região predeterminada.
Esse tratamento é recomendado para evitar acumulo de liquido pleural, reduzir a probabilidade de atelectasia, evitar o acumulo de secreções traqueobrônquicas, diminuir a respiração paradoxal, melhorar a mobilidade torácica. Cada técnica utiliza pressão manual para encorajar a expansão de uma parte especifica do pulmão.

A seqüência de passos para a técnica de exercícios de respiração segmentar

1.Identifique a região que delimitam a região afetada.
2.Coloque a suas mãos na parede torácica sobre o segmento que necessitam de tratamento.
3.Aplique uma pressão no final na expiração
4.Instrua o paciente a inspirar profundamente pela boca tentando direcionar o ar inspirado para sua mão dizendo “respire na minha mão”
5.Reduza a pressão da mão enquanto o paciente inspira ( ao final da inspiração, a mão do instrutor não deve estar aplicando nenhuma pressão sobre o tórax. )
6.Instrua o paciente a segurar a respiração por dois segundos ou três segundos ao termino da inspiração.
7.Instrua o paciente a expirar
8.Repita a seqüência até que o paciente possa executar a manobra respiratória corretamente.
9.Progrida com os exercícios instruindo o paciente a usar suas próprias mãos ou um cinto para executar os exercícios independentemente.

Exercícios respiratórios de baixa freqüência

Vários pesquisadores relataram que a respiração lenta e profunda melhora a ventilação e oxigenação alveolar. Entretanto, a melhora relatada parece se manter apenas enquanto o padrão respiratório de baixa freqüência é mantido.

Objetivos: aliviar a dispnéia

Objetivos fisiológicos: Aumentar a ventilação e oxigenação

Possíveis resultados: Redução da freqüência respiratória.

Exercícios de inspiração máxima sustentada

Exercícios respiratórios durante os quais uma inspiração máxima é mantida por cerca de três segundos também foram associados com melhora da oxigenação.

Objetivos: aliviar a dispnéia

Objetivos fisiológicos: Aumentar a ventilação e oxigenação.

Imagens: COSTA, D. Fisioterapia respiratória básica. São Paulo: Atheneu. 1999.

3 Comentários:

hora da punheta disse...

Fiquei muito feliz de encontrar esses ensinamentos sôbre respiração, pretendo utiliza-lo muito pois sou portador de DPOC. Obrigado,
Fernando F Pessoa - fefa

Anônimo disse...

mt booa

Anônimo disse...

Muito booa a exolicação td q eu queria saber valeu *_*

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