Aspiração em recém-nascidos


A aspiração da cânula traqueal tem por finalidade a adequada oxigenação de RN intubados, mantendo a cânula pérvea sem traumatizar a mucosa traqueal. A manutenção da permeabilidade das vias aéreas tem sido o maior desafio e o principal objetivo na assistência a pacientes intubados e em ventilação artificial. Dentre as medidas que asseguram esta permeabilidade, a aspiração de vias aéreas é considerada um procedimento necessário e rotineiro. No entanto, não é isento de riscos, expondo o RN a sérias complicações.

Considerando a peculiaridade dos recém nascidos pré-termo (RNPT), especialmente os de extremo baixo peso ao nascer, que naturalmente, apresentam deficiência dos mecanismos de defesa, torna-se imprescindível a utilização de materiais estéreis para prevenção e controle de infecções.
A descrição da utilização da técnica de aspiração traqueal obedece a critérios que são inerentes a qualquer RN sob ventilação mecânica, porém, esses cuidados devem ser exacerbados quando se trata de RNPT, em virtude da sua vulnerabilidade.

Durante a aspiração traqueal devem ser observados os seguintes itens:

Deverá ser realizada por duas pessoas, com a garantia e o rigor asséptico que o procedimento exige;

Deve-se determinar a necessidade da aspiração após ausculta pulmonar;

Deve-se aumentar a FiO2 (pré-oxigenar) entre 10% e 20% do valor que o RN estiver recebendo, por aproximadamente 2 minutos. Esta conduta visa a prevenção de hipóxia;

Deve-se reunir o material necessário e adequado, a saber: cateter de aspiração n º5 ou 6, estetoscópio neonatal, luva estéril, SF0,9%, seringa 1 ml, marcador para o cateter de aspiração, borracha de extensão, fonte de oxigênio e ambú.

Iniciando o procedimento

Lavar as mãos;

Checar os parâmetros do respirador antes de iniciar a aspiração;

Realizar ausculta pulmonar bilateral e verificar a posição do tubo orotraqueal e checar a sua fixação;

Manter o RN posicionado adequadamente, mantendo os membros fletidos e maior aproximação da linha média, pois favorece a auto-organização e minimiza o estresse;

Selecionar adequadamente o cateter de aspiração. O calibre não deve ultrapassar 2/3 do diâmetro da cânula, pois a oclusão poderá ocasionar hipoxemia e microatelectasias;

Também devemos observar o nº de orifícios na extremidade da sonda, pois cateteres com apenas um orifício são menos eficazes na remoção de secreções, além de causarem maior traumatismo por se tornarem mais aderentes;

Calçar luvas estéreis para garantir técnica asséptica;

Realizar mensuração do cateter de aspiração. A marcação do cateter deverá corresponder ao comprimento da cânula traqueal. O objetivo é evitar que a ponta do cateter ultrapasse os limites da cânula e traumatize a mucosa;

Conectar o cateter à borracha de extensão do aspirador, observando o cuidado de manter a condição estéril da sonda;

Ajustar a pressão do vácuo, garantindo que não ultrapasse de 50-100mmhg ou 5-10 cmhg. Este cuidado previne as microatelectasias e barotrauma;

Observar a saturação de oxigênio antes de iniciar o procedimento. A saturação deve estar entre 88 e 96%, pois assim evitaremos hipóxia, bradicardia, aumento da pressão intracraniana e atelectasia;

Desconectar o ventilador do RN e, caso necessário, instilar 0,25 ml a 0,5 ml de SF 0,9% . A instilação não deverá ser utilizada de rotina, somente na presença de secreções espessas, pois pode favorecer o escoamento de secreção da cânula para porções inferiores das vias respiratórias inacessíveis pela aspiração.

Introduzir o cateter de aspiração sem sucção, delicadamente, até o local marcado previamente;

Retirar o cateter com movimentos rotatórios, delicados e rápidos. Nunca utilizar movimentos do cateter de baixo para cima, pois aumenta a pressão na mucosa causando lesões e seqüestro de oxigênio, ocasionando hipóxia;

Utilizar o tempo máximo em cada aspiração (5 a 10 segundos);

Retornar o RN à ventilação mecânica, conectando-o ao respirador;

Avaliar a tolerância do procedimento, observando os valores de saturação, coloração, freqüência cardíaca, tônus e atividade do RN. Caso haja queda significativa da saturação, deve-se interromper o procedimento até que os parâmetros retornem ao normal;

Realizar ausculta bilateral para avaliar a eficácia do procedimento. Aspirações prolongadas e repetidas, na ausência de secreção, determinam ocorrência de traqueíte, além de favorecer a hipóxia;

Repetir a aspiração, se necessário, de acordo com a ausculta pulmonar;

Efetuar a aspiração de vias aéreas superiores para evitar o acúmulo de secreção na cavidade oral. Devemos começar pela boca, pois assim evitaremos que o RN aspire o conteúdo oral quando proceder a aspiração nasal;

Lavar a borracha extensora e deixá-la com a extremidade protegida;

Manter o RN confortável e bem posicionado;

Verificar os sinais vitais, mantendo o controle térmico. Na hiportemia o RN pode aumentar o consumo de oxigênio, favorecendo a hipóxia e interferindo na recuperação pulmonar;

Retornar aos parâmetros iniciais (FiO2), de acordo com as condições clínicas do RN;

Lavar as mãos;

Anotar na evolução de fisioterapia o aspecto, quantidade e coloração, referindo as possíveis alterações da estabilidade.

Autora: Marcelle Campos Araújo

3 Comentários:

Anônimo disse...

Espere ai esse é aspiração do recem nascido na saa de recepção do rn, ou já é rn patológio, não entendi?????

Adm. Blog disse...

Anônimo, no início do texto diz:

"aspiração da cânula traqueal tem por finalidade a adequada oxigenação de RN intubados", ou seja" o bebê teve alguma complicação e está com prótese ventilatória - cânula traqueal.

A aspiração realizada logo ao nascimento é naso e orotraqueal!

Anônimo disse...

então logo entendo que para manter a permeabilidade do RN em unidade neonatal é manter a aspiração traqueal rotineiramente mesmo que isso implique em risco,ñ pode ser utilizado outra manobra..?

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