Efeito da manipulação ilio-sacra no paciente portador de lombalgia


INTRODUÇÃO: As articulações sacro-iliacas, sendo articulações sinoviais e possuidoras de movimento, estão sujeitas a diversos mecanismos e condições que afetam a sua função (Defrança, 1996). Desde o início do século XX, os médicos acreditavam que a articulação sacro-iliaca constituía a principal fonte de dor ciática, admitindo que, assim como esta, a lombalgia, era causada freqüentemente por quantidade de movimento anormal nas articulações pélvicas, sobretudo na articulação sacro-ilíaca (Meisenbach, 1911). Além do trauma, a influência de uma postura errada e da adaptação lombo-pélvica aos fatores extrínsecos foi reconhecida como parte integral da etiologia da descompensação (Lee, 2001).
Ainda que haja muita discussão sobre os mecanismos exatos da disfunção, uma coisa nos parece certa. As articulações sinoviais têm como sua função principal o movimento. Quando por uma razão qualquer a articulação é impedida de realizar seus movimentos normais, um ciclo vicioso de disfunção se inicia. Há alterações em suas estruturas, os tecidos a sua volta também sofrem alterações, há hipomobilidade, dor e espasmo muscular. As articulações ao redor assim como os tecidos moles se adaptam à disfunção gerando outras complicações.
Assim se propaga a disfunção. Acredita-se atualmente que a articulação sacro-ilíaca seja responsável por grande parte dos casos de dor lombosacral, talvez em até 40% dos casos (Daum, 1995).
Segundo Ricard e Sallé (2002), a pelve é uma das regiões mais importantes a ser tratada do ponto de vista osteopático, pois muitas das disfunções vertebrais têm como origem desequilíbrios na pelve.
Deste modo o objetivo da presente investigação foi: analisar, através de estudo de caso, o efeito da manipulação ilio-sacra (HVLAT) em uma paciente portadora de dor lombar.

RELEVÂNCIA DO ESTUDO: Pesquisas que visem o estudo das técnicas de terapia manual, suas filosofias, avaliações e métodos de tratamento são de fundamental contribuição para o profissional fisioterapeuta, possibilitando uma importante ferramenta, para a avaliação e tratamento das disfunções encontradas.

METODOLOGIA: Esta pesquisa baseou-se em um estudo de caso. O caso acompanhado refere-se ao de uma mulher de 21 anos, que se apresentou com desconfortos em região bilateral do quadril e coluna lombar evoluindo há 4 meses. Os sintomas intensificavam-se com o uso de sapato de salto alto, e era aliviado com repouso e uso de calçado baixo.
Relata não ter realizado nenhuma forma de tratamento e não ter sofrido nenhum traumatismo recente na região. Na avaliação inicial, relatou piora do quadro álgico, após ter feito uso prolongado de sapato de salto alto e deambulação excessiva.
Para a consecução do objetivo geral proposto para o trabalho, o procedimento foi dividido em três etapas: avaliação pré-manipulação; técnica manipulativa e avaliação pósmanipulação.
Na avaliação pré-manipulação, foi verificada a intensidade da dor e incapacidade do indivíduo, através da escala análoga visual (Palmer e Epler, 2000) e para a avaliação especifica da disfunção somática na articulação sacro-iliaca, foram realizados os testes específicos: polegar ascendente, teste de Gillet e teste de Downing (Greenman, 1996 e Chaitow, 2001)
Após a etapa anterior, foi aplicada uma técnica manipulativa (HVLAT – High-velocity lowamplitude
Thrust) específica para a disfunção encontrada, descrita por Greenman (1996).
No momento pós-manipulação, foi realizado logo ao termino da aplicação da técnica e três dias após, o mesmo procedimento da etapa pré-manipulação.

RESULTADOS E DISCUSSÕES: Observou-se melhora significativa da intensidade de dor, do momento pré-teste para os momentos pós-testes, sendo que no primeiro momento a paciente apresentava uma intensidade moderada de dor e após manipulação apresentou baixo nível de dor, cessando após três dias. Em relação aos testes polegar ascendente e Gillet, foi observado que no momento pré-teste obteve-se resultado positivo na articulação sacro-iliaca esquerda. Após manipulação e realizado novamente os testes encontrou-se resultados negativos em ambos os lados.
Já para teste de Downing, encontramos positividade do teste no ilíaco esquerdo, com bloqueio em posterioridade, verificada pela ausência de assimetria, na avaliação prémanipulação.
Após a realização da técnica manipulativa, obtivemos a normalização da mobilidade do ilíaco esquerdo, visualizada por uma assimetria de 0,5 cm, permanecendo pós três dias. Em estudo semelhante, Cibulka (2002) ao avaliar um paciente com dor lombar, constatou em avaliação especifica, disfunção sacro-ilíaca como a causa do quadro; o qual após técnica manipulativa da mesma, obteve a melhora imediata da disfunção e conseqüentemente da sintomatologia dolorosa na coluna lombar, após três dias.

CONCLUSÃO: No presente estudo, a manipulação ilio-sacra (HVLAT) aplicada na paciente com lombalgia e dor bilateral no quadril, alcançou o objetivo esperado, sanando a disfunção somática de posterioridade do ilíaco esquerdo e conseqüentemente o quadro álgico. Deste modo, é fundamental em pacientes com lombalgia, avaliarmos as articulações sacro-iliacas, na procura de disfunções somáticas nestas regiões e se presente, tratarmos com as técnicas pertinentes.

Autores: André Rocha Zapater, Marcial Zanelli de Souza, Carlos Alberto Fornasari

Gentileza da amiga Erika Silva by twitter

4 Comentários:

Anônimo disse...

Qual a porcentagem de uma criança contrair a doença seringomielia com a mãe portadora.
maria

Adm. Blog disse...

Olá Maria, a criança já nasce com esta esta patologia, independente da mãe ser portadora ou não.
Pais que tem filho com esta patologia, tem mais chances de ter um 2º, mas, no caso da mãe ser a portadora, ainda não há relatos.

Anônimo disse...

Existem métodos para que a doença de seringomielia não altere, ou estacione? Ou seria só com cirurgia? A mãe sendo portadora ela e o feto correm risco?
maria

Adm. Blog disse...

Maria, neste blog: http://diariosdedorehumor.blogspot.com/search/label/Siringomielia a autora conta tudo sobre esta patologia, inclusive das suas gestações.
Ela dá dicas de sites e grupos sobre siringomielia.

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