Equoterapia - conceito básico


A Equoterapia é um método de tratamento que visa à reabilitação física e mental de pessoas portadoras de necessidades especiais, dificuldades ou deficiências físicas, mentais e/ou psicológica, que utiliza o cavalo em abordagem interdisciplinar. O cavalo, neste método, entra como um agente facilitador, proporcionando aos praticantes ganhos físicos e psicológicos, exigindo um trabalho muscular intenso e contribuição para adequação do tônus, melhora da coordenação e do equilíbrio (KUCEK e FERRARI, 2004).
As pessoas que utilizam a equoterapia como tratamento são denominadas como praticantes, que segundo Rocha e Lopes (2003) são, “pessoas portadoras de deficiências físicas e/ou com necessidades especiais, onde há disfunção mental, sensitiva ou motora. Estas características se apresentam fisicamente com deformidades no movimento e na postura, podendo afetar também seu funcionamento visceral. Nesta atividade, o sujeito é participante de sua reabilitação na medida que interage com o cavalo”.
Segundo Santos (2005), “Hipocrates Loo aconselhava a equitação para tratamento de insônia, e também Asclepíades, da Prússia (124-40 a.C.), recomendou o uso do cavalo a pacientes epiléticos e paralíticos”.
A equoterapia foi iniciada na década de 70 por uma fisioterapeuta austríaca que procurava uma técnica diferente para aplicar em seus pacientes. Como tinha contato com cavalos, levou uma criança hipertônica para montar em um animal. A criança conseguiu relaxar e apresentou um certo domínio sobre a tensão muscular. A partir desta experiência, estudos passaram a ser desenvolvidos e, com base apresentada pelos pacientes submetidos ao tratamento, a nova técnica se difundiu, transformando-se em uma terapia alternativa (SÁ e MELLO, 1992).
O cavalo oferece uma boa contribuição terapêutica para pessoas com problemas neurológicos como hemiplegia, diplegia, tetraplegia, ataxia, entre outras. Sendo assim, a base da equoterapia está na movimentação do animal, pois aciona os mesmos músculos que o ser humano. Deste modo, a pessoa que estiver montada sofre estímulos em todos os músculos que normalmente usaria para andar, e ao mesmo tempo, se esforça para manter o equilíbrio (SÁ e MELLO, 1992).
O animal oferece uma diversidade de movimentos enquanto se está sobre seu dorso, por possuir três andaduras: passo, trote e galope. O trote e o galope são andaduras saltadas, onde o cavalo exerce um maior esforço e movimentos mais rápidos e bruscos, exigindo do cavaleiro mais força para se segurar e um maior desenvolvimento ginástico. Por isso, essa andadura só pode ser usada com praticantes em estágios mais avançados. O passo é uma andadura rolada ou marchada, sendo ritmada, cadenciada e simétrica, que transmite ao cavaleiro uma série de movimentos seqüenciados e simultâneos, que tem como resultante o movimento tridimensional ( no plano vertical: para cima e para baixo e no plano horizontal: para esquerda , para direita, para frente e para trás). Este movimento é completado com uma pequena torção do quadril do cavaleiro, que é provocada pelas inflexões laterais do dorso do animal (SANTOS, 2005).
De acordo com a patologia, o equipamento deve ser adaptado, sendo estes: sela especial com alça para apoio, coxim para ajustar a sela e a pelve do praticante para melhor posicioná-lo, usar-se manta fina ou grossa. O praticante pode estar montado em selas ou mantas estando em decúbito ventral ou dorsal. Deve-se considerar todas essas variantes ao se percorrer os diversos tipos de terreno que podem ser utilizados pela equoterapia - áreas planas, trajetos sinuosos, por terrenos acidentados, percorrer aclives e declives moderados e acentuados (ROCHA e LOPES, 2003).
O fato dos pacientes montarem em pêlo também tem um motivo lógico: a ausência da sela facilita a transmissão das ondas tridimensionais provocadas pelos movimentos do animal (SÁ e MELLO, 1992).
A equoterapia não permite colocar em evidência uma raça especial de cavalo. O cavalo-tipo deverá ter as três andaduras regulares, ter altura mediana (cerca de 1,50 m a altura do garrote), possuir um antemão com espáduas largas e bem musculadas, a fim de que a menor contração seja percebida pelo cavaleiro, o segmento do dorso-lombar não deve apresentar um garrote muito saliente; o flanco deverá ter uma circunferência discreta, a fim de evitar uma grande abertura dos membros inferiores do cavaleiro; o post-mão deverá ser largo, musculado e confortável, proporcionando a manutenção da correta postura do cavaleiro (OLIVEIRA, 2003).
O cavalo gera movimentos e os transmite ao cavaleiro, desencadeando seu mecanismo de resposta. Apesar dos movimentos se processarem de maneira rápida, eles não chegam a ser tão rápidos ao ponto de impedir seu entendimento pelo cérebro humano. E sua repetição, simetria, ritmo e cadência fazem com que suas repostas surjam muito rapidamente, sendo esta a grande vantagem da utilização do cavalo (SANTOS, 2005).

Indicações e Contra – indicações

Segundo Rocha e Lopes (2003), a equoterapia tem como contra indicações hérnia de disco, epífise do crescimento, todas as afecções de fase aguda, escoliose superior a trinta graus, quadros inflamatórios e infecciosos, luxação e sub-luxação de quadril, osteoporose, espinha bífida, obesidade (risco maior quando associada à hipotonia), alergia ao pêlo do cavalo, medo excessivo, problemas comportamentais do praticante que coloca em risco sua própria segurança ou a da equipe. Porém, desde que a coluna vertebral seja pouco exigida nas atividades contra a ação da gravidade, alguns destes casos podem ser atendidos.
Não havendo contra indicação, o aluno inicia o trabalho da seguinte forma: adaptação ao ambiente, aproximação do cavalo através de figuras e vídeos ilustrativos, contato direto com o cavalo, aceitação de montar e montando propriamente dito (LARGO,1995).

Intervenções da equoterapia na fisioterapia

De acordo com sua patologia, precauções e quadro clínico a equoterapia pode intervir devido ao uso de vários materiais que são benéficos ao tratamento fisioterápico, utilizando assim, de uma avaliação ergonômica, para obter melhores formas de segurança no seu atendimento, onde serão alcançados seus objetivos (SANTOS, 2005).
Para os déficits de equilíbrio, segundo Medeiros e Dias (2003), “a equoterapia proporciona uma melhora de equilíbrio no paciente pela estimulação constante do movimento tridimensional do cavalo que é realizado sobre o sistema vestibular, cerebelar e reticular do paciente”.
A partir de uma melhora do déficit de equilíbrio o praticante pode adquirir o controle cervical e evoluir para o controle de tronco (SANTOS, 2005).
As alterações posturais podem ocorrer devido aos maus hábitos ou até mesmo por doença do sistema nervoso que modificam as funções musculares. No tratamento dessas alterações o objetivo é obter o ortostatismo de tronco para se ter uma estimulação correta do equilíbrio, uma correção postural, e um melhor funcionamento visceral (SANTOS, 2005).
O relaxamento é indicado para o início dos trabalhos de correção postural a partir da conscientização simultânea do balanceio dos braços soltos, dos ombros e da própria respiração, de acordo com os passos do cavalo em andadura calma. O relaxamento deve ser buscado em grandes partes na equoterapia com segurança e conforto para que o paciente atinja a resposta esperada. (ROCHA E LOPES, 2003).
A espasticidade apresenta reflexos exacerbados e seus membros permanecem em flexão ou extensão, podendo associar-se a uma adução com rotação interna do segmento tendendo a permanecer fechado em torno do tronco, e seus movimentos são duros e sem plasticidade. No tratamento devem-se evitar movimentos bruscos e de resistência sendo importante que se incentive a execução de movimentos seletivos com o máximo de simetria tanto de um lado quanto do outro, o cavalo deve ter superfície em sua andadura calma que iniba seus movimentos associados com manipulações em rotação (SANTOS, 2005).
Na hemiparesia ocorre uma paralisia de um segmento ou de um lado do corpo, tendo diminuição de seus movimentos, podendo assim estes segmentos estar flácidos ou espásticos em flexão ou extensão. Devido à tendência que este praticante tem de utilizar somente o lado sadio, ocorre a diminuição das sensações e consciência do lado alterado. Deve-se orientar o praticante trabalhar o segmento lesado a partir de repetições de manobras passivas e ativas que lhe sejam possíveis de realizar (ROCHA E LOPES, 2003).
Para o tratamento da coréia, ataxia e atetose, o praticante deve receber estabilização do ponto chave da cintura pélvica e montar em cavalo que ofereça uma superfície estável ou instável conforme estiver o estado do seu tônus muscular (ROCHA E LOPES,2003).
No tratamento equoterápico pode-se usar os estribos para realizar a transferência de peso e também para sensibilizar os membros inferiores e noção simétrica, para membros superiores podem ser realizadas manobras em diagonal, onde essas são feitas com cavalo parado ou ao passo (SANTOS, 2005).

Autoras: Paula Brosco Ventrella e Karoline Nelli Prudenciatti

2 Comentários:

Leila disse...

Olá, gostaria de parabenizar pelo material elaborado de perguntas e respostas, sou concurseira e já adquiri vários materiais, já me senti enganada por diversas vezes, mas poucas vezes vi um material tão bem elaborado, didático e completo! E por um preço super acessivel! Obrigada por sua dedicação.

Adm. Blog disse...

Leila agradeço imensamente a gentileza e confiança.
Desejo muito sucesso.
Abraços

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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