Luxação do ombro

Esta é a mais freqüente e a mais típica das luxações sendo, geralmente anterior, isto é, a cabeça do úmero coloca-se anteriormente em relação à glenóide. É provocada por mecanismo indireto originado por um movimento abrupto de elevação do membro superior que força o ombro em abdução, extensão e rotação externa (esporte). Com isto, a cabeça do úmero é forçada para frente onde só há a cápsula para contê-la, mas que acaba por romper-se. A cabeça do úmero escapa e vai posicionar-se na face anterior da escápula.

Algumas pessoas têm, constitucionalmente, grande frouxidão de a cápsula articular. Nesta eventualidade, é possível haver luxação apenas pela distensão da cápsula, sem ruptura evidente. Estes indivíduos têm grande tendência para apresentar luxação ainda muito jovem, em torno dos 17 aos 20 anos, e sem grandes traumatismos. Apresentarão, também, tendência para outros episódios de deslocamentos que, repetindo-se, caracterizam a luxação recidivante do ombro.

Além dos sinais e sintomas gerais das luxações, no ombro, há manifestações típicas como:
- perda do contorno arredondado do ombro (sinal do cabide).
- atitude em semi-abdução do braço;
- vazio da cavidade glenóide;
- protrusão na face anterior do ombro (cabeça umeral).

Normalmente, a única radiografia possível é a AP sendo que, raramente, consegue-se a incidência axilar (que indicaria a direção real da luxação) pois dor e bloqueio de movimentos impedem a abdução necessária para realizar a radiografia.


Luxação anterior glenoumeral. Clinicamente há perda do contorno arredondado do ombro, atitude antálgica e abdução do braço.

Para o tratamento o paciente deve ser sedado com dolantina (100mg) aplicada intramuscularmente, acomodado confortavelmente e, meia hora após, ser submetido à redução que deve sempre ser suave. Quando há muita dor, ou o doente não tem condições emocionais para colaborar com o médico deve ser feita anestesia geral ou bloqueio do plexo braquial.

Manobras de redução

a) Manobra Hipocrática ou variantes:

Esta manobra é a mais usada atualmente, sendo a menos agressiva de todas elas.
Como o nome sugere, encontra-se descrita nas obras de Hipócrates. Baseia-se na tração longitudinal do membro e contratração aplicada na região axilar que força a cabeça do úmero em direção à cavidade glenóide, fazendo com haja redução. O paciente é deitado confortavelmente e, após 30 minutos de aplicação da dolantina, uma alça de lençol é aplicada na axila do paciente. Um médico, segurando em torno do punho, aplica, gradativamente, tração longitudinal no membro superior que é mantido em discreta abdução. O auxiliar traciona, em sentido contrário, com o lençol. Cria-se uma força resultante em direção da cavidade glenóide que conduz a cabeça do úmero de volta ao seu lugar.

b) Manobra de Kocher:

Embora tenha uma versão recente, esta manobra também é muito antiga. Encontra-se ilustrada em mural egípcio, desenhada por Ipuy, arquiteto de pirâmides, que viveu em torno de 1200 A.C.

Com o paciente deitado, e preparado da mesma maneira que para a manobra anterior, faz-se a seguinte sequência de movimentos: tração, abdução, rotação externa, adução e rotação interna. Estes movimentos forçam a cabeça umeral a percorrer um trajeto que termina na cavidade glenóide. Alguns autores fazem restrição a esta manobra, associando-a a lesões nervosas. O importante é realizá-la sempre de maneira delicada e fazendo previamente a tração de 10' do membro superior.

Após a redução o membro é radiografado e imobilizado com enfaixamento de Velpeau ou "M-J" por 3 semanas. Antes da alta hospitalar deve ser verificada a integridade do nervo axilar testando-se a capacidade de contração do músculo deltóide.

Complicações

As complicações na fase aguda já foram mencionadas e relacionam-se com lesões vásculo-nervosas ou fraturas. Há, também, a possibilidade de não se conseguir a redução, mesmo sob anestesia. Nesta condição, deve-se suspeitar de interposição de partes moles (retalho de cápsula, tendão) e o tratamento será cirúrgico, retirando-se o bloqueio à redução sob visão direta e suturando-se a cápsula. Se ocorrer paralisia muscular a primeira medida é observação; a maioria das lesões é reversível.

A complicação tardia mais freqüente é a luxação recidivante que ocorre mais freqüentemente em pacientes jovens. Após o primeiro episódio, o deslocamento tende a repetir-se com traumas cada vez menores, a ponto de ocorrer durante o sono. Muitas vezes, o próprio paciente aprende a evitar o movimento que provoca a luxação e, também, aprende a reduzi-la. Quanto mais jovem o paciente, maior a probabilidade de ocorrer luxação recidivante, mesmo com o tratamento adequado. Nestes casos, além da insuficiência da cápsula que se torna redundante, há duas lesões clássicas. A primeira é o descolamento da cápsula da face anterior da glenóide (lesão de Bankart) e, a segunda, é um afundamento na face póstero-medial da cabeça do úmero, provocada por uma fratura-impacção causada pela borda cortante da glenóide, na posição luxada (lesão de Hill-Sachs).

Semiologicamente, os pacientes com luxação recidivante apresentam o sinal da apreensão, como já descrito no capítulo de semiologia.

A luxação recidivante tem tratamento cirúrgico, havendo muitas técnicas propostas. Preferimos fazer capsuloplastia ântero-inferior e correção da lesão de Bankart. Os resultados, de maneira geral, são bons.

Fonte: José B. Volpon

1 Comentário:

luciano disse...

gostaria de saber uma coisa desloquei o ombro a 5 anos atrás e desloquei novamente na praia devido uma onda forte ter batido no braço,eu mesmo colquei no lugar,fui ao medico ortopedista o mesmo falou que teria que fazer uma cirugia,mais não rompi nenhum ligamento,quero saber se eu fazer a fisioterapia vai melhorar pois voltou no lugar e não gostaria de fazer cirugia..

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