Distúrbios do magnésio hipomagnesemia

Assim como o potássio, o magnésio distribui-se predominantemente no compartimento intracelular, de modo que os níveis séricos não refletem o magnésio corpóreo total. Desempenha um importante papel na contração muscular, primariamente em associação com o cálcio. A hipomagnesemia é caracterizada por magnésio menor 1,4 mEq/l, tornando-se sintomática abaixo de 1 mEq/l e a hipermagnesemia caracteriza-se por magnésio maior 2,5 mEq/l (sintomática maior 4 mEq/l). As principais causas dos distúrbios do magnésio são apresentadas na Tabela 9.

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No quadro clínico da hipomagnesemia podem ocorrer náuseas, vômitos, letargia, fraqueza, espasticidade, hiperreflexia, tetania (sinais de Trousseau e Chevosteck), manifestações neurológicas (confusão, psicose, depressão, delírios, apnéia e coma), assim como arritmias cardíacas, em geral graves (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e atrial, torsades de pointes). As alterações do ECG incluem prolongamento do intervalo PR e QT, onda T achatada e invertida, depressão do segmento ST e alargamento do QRS. Na hipermagnesemia, o quadro clínico tem relação com os níveis de magnésio, podendo-se observar náuseas (4-8 mEq/l), sonolência, hipoventilação, hiporreflexia, fraqueza muscular (15-30 mEq/l), hipotensão, bradicardia, vasodilatação difusa (20-40mEq/l), arreflexia, coma e parada respiratória (40-60mEq/l). As alterações do ECG são o prolongamento do espaço PR, alargamento do QRS, aumento de amplitude da onda T, bloqueio AV e parada cardíaca.


O tratamento da hipomagnesemia nos casos assintomáticos se faz pela reposição oral ou aumento do aporte venoso, e, nos casos sintomáticos, administrando-se 0,25 mEq/kg IM, a cada 6 horas ou 1 mEq/kg EV em 24 horas.
Na presença de fibrilação ventricular ou torsade de pointes, utiliza-se o sulfato de magnésio a 50% (0,05 a 0,1 ml/kg, equivalentes a 2,5 a 5 mg/kg) por via venosa em 1 minuto. Em caso de outras arritmias ventriculares, tetania ou convulsões, usar a mesma dose em 30 minutos.
Lembrar que arritmias não responsivas ao tratamento habitual podem responder a Mg++ EV. Por outro lado, pesquisar sempre associação com hipocalcemia, hipopotassemia e hipofosfatemia e corrigir esses déficits específicos. Já a hipermagnesemia é tratada com a restrição ou supressão do aporte de magnésio, reposição com soro fisiológico e furosemida (aumenta a excreção de Mg++), gluconato de cálcio EV (200 mg/kg) e diálise nos casos graves, podendo-se em recém-nascidos, optar pela exsangüíneotransfusão.

Autores: Arnaldo Prata Barbosa, Jaques Sztajnbok

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