Estrutura e função ligamentares tornozelo e pé

Os ligamentos são muito importantes para definir a estrutura e a função do tornozelo e do pé, ajudando a compreender melhor a função e a incapacidade.

O tecido conjuntivo denso, que forma a base dos tendões e dos ligamentos, é um complexo de células, de substância basal e de fibras. As fibras incluem o colágeno, a elastina e o retículo. A proporção de cada um desses componentes da fibra é determinada pela estrutura necessária para um órgão ou função específica.

A base fibra de colágeno é a molécula de tropocolágeno. Essa molécula é formada por uma tripla cadeia de polipeptídeos, constituindo uma fibra de colágeno. Na cadeia trielicoidal de aminoácidos, cada terceiro resíduo é a glicina. Cada cadeia tem comprimento uniforme e encaixa-se com as outras cadeias em uma configuração precisa.

Um tendão é uma banda de fibras longitudinais de colágeno inseridas no periósteo de áreas articulares relacionadas para suportar uma articulação ativa e específica. As fibras de colágeno reagem ao alongamento mecânico de forma determinada. Seu comprimento e tensão resultantes formam uma curva tensão-deformação. Os tendões estão habitualmente envolvidos por uma bainha, sob regime de suprimento sangüíneo intrínseco .

Tensão refere-se à quantidade de carga por unidade de área transversa. Deformação é o alongamento proporcional que ocorre.

Há cinco regiões distintas de colágeno na curva tensão-deformação:

1. Região do dedo. Há pouco aumento na deformação (comprimento) pela tensão.

2. Região linear. A rigidez é basicamente consistente. Com o aumento do alongamento, também aumenta a tensão, sendo esta a região na qual ocorre cedo a microfalência.

3. Falência progressiva. Embora intacto a olho nu, ocorre falência gradual com a deformação progressiva repetida.

4. Falência maior. O tendão permanece grosseiramente intacto, mas há pontos de ruptura e falência visíveis.

5. Região de ruptura completa. Quebra grosseira da continuidade do tendão.


Molécula de colágeno do tipo I.

O papel do tipo IX na cartilagem.

Bainha do tendão e suprimento sangüíneo.

Arrasto

Arrasto é o lento alongamento de um tendão em resposta à tensão constante ou repetida. O arrasto é transitório, se fisiológico e sob variáveis específicas de temperatura.

Recuperação

Recuperação é o retorno de um tendão ao seu comprimento original, após a remoção da tensão prévia à ruptura. Se a tensão for removida antes da falência parcial, o tendão retorna a seu comprimento original após período de repouso, durante o qual não haja carga. A isso se denomina recuperação. Essa recuperação não envolve a incidência de lesão residual permanente. Também não significa que tenha havido alongamento permanente. A recuperação de determinada função não implica recuperar todas as outras funções, pois a microfalência pode persistir.

A tensão é um estímulo físico com papel significativo na formação e na manutenção do colágeno. Um aumento gradual na tensão eleva a produção e a organização de colágeno. Reduzir a tensão diminui a produção e a organização do colágeno.

A lesão nas estruturas de colágeno promove formação cicatricial. Após a lesão, há migração celular das bordas do ferimento para dentro do espaço formado. Inicialmente, os macrófagos são seguidos por fibroblastos. Estes últimos formam vasos sangüíneos com os capilares originais. Os leucócitos também invadem e, em 48 a 72 horas, emergem fibras de colágeno. O trauma agudo e a irritação crônica repetitiva sempre iniciam reação inflamatória, com conseqüente fibroplasia. Permanece indeterminada a maneira como os micrófagos estimulam a fibroplasia.

No tecido não-traumatizado há alterações significativas na complacência, na resistência e no alongamento dos tecidos conjuntivos densos (TCD):

1. A imobilização provoca significativa perda de resistência. Perda de 80% da força de TCD no músculo tem sido constatada após quatro semanas: 50% nos ligamentos colaterais e 39% nos ligamentos cruzados do joelho após oito semanas.

2. A imobilização causa perda de comprimento e de flexibilidade mais lentamente que a de resistência.

3. O trauma antes da imobilização acelera o encurtamento dos TCD durante a imobilização, por causa da formação de tecido cicatricial.

4. As lesões por uso excessivo podem ser prevenidas ou minimizadas por períodos de repouso entre a tensão.

5. A contratura pode ser prevenida ou minimizada colocando-se as estruturas de TCD em posição alongada durante a imobilização.

6. As contrações musculares isométricas iniciam a profilaxia da tensão nos tendões.

Fonte: Anatomia Funcional - RENE CAILLIET

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Por gentileza deixe seu nome ou apelido, mesmo que fictício. Comentários anônimos não serão respondidos.

Como fazer download no 4shared

Termos de uso

Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger .

TOPO