Riscos atribuídos à utilização da ventilação mecânica invasiva

A intubação endotraqueal ou translaríngea consiste na inserção de uma prótese respiratória com balonete de oclusão, visando à manutenção de uma via aérea artificial definitiva. Inúmeras são as descrições de complicações associadas ao procedimento e sua ocorrência depende da urgência em que é realizado, das dificuldades técnicas relacionadas ao paciente e da experiência do profissional executante. A frequência global de complicações aproxima-se de 30 a 75% e a taxa de mortalidade, de 0,01 a 1,5% (STAUFFER, 1994). Para facilitar a descrição destas, podemos subdividi-las temporalmente em:

- Complicações durante a colocação do tubo endotraqueal (TET): lacerações faciais, nasais, oculares ou orais, fraturas dentárias, laceração, contusão ou perfuração faríngea com mediastinite consecutiva, contusão de cordas vocais, luxação de aritenóides, intubação esofágica, ruptura traqueal e intubação brônquica seletiva com hiperinsuflação pulmonar unilateral;

- Complicações pela presença do TET: necrose nasal, sinusite infecciosa, otite média ou externa infecciosa, ulceração ou celulite labial, estomatite infecciosa, ulceração da parede posterior da laringe, hemorragia ou formação de corpo estranho glótico, paralisia de cordas vocais, traqueo-bronquite traumática, traqueomalácia, fístula traqueo-esofágica, atelectasia pulmonar e pneumonia nosocomial por redução da atividade mucociliar;

- Complicações durante e após a extubação: risco de vida pela necessidade de reintubação de urgência, rouquidão, edema de laringe com estridor e risco de insuficiência respiratória obstrutiva, ineficácia temporária do reflexo de tosse, laringoespasmo, paralisia de cordas vocais, granuloma faríngeo, subglótico ou traqueal, abscesso cricóideo e estenose traqueal.

As complicações associadas à VM são aquelas agregadas ao regime ventilatório em si. As mais frequentemente encontradas são (EPSTEIN, 2006):

- Embolia pulmonar (8-27%);

- Alterações da motilidade gastrointestinal (50%) com risco de hemorragia digestiva por desenvolvimento de úlceras isquêmicas de estresse (úlceras de Cushing) (5%);

- Arritmias ou isquemia cardíaca (16%);

- Insuficiência renal aguda (3%);

- Infecções nosocomiais (traqueo-bronquite e pneumonia);

- Lesão induzida pelo ventilador (barotrauma, volutrauma ou atelectotrauma) (2%): Os regimes ventilatórios caracterizados por elevadas pressões de vias aéreas e elevados VC são danosos às vias respiratórias, causando rupturas no epitélio respiratório com evolução para lesão alveolar definitiva. A gravidade pode estender-se desde achados radiológicos sem necessidade de tratamento clínico (enfisema intersticial pulmonar, dilatação cística, enfisema subcutâneo e pneumomediastino) até complicações ameaçadoras à vida (pneumotórax, pneumoperitôneo e fístula broncopleural) (PIERSON, 1994; BROCHARD, 1997; TREMBLAY et al, 1998);

- Toxicidade pelo oxigênio: Regimes ventilatórios com aplicação de elevadas frações inspiradas de oxigênio (superior a 60%) são responsáveis por atelectasias de reabsorção traqueobronquite aguda e dano alveolar difuso. Nos casos mais graves há evolução para displasia broncopulmonar (LODATO, 1994);

Pneumonia associada à VM (10-25%): Importante pela elevada taxa de mortalidade (33-71%) e pela peculiaridade da microbiota bacteriana específica responsável pelo seu desenvolvimento (TEIXEIRA E BALTHAZAR, 2003).

Fonte: Augusto Savi - Universidade Federal do Rio Grande Do Sul

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