Pressão de oclusão nas vias aéreas (P 0.1)

A P 0.1 avalia a atividade do centro respiratório. Estando diretamente relacionada ao estímulo neural, a P 0.1 mensura a pressão de oclusão das vias aéreas em 100 milisegundos do início da inspiração. Sendo gerada por esforços inspiratórios, a P 0.1, na verdade, representa pressões negativas, apesar de tradicionalmente ser reportada em valores positivos.

Em indivíduos saudáveis, a P 0.1 geralmente varia entre 0,5 a 1,5 cmH²0 durante respiração tranquila. Embora tradicionalmente mensurada através de um balão esofágico, alguns ventiladores podem medir a P 0.1 (P 0.1 traqueal) de forma acurada.

Os ventiladores mais frequentemente encontrados que mensuram a P 0.1 traqueal são os da marca “Dräger” e “Dixtal”. Levando-se em consideração que a passagem de um balão esofágico em momentos que precedem o desmame não é um procedimento tão simples e viável e o fato da medida da P 0.1 traqueal (medida nos ventiladores) ser considerada acurada, esta última tornarse mais accessível na terapia intensiva.

A P 0.1, via de regra é proposta como um parâmetro para o desmame, no entanto, também tem sido utilizada com outras utilidades:
  • P 0.1 pode ser um bom parâmetro para avaliar a pressão de suporte a ser ajustada em pacientes individuais.
  • P 0.1 pode ajudar a avaliar os efeitos da PEEP em pacientes com PEEP intrínseca.

A P 0.1 tem sido utilizada para avaliar a prognóstico do desmame há mais de duas décadas. Quanto mais elevada estiver a P 0.1, provavelmente mais hiperestimulada estará a atividade do centro respiratório. Por outro lado, quanto mais baixa estiver a P 0.1, provavelmente mais hipoestimulada estará a atividade do centro respiratório. Tanto a hiperestimulação quanto a hipoestimulação do centro respiratório não refletem um bom prognóstico para o desmame. Os valores da P 0.1 que discriminam entre o sucesso e o insucesso no desmame variam de 3,4 a 6,0 cmH²O.

Valores elevados de P 0.1, como acima de 4,0 a 6,0 cmH²O estão associados ao insucesso no desmame, onde geralmente o paciente acaba revelando aumento do trabalho respiratório e possível fadiga muscular respiratória, caso a ventilação mecânica não seja re-instituída.

Valores reduzidos de P 0.1, como abaixo de 0,5 cmH²O também estão associados ao insucesso no desmame, por consequente estímulo central da respiração insuficiente para manter adequada ventilação alveolar. Há possibilidade de ocorrer até bradipnéia e apnéia com níveis tão baixos de P 0.1.

Vários fatores podem ser responsáveis pela elevação da P 0.1, no entanto a hipercapnia talvez possa ser um dos mais importantes. Tal resposta avalia a capacidade do centro respiratório em elevar seu estímulo em resposta à elevação de CO² . Uma vez a P 0.1 não estando elevada, significa que o centro respiratório, não responde ou ao menos não responde suficientemente como esperado ao aumento do estímulo da respiração.

Uma outra forma de avaliar a resposta do centro respiratório em relação à elevação de CO², é a divisão da P 0.1 após a estimulação com CO² (elevação em 10 mm Hg) pela P 0.1 basal, onde valores abaixo de 1,3 cmH²O predizem o insucesso.

A hipóxia leva a mesma sensação de dispnéia que a hipercapnia, portanto a hipóxia também pode elevar a P 0.1.

Outros fatores que por aumentarem a produção de CO², também podem elevara P 0.1 são: a hipertermia, a sepse, agitação, dor, etc.

A sedação com benzodiazepínicos, como diazepam, lorazepam e midazolam age diretamente no centro respiratório, causando depressão respiratória, que pode ser potencializada se for excessiva, principalmente em pacientes desnutridos e com DPOC. Portanto, o aumento da sedação, parece estar relacionado à redução da P 0.1.

Apesar da vantagem de ser o parâmetro mais acessível para a avaliação do estímulo central da respiração em uma UTI, a P 0.1 apresenta várias limitações. Estas limitações geralmente são devidas a fatores que afetam a relação entre a P 0.1 e o centro respiratório.

Estes fatores incluem a mecânica pulmonar, atividade muscular expiratória, a forma da curva de pressão da P 0.1, deformidades da parede torácica, etc. Em caso de hiperinsuflação pulmonar, o valor da P 0.1 pode ser subestimado devido à piora da relação força versus comprimento e ao volume pulmonar expiratório final elevado. 

Em consequência ao encurtamento da musculatura inspiratória, sobretudo do diafragma, a amplitude de movimento deste músculo se torna muito pequena e mesmo na presença de um elevado estímulo central da respiração, o que elevaria a P 0.1, tal aumento pode não ocorrer. A dificuldade em contrair o diafragma e encurtá-lo mais do que o mesmo já se encontra, resulta em uma pequena mobilidade da caixa torácica e consequentemente a uma dificuldade de mensuração da P 0.1, subestimando-a.

Elevações na constante de tempo, frequentemente encontradas em pacientes com DPOC podem retardar e reduzir a transmissão da pressão intratorácica para as vias aéreas superiores, podendo subestimar também a P 0.1.

Deformidades da parede torácica podem resultar em dissipação da pressão intratorácica e subestimação da P0.1.

Atividade muscular expiratória pode fazer com que a P 0.1 mensurada não seja reflexo somente da atividade da musculatura inspiratória, possivelmente também subestimando a P 0.1.

A forma da curva de pressão da P 0.1 quando côncava, pode estar associada à uma constante de tempo elevada e um retardo na fase inspiratória, que por sua vez também pode subestimar a P 0.1. Quando convexa, a P 0.1 pode ser superestimada.

Autor: Sérgio Nogueira Nemer

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