Toxicidade do oxigênio principalmente em DPOC

O dano causado pela oxigenoterapia resulta na oxidação de pontes de sulfidrilas, peroxidação de pontes duplas de lipídios e degradação de neurotransmissores no cérebro. Mesmo que a administração de oxigênio a 100% não seja acompanhada de manifestação clínica pulmonar aparente, não significa que não estejam ocorrendo lesões tóxicas. A oxigenoterapia a 100% por 3 horas ou mais, diminui a depuração produzida pelo movimento mucociliar.

A oxigenoterapia em concentrações iguais ou inferiores a 40% por tempo prolongado (30 dias ou mais) não se acompanha de lesão pulmonar clinicamente aparente.Quando se usa FiO² acima de 70% e por tempo superior a 48 – 72 horas, ocorrem lesões pulmonares observadas a anatomopatologia mais mesmo antes deste período já existe lesão à microscopia eletrônica.

Obs: O oxigênio passa a ser tóxico com FiO² a partir de 60% pelo consenso de terapia intensiva (AMIB).

Efeitos tóxicos da oxigenoterapia

Pulmão

Diminuição da complacência pulmonar e da capacidade vital
Atelectasia
Traqueobronquite
Pulmão de choque (SARA)

No SNC

Convulsões (com FiO² 100% durante horas e em uso hiperbárico)
Vasoconstrição arteriolar cerebral
Vasoconstrição arteriolar retiniana

Outras complicações

Vasodilatação conjuntival (conjuntivite)
Carbonarcose
Otalgia e dor nos seios da face
Hemólise
Renal (retenção hídrica)

Tabela de FiO² na Oxigenoterapia por Cateter Nasal

Fluxo em l por min
FiO2 média (%)
FiO2 esperada (%)
1
21 a 24
24
2
23 a 28
28
3
27 a 34
32
4
31 a 37
36
5 – 6
32 a 44
40 a 44
> 8
40 a 60
> 48

A administração de oxigênio em concentrações mais altas é possível com o uso de máscaras e tendas. Com máscaras abertas a FiO² pode-se alcançar entre 50 e 60 % e as máscaras com reservatório, quando bem ajustadas, podem chegar a valores altos de oxigênio como FiO² de 70%. Máscaras que utilizam sistema Venturi, isto é, um alto fluxo gasoso com enriquecimento de oxigênio, e que são providas de anéis que permitem juntamente com o controle do fluxo de oxigênio, administrar FiO² de 24, 2 8, 35 ou 40 %.


Em pacientes portadores de Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas com insuficiência respiratória crônica agudizada, geralmente por infecção broncopulmonar e insuficiência cardíaca, nos obesos e nos previamente hipercápnicos, a administração de oxigênio deve ser realizada com fluxos de 1 a 2 Litros por minuto, e acompanhando-se o estado mental do paciente. Em presença de depressão mental é importante determinar nova gasometria arterial para verificar se houve elevação da PaCO² e confirmar o diagnóstico de carbonarcose. Nestes pacientes e em casos mais graves indica-se a prótese ventilatória.

A defesa de pacientes portadores de DPOC ante a retenção de CO² está diminuída, pois perdem a capacidade de aumentar a ventilação na proporção que seria necessária para restabelecer os níveis de PaCO². Ainda mais os pacientes com maior grau de obstrução são os que têm tendência a menores PaO² e maiores valores a PaCO², estes fatores passam a se somar no sentido de a hipoxemia passar a ser o fator principal no estímulo à ventilação através do quimiorreceptor periférico. Os quimiorreceptores periféricos, localizados nos corpos carotídeos, respondem primariamente à hipóxia. Se estes pacientes receberem fração inspirada de oxigênio que faça com que os níveis de PaO² superem 55 a 60 mmHg, é bastante provável que se retire o estímulo único que eles apresentavam para manter a ventilação e passem a hipoventilar em reter CO² progressivamente podendo chegar à narcose e coma com apnéia.

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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