Mobilização de articulações periféricas





Definições de Mobilização Articular

Osteocinemática – movimentos que o paciente pode fazer voluntariamente. Ex. flexão, rotação. O termo ostecinemático é usado quando ao descritos esses movimentos ósseos.

Artocinemática – não podem ser realizados ativamente pelo paciente. Inclui separação, deslizamento, compressão, rolamento e giro das superfícies articulares. O termo artocinemático é usado quando são descritos esses movimentos das superfícies ósseas dentro da articulação.

Tipos de articulação – o tipo de movimento que ocorre entre partes ósseas dentro de uma articulação é influenciável pelo formato das superfícies articulares:
Ovoíde – Uma superfície e convexa e a outra e côncava.
Selar (em sela) – Uma superfície e côncava em uma direção e convexa na outra, com a superfície oposta convexa e côncava respectivamente; semelhante a um cavaleiro em oposição complementar ao formato da sela.
Tipos de Movimentos – Enquanto uma alavanca óssea se move sobre um eixo de movimento, ocorre também movimento da superfície óssea na superfície oposta dentro da articulação. É chamado de oscilação descrito como: flexão, extensão, abdução, adução e rotação. O movimento das superfícies articulares é uma combinação de rolamento, deslizamento e giro.
a) Rolamento – características de um osso que rola sobre o outro: as superfícies são incongruentes; novos pontos de uma superfície encontram novos pontos na superfície oposta; o rolamento resulta em movimento angular do osso (oscilação); é sempre na mesma direção que o movimento ósseo angular; quando não ocorre sozinho causa compressão nas superfícies do lado para qual o osso esta angulando e separação do outro lado.
O alongamento passivo usando somente angulação óssea pode resultar em forças compressivas que sobrecarregam partes da superfície articular com a possibilidade de provocar lesão articular; em articulações com funcionamento normal, o rolamento puro não ocorre sozinho, mais em combinação com deslizamento e giro.

b) Deslizamento – características de um osso que desliza sobre o outro: para um deslizamento puro a superfícies precisam ser congruentes, sejam elas planas ou curvas; o mesmo ponto em uma superfície fique em contato com novos pontos na superfície oposta; o deslizamento puro não ocorre nas articulações, já que as superfícies não são completamente congruentes; A direção na qual o deslizamento ocorre depende da superfície que está movendo ser côncava ou convexa. O deslizamento é na direção oposta à do movimento angular do osso se a superfície articular que se move é convexa.
O deslizamento é na mesma direção do movimento angular do osso se a superfície que se move é côncava (obs.: regra convexo-concava - é a base para a determinação da direção da força mobilizadora quando são usadas técnicas de manipulação articular com deslizamento).

c) Rolamento-deslizamento combinados numa articulação - quanto mais congruentes forem as superfícies articulares, mais deslizamento ocorre entre as partes ósseas com movimento; quanto mais incongruentes forem às superfícies articulares ocorrem mais rolamento entre as partes ósseas durante o movimento; a mecânica articular anormal resultante pode provocar microtraumas e disfunção articular; o rolamento não é usado para alongar cápsulas articulares retraídas porque produz compressão articular. (obs.: quando o terapeuta move passivamente a superfície articuladora na direção na qual o deslizamento ocorre, a técnica é chamada deslizamento- translação ou deslizamento. É usado para controlar a dor quando aplicado com cuidado ou para alongar a cápsula quando aplicado com uma força de alongamento.

d) Giro - características de um osso que gira sobre o outro: Ocorre rotação de um segmento sobre um eixo mecânico estacionário; o mesmo ponto sobre a superfície que se move cria o arco de um círculo à medida que o osso gira; o giro raramente ocorre sozinho nas articulações, mas em combinação com o rolamento e deslizamento; três exemplos de onde ocorre giro nas articulações do corpo são o ombro na flexão/extensão, o quadril na flexão/extensão, e a articulação radioumeral na pronação/supinação.

Efeitos da mobilização articular

1) Estimula a atividade biológica, movimenta o liquido sinovial que traz nutrientes Para a cartilagem avascular das superfícies articulares e fibrocartilagens intra-articulares dos meniscos. A atrofia da cartilagem articular começa cedo quando as articulações são imobilizadas.

2) Mantém a extensibilidade e força de tensão nos tecidos articulares e periarticulares. Com a imobilização ocorre proliferação fibroadiposa, que provoca adesões intra-articulares, assim como alterações bioquímicas em tendões, ligamentos e tecido articulares levando contraturas articulares e enfraquecimento ligamentar.

3) Impulsos nervosos aferentes de receptores articulares transmitem informação para o SNC e assim proveem percepções de posição e movimento. Com a lesão ou degeneração da cápsula, ocorre diminuição do potencial em uma fonte importante de feedback proprioceptivo que pode afetar a resposta de equilíbrio do indivíduo. A mobilização articular provê impulsos sensoriais relativos a:

Tipo I (posição estática e senso de velocidade do movimento). São encontrados no interior das cápsulas articulares superficiais. Fornecem informação a cerca das mudanças na posição articular. È um mecanorreceptor estático e dinâmico, dependendo da posição articular, da pressão intra-articular, e dos movimentos articulares (ativos e passivos).

Tipo II (mudança na velocidade do movimento). É encontrado nas cápsulas articulares profundas e coxim articular adiposo. Fornecem informações sobre a velocidade do movimento. E um mecanorreceptor dinâmico. Sua adaptação rápida e inativa em repouso e estimulada por estímulos rápidos e repetitivos

Tipo III. São encontrados nos ligamentos. Registra a verdadeira posição articular. E dinâmico, sua adaptação é lenta. E estimulados com movimentos externos ativos e passivos.

Tipo IV - São encontrados nas cápsulas fibrosas, ligamentos, coxim articulares adiposos, periósteo, paredes e vasos sanguíneos. Fornecem informações dolorosas (estímulo nocioceptivo). Sua adaptação é lenta ativada pelas deformações mecânicas.

OBS.: Regulação do tônus (Receptores I, II, III). Senso de movimento (Receptores I e III).

Contra indicações verdadeiras para as técnicas de alongamento:

Hipermobilidade: Pacientes com perigo de necrose dos ligamentos ou cápsula não devem fazer alongamento; só é benéfico técnica de mobilização intra-articular leve dentro dos limites de mobilidade.

Efusão Articular: Pode haver edema articular (efusão) devido a trauma ou doença. O derrame articular rápido geralmente indica sangramento dentro da articulação e pode ocorrer com trauma ou em doenças tais como hemofilia. O derrame articular lento geralmente indica efusão séria de líquido sinovial em excesso ou edema dentro da articulação devido a trauma leve, irritação ou uma doença tal como artrite.

Inflamação: Sempre que houver inflamação, o alongamento irá aumentar a dor e defesa muscular resultando em maior dano aos tecidos. Movimentos delicados de oscilação ou separação podem inibir temporariamente a resposta dolorosa.

Direção do Movimento: A direção do movimento durante o tratamento é paralela ou perpendicular ao plano de tratamento, que é um plano perpendicular à linha que vai do eixo de rotação até o meio da concavidade da superfície articular.
O plano é na parte côncava, de modo que sua posição é determinada pela posição do osso côncavo; técnicas de tração articular são aplicadas perpendicularmente ao plano de treinamento.
O osso todo é movido de modo que as superfícies articulares são separadas; técnicas de deslizamento são aplicadas paralelamente ao plano de tratamento. Se a superfície da parte óssea que se move é convexa, o deslizamento deve ser oposto à direção em que ocorre a oscilação óssea. Se a superfície da parte óssea que se move é côncava, o deslizamento feito no tratamento deve ser na mesma direção; o osso todo é movido de modo que ocorre deslizamento de uma superfície articular sobre a outra.
O osso não deve ser usado como alavanca, não deve haver movimento em arco (oscilação) do osso, o que poderia causar o rolamento e, assim, compressão das superfícies articulares.

Fonte: Kisner

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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