Patologias induzidas pela gestação



Diástase dos Retos: Separação dos músculos retos abdominais na linha alba. A etiologia da patologia é desconhecida, mas a continuidade da parede abdominal é comprometida.

Incidência: qualquer separação maior que 2cm é considerada significativa. Ocorre na gestação como resultado de efeitos hormonais sobre o tecido conectivo e as alterações biomecânicas da gravidez. Ela não provoca desconforto; é incomum no primeiro trimestre, atingindo um pico no terceiro trimestre; pode continuar até 6 semanas pós-parto; pode ocorrer acima, abaixo ou no nível do umbigo mas parece ser menos comum abaixo do umbigo; parece ser menos comum em mulheres com bom tônus abdominal antes da gravidez.

Significado: Pode produzir queixas musculoesqueléticas (p. ex. dor lombar) possivelmente como resultado da diminuição na capacidade da musculatura abdominal controlar a pelve e coluna lombar; casos graves podem progredir para herniação das vísceras abdominais através da separação na parede abdominal.

Teste da diástase dos retos: Paciente em DD com joelhos fletidos e pés apoiados. Eleva lentamente sua cabeça e os ombros para fora do chão, tentando colocar as mãos nos joelhos, até que a espinha da escápula deixe o chão. O terapeuta coloca os dedos de uma mão horizontalmente através da linha média do abdômen no umbigo. Se houver uma separação, os dedos irão afundar dentro da fenda. A diástase é medida pelo número de dedos que podem ser colocados entre os ventres musculares dos retos. A diástase pode também apresentar-se como uma saliência longitudinal ao longo da linha alba. Como a diástase dos retos pode ocorrer acima, abaixo ou no nível do umbigo, essa deve ser testada nas três áreas.

Tratamento da diástase dos retos: Realizar exercícios corretivos para diástase dos retos sem os outros exercícios abdominais até que a separação tenha diminuído para 2 cm ou menos ser retomados, mas a integridade da linha alba deverá ser monitorada para certificar-se que a separação continua a diminuir.

Dor Lombar e Pélvica

Lombalgia postural: A dor geralmente ocorre devido a alterações posturais da gestação, aumento da frouxidão ligamentar, e diminuição da função abdominal; os sintomas pioram com  a fadiga devido a posturas estáticas ou a medida que vai passando o dia; os sintomas são geralmente aliviados com repouso ou mudança de posição. Podem ser tratados efetivamente com uma mecânica corporal apropriada e instruções posturais. O uso de agentes como aquecimento profundo, estimulação elétrica e tração são geralmente contra indicados durante a gestação.

Dor lombar sacro-ilíaca

Pelve posterior sintomas e tratamento: É causada pela frouxidão ligamentar acoplada com adaptações posturais. A dor geralmente localiza-se na pelve posterior e é descrita como uma dor cortante profundamente nas nádegas distal e lateralmente L5/S1. Pode irradiar-se para a coxa posterior ou joelho, mas não para o pé. 

Os sintomas incluem dor após muito tempo na posição sentada, em pé, ou andando; dor ao subir escadas ou virar na cama; atividades em pé com apoio unilateral ou torção; dor que não é aliviada com repouso e frequentemente piora com atividade. Pode ocorrer também desconforto na sínfise púbica, subluxação, ou ambos.

O uso de estabilização externa, como cintas ou coletes elaborados para uso na gravidez, ajudam a reduzir a dor pélvica posterior, especialmente durante a marcha.

Os exercícios deverão ser modificados de modo a não agravar a condição.

O apoio de peso em uma só perna deverá ser evitado.

Outras atividades podem requerer modificação para minimizar a sobrecarga sobre os tecidos sintomáticos; por exemplo, a forma de sentar no carro, deitar de lado com um travesseiro entre as pernas, e adaptação das atividades sexuais para evitar abdução de quadril extrema.

Veias Varicosas – São agravadas na gravidez pelo aumento no peso uterino, pela estase venosa nas pernas, e pelo aumento da distensibilidade venosa. Ocasionalmente, pode haver uma variação de um leve desconforto até uma dor intensa nos MMII, especialmente quando as pernas estão pendentes; se há desconforto, os exercícios podem requerer modificações de modo que a posição pendente seja mínima; devem ser usadas meias elásticas de suporte para prover um gradiente de pressão externa contra as veias distendidas, e as mulheres devem ser encorajadas a elevar os MMII com a maior frequência possível.

Disfunções do Assoalho Pélvico

1) Estrutura do assoalho pélvico: O assoalho pélvico é uma lâmina muscular composta de múltiplas camadas que se estende entre a púbis e o cóccix, formando o suporte inferior da cavidade abdômino-pélvica. O assoalho pélvico é perfurado pela uretra, vagina e reto. O principal músculo do assoalho pélvico é o músculo pubococcígeo.

2) Funções do assoalho pélvico: Dá suporte aos órgãos pélvicos e seus conteúdos; suporta aumentos na pressão intra-abdominal; provê controle esfincteriano às aberturas do períneo; funciona em atividades reprodutivas e sexuais.

3) Disfunção

Frouxidão dos músculos e tecidos moles – os órgãos pélvicos caem de seu alinhamento normal devido ao aumento na pressão sobre a musculatura do assoalho pélvico, e pode ocorrer prolapso dos órgãos; pode ocorrer incontinência urinária durante sobrecargas (perda involuntária da urina com aumentos na pressão abdominal) e o quadro pode piorar com  gestações subsequentes, aumentos no peso, ou envelhecimento.

Ruptura do assoalho pélvico: Episiotomia – uma incisão no assoalho pélvico feita durante o parto para alargar a abertura vaginal e permitir uma expulsão mais rápida. Pode produzir dor prolongada, produzir cicatrizes ou tornar-se infectada; podem ocorrer rupturas e lacerações durante o parto, particularmente se o bebê é grande ou se é necessário o uso de fórceps.

Hipertonicidade: é um aumento na tensão muscular ou retração fascial do assoalho pélvico, significativa o suficiente para prejudicar as funções sexuais e de eliminação normais esse problema pode ocorrer como resultado de uma cicatrização incorreta no pós-parto e pode ser bastante dolorosa.

4) Técnicas de tratamento para disfunção do assoalho pélvico: exercícios terapêuticos para melhorar o controle e relaxamento dos músculos, modalidades como calor superficial, gelo e massagem para conforto pré-natal. No pós-parto pode ser usada a estimulação elétrica transcutânea ou a estimulação elétrica muscular para modular a dor e estimular contrações musculares, respectivamente.

Frouxidão Articular

Durante a gravidez e pós-parto, a qualidade tênsil do suporte ligamentar fica diminuída, e desse modo podem ocorrer lesões em mulheres que não tenham sido orientadas com respeito à proteção articular.

Tratamento da frouxidão articular: exercícios seguros para serem realizados durante o período em que carrega o bebê, incluindo modificações nos exercícios para diminuir uma sobrecarga articular excessiva. Atividades em sustentação do peso ou aeróbicas pouco estressantes como natação, caminhadas ou bicicleta.

Fonte: Kisner

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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