Trauma torácico

Lesão caracterizada por alteração estrutural ou desequilíbrio fisiológico decorrente de exposição.
As lesões torácicas estão entre as quatro principais causas de morte nos traumatizados.
Atinge principalmente o sexo masculino (80%).

Principais Causas: colisão de veículos, atropelamento, lesão por arma de fogo, quedas de altura, acidente de motocicleta, espancamento, lesão por arma branca, explosão e esmagamento.

Fisiopatologia

A hipóxia tecidual, a hipercarbia e a acidose são resultados frequentes do trauma torácico.
A hipóxia tecidual resulta de uma oferta inadequada de O² aos tecidos, causado pela hipovolemia e por alteração de relação ventilação/perfusão pulmonar.

Classificação

1- Quanto ao tipo de lesão

Aberto (FAB e FAF);
Fechado (acidentes automobilísticos).

2- Quanto ao Agente Causal

FAF, FAB e Acidente automobilístico.


3- Manifestações Clínicas

Pneumotórax (hipertensivo ou não);
Hemotórax;
Tamponamento cardíaco;
Contusão pulmonar.

Deve-se priorizar

1- Vias Aéreas;
2- Respiração e Ventilação;
3- Circulação.

Mecanismo do trauma

Trauma Direto

Lesões bem delimitadas de costelas e mais raramente de esterno, coração e vasos apresentando um bom diagnostico.

Trauma por Compressão

Comum em desmoronamento, construção civil e escavações. Apresentam lesões mais difusas na caixa torácica, mal delimitadas e se a compressão for prolongada pode causar asfixia traumática apresentando cianose cérvico-facial e hemorragia sub-conjuntival.

Trauma por Desaceleração (ou Contusão)
Caracterizado por processo inflamatório em pulmão e/ou coração no local do impacto.

Sinas e Sintomas

Edema e presença de infiltrado linfomonocitário;
Dor local;
Atelectasia após 24h ou quadro semelhante à pneumonia;
Dispneia;
Queda da fração de injeção e alteração da função cardíaca (insuficiência cardíaca, arritmias graves, etc).

Diagnostico

Rx seriados até 48h após o trauma; ECG; Dosagem de enzimas cardíacas de modo seriado;
Através da clínica.

Pneumotórax Hipertensivo

Pneumotórax hipertensivo desenvolve-se sempre que um mecanismo de válvula se instala no espaço pleural, permitindo que o ar entre no mesmo, mas sem permitir sua saída.
Tanto o trauma penetrante como o contuso podem causar pneumotórax.
Este aumento da pressão intrapleural dificulta a ventilação pulmonar, diminui o retorno venoso para o coração, e consequentemente a circulação venosa do sangue dentro da cavidade torácica.

Sinais e sintomas

Dificuldade respiratória;
Desvio contralateral da traquéia;
Distensão das veias jugulares;
Dispnéia;
Taquecardia;
Hipotensão;
Diminuição ou ausênsia dos M.V.;
Cianose (tardiamente);
Percussão hipertimpânica (som de tambor à palpação do tórax, do lado afetado).

Tratamento

Tratamento inicial: Descompressão imediata utilizando agulha ou drenagem tubular.
Tratamento de 1º Escolha:
Toracocentese (punção com agulha) - 2º EIC linha médio-cavicular.
Toracotomia com drenagem fechada entre a linha axilar anterior e média no 5o EIC.

Pericardiocentese com retirada de 20 a 50ml de sangue.

Pneumotórax aberto

Indica a presença de ar no espaço pleural, mais precisamente entre a pleura parietal e a visceral.
O pneumotórax aberto é produzido quando um ferimento penetrante estabelece comunicação do espaço pleural com a atmosfera ambiente, igualando a pressão atmosférica à pressão intratorácica.
Quando a abertura deste ferimento é maior ou igual a dois terços do diâmetro da traqueia, o ar passará pela feria e não pela via aérea, causando assim insuficiência respiratória.



Sinais e sintomas

Dor;
Traumatopnéia;
Dispnéia, geralmente intensa;
Taquicardia;
Ausência de M.V.;
À ausculta, ouve-se o ruído de sucção de ar.;
Mecanismo pendular;
Visualização da ferida aberta no tórax.

Tratamento

Via aérea prévia com boa ventilação e O² suplementar.
Instalação de dreno de tórax.

Hemotórax
Consiste em um rápido acúmulo de sangue no espaço pleural, provocado pela laceração da artéria mamária ou veias intercostais após traumas penetrantes.

Sinais e sintomas

Choque;
Hipovolemia (sudorese, palidez, frequência cardíaca, hipotensão, perfusão capilar diminuída);
Diminuição ou ausência de M.V.;
Macicez à percussão;
Hipóxia;
Cianose;
Dispneia;
Veias do pescoço que podem estar colabadas nos casos de hipovolemia grave ou túrgidas por causa de efeitos mecânicos da presença de sangue em hemitórax lesado.

Tratamento

Restauração da volemia;
Hemotransfusão;
Auto-transfusão
Descompressão da cavidade torácica.
Toracotomia;
Drenagem de tórax.

Tórax instável

Caracterizado por fratura de múltiplos arcos costais, produzindo restrição na expansão pulmonar com consequente hipoventilação, associada a dor severa.
O diagnóstico é baseado principalmente no exame físico e na relação do mecanismo do trauma com a possibilidade de lesão.

Sinais e sintomas

Dor;
Crepitação óssea;
Afundamento;
Escoriações;
Hematomas;
Hipoventilação;
Movimentos torácicos assimétricos e incoordenados;
Cianose;
Dispneia.
Rx: mostra as fraturas de costelas mas não as cartilagens costais;
Gasometria arterial: hipóxia
o exame físico e na relação do mecanismo do trauma com a possibilidade de lesão.

Tratamento

Oxigênio úmido;
Reposição hídrica, que deve ser cuidadosa especialmente na hipotensão sistêmica, porque o pulmão lesado no tórax instável responde mal a hidratação;
Analgesia;
Intubação endotraqueal;
Ventilação mecânica.

Tamponamento cardíaco

Presença de líquido na cavidade pericárdica, comprimindo as câmaras cardíacas, promovendo restrição diastólica e colapso circulatório, nas contusões a sua origem pode ser ruptura cardíaca ou a lesão de vasos sanguíneos cardíacos.

Causas

Traumas sobre a região torácica anterior;
Lesão penetrante;
Seguir-se de cateterização cardíaca para diagnóstico o que pode produzir perfurações do coração e dos grandes vasos.

Sintomas

Ansiedade e inquietação;
Dificuldade respiratória;
Respiração acelerada;
Desmaios e tonturas;
Dores no peito;
Inchaço no abdome;
Pele pálida ou acinzentada;
Pulso fraco ou ausente;
Sonolência;
P.A. baixa.

Tratamento

Analgésicos: morfina e diuréticos;
Repouso absoluto;
Administrar O²;
Remoção do excesso de líquido (pericardiocentese);
Cardiorrafia (sutura do músculo cardíaco).

Complicações
Insuficiência cardíaca
Edema Pulmonar






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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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