Infravermelho na fisioterapia



São ondas eletromagnéticas cuja longitude de onda está entre 4.000 e 7.700 Aº. São emitidos por qualquer corpo aquecido e, quanto maior a temperatura do corpo emissor, menor o comprimento de onda. São ondas emitidas através de irradiação, ou seja, são emitidas somente quando encontram um meio onde acontece produção de calor.

Geradores de IV:

Qualquer corpo aquecido é capaz de produzir IV. Podem ser:

­Não luminoso:
Produz calor baseado no efeito Joule (toda vez que a eletricidade passa por um mau condutor, haverá liberação de calor).
Produz aquecimento do corpo, com liberação de raios IV não visuais; demora mais tempo para aquecer, de 10 a 15 minutos.
Ex: Forno de Backer

­Luminoso (40.000 a 35.000 Aº):
Produzido por lâmpadas de filamento de Tungstênio. O interior da lâmpada deverá ser espelhado para que seja aproveitada a reflexão interna e para que esta seja potencializada e liberada, sob a forma de calor.

Efeitos Fisiológicos

­Vasodilatação:
O calor produz uma dilatação nas arteríolas e capilares superficiais; ele também irrita as terminações nervosas superficiais, produzindo vasodilatação reflexa. Esta vasodilatação vai produzir a diminuição da irrigação profunda que, se prorrogada, produzirá vasodilatação reflexa profunda. Ocorrerá eritema cutâneo imediato, que tende a cessar logo que se interrompa a irradiação.

­Aumento do metabolismo:
Tem bases na lei de Vant Hoff que mostra como o calor é absorvido rapidamente; o aumento do metabolismo é superficial. Quando há aumento do metabolismo, há aumento da demanda de O2 e nutrientes, e conseqüente aumento de excreção.

­Efeito sobre a inervação sensitiva:
Calor suave produz → Efeito sedante nas terminações nervosas
Calor intenso → Ativa os receptores de dor e calor, produzindo efeito irritante
O IV luminoso é mais irritante devido a ação dos raios visíveis e ação mais localizada.

­Efeito sobre o tecido muscular:
A elevação da temperatura diminui a viscosidade tecidual; com isso, vai ocorrer aumento do relaxamento muscular, aumento do fluxo sanguíneo, aumento do aporte de O² e de glicose, melhorando a nutrição das mitocôndrias. Vai ocorrer aumento da produção de energia, aumentando a eficácia da contração e relaxamento. Se for aplicado numa musculatura antagonista, vai haver facilitação da ação dos agentes, melhorando o sincronismo.

­Destruição tecidual:
Calor excessivo irrita os tecidos e produz coagulação e desnaturação das proteínas, ou seja, produz queimadura.

­Aumento da pressão articular:
O calor aumenta o calibre dos vasos, diminuindo a resistência sanguínea devido à diminuição da viscosidade.

­Aumento da atividade das glândulas sudoríparas:
Quando do hipotálamo é informado do aumento da temperatura local, como tentativa de eliminar os catabólitos e o calor, vai acontecer um aumento de funcionamento das glândulas sudoríparas e, como ocorre disseminação do calor pela corrente sanguínea, este efeito é disseminado por todo o organismo.

­Aumento geral da temperatura:
Em tratamentos prolongados, vai ocorrer o aumento geral da temperatura, pois vão chegar informações de aumento de temperatura no hipotálamo que, como resposta, aumenta a temperatura geral para neutralizar a ação local.

Efeitos Terapêuticos:

­Diminuição da dor:
Seda as terminações nervosas livres, quando a dor for suave. A dor pode ocorrer por acúmulo de substâncias, que podem ser eliminadas pela vasodilatação, que aumenta a irrigação, o metabolismo, a assimilação de O2 e desassimilação dessas substâncias, diminuindo os catabólitos. Vai ocorrer diminuição dos catabólitos e diminuição da dor.

­Relaxamento muscular:
Devido à melhora da nutrição e retirada de catabólitos.

­Aumento da irrigação sanguínea:
Devido à vasodilatação.

­Eliminação de produtos residuais:
Pela ação das glândulas sudoríparas.

Técnica de Aplicação:

Escolha do Aparelho:
­Fase aguda → Não luminoso (menos irritante e mais sedante)
­Fase crônica → Luminoso (mais irritante, maior ação e melhor aceitação)

Preparo do paciente:

­Região desnuda
­Verificar sensibilidade para poder indicar a temperatura
­Motricidade: ação vasodilatadora e constrição diminuída
­Posição do paciente agradável, não mais se alterando durante o tratamento
­Sentir sensação agradável de calor
­Não tocar na lâmpada

Situação da Lâmpada:
­Região a ser tratada no centro da irradiação
­Perpendicular à área a ser tratada
­Distância de 60 a 120 cm
­Iniciar colocando numa distância maior e diminuir depois
­No forno, começar com as extremidades abertas, fechando depois; no caso de calor excessivo, abrir uma das extremidades

Técnica de Tratamento:

­Início → Distância maior
­Depois → Diminuir a distância
­Extremidades abertas
­Fechar depois
­Se a sudorese for intensa → Secar o paciente
­Se a sudorese for deficiente → Hidratar o paciente

Perigos:

Queimaduras:
Podem acontecer por:
­Toque na lâmpada
­Estar muito próximo do gerador
­Tempo excessivo de exposição
­Ausência de sensibilidade
­Quando o paciente dorme durante o tratamento; se isso acontecer, não vai poder informar a sensação desagradável.
­Linimento (gordura) na pele
­Plásticos e outros materiais sintéticos
­Irrigação sanguínea defeituosa
­Sudorese intensa

Descarga elétrica:
Se tocar em alguma parte exposta do circuito.

Aceleração de gangrena:
Quando aplicado em região com irrigação sanguínea defeituosa.

Cefaleias:
Devido a:
­Temperaturas elevadas (verão)
­Desidratação
­IV na região occipital

Sudorese:
Se o calor for excessivo.

Hipotermia:
No período de diminuição da P.A. vai haver diminuição de O2 cerebral, principalmente em irradiações excessivas.

Calafrios:
Nas aplicações extensas, pois aumenta a temperatura corporal, acarretando a sensação de calafrios reflexa.

Lesões oculares:
Pode produzir problemas por irradiação direta ou indireta, além das lesões da córnea.

Cuidados:

­Não usar toalhas ou roupas na região
­Proteger os olhos do paciente com algodão e tecido escuro
­Proteger a região occipital, em aplicações cervicais
­Secar as regiões com sudorese intensa
­Hidratar o paciente durante a aplicação
­Limpar a pele antes do tratamento
­Manter uma distância de 60 a 120 cm
­Manter uma angulação de 90 (lei do Coseno)
­Proteger os cabelos para evitar ressecamento

Contra-indicações:

­Circulação deficiente
­Zonas hemorrágicas
­Deficientes mentais
­Doentes psiquiátricos
­Tumores malignos

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Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

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