Umidificação e aquecimento durante a ventilação mecânica

O desenvolvimento da ventilação mecânica nos últimos anos como forma de suporte no tratamento da insuficiência respiratória de várias etiologias criou situações que leva à necessidade de modificação dos mecanismos fisiológicas de manutenção de calor e umidade do ar inspirado (LUCATO in SARMENTO et al, 2006).

O sistema de umidificação dos respiradores mecânicos tem sido constantemente apontado como uma importante fonte de bactérias, principalmente a água que permanece condensada dentro dos circuitos. A colonização da água pode provir do paciente ou de outras fontes, pois, nem sempre os germes são coincidentes (DIAS, PELLACINE e ZECHINELI, 1997).

Além disto, a respiração prolongada de gases inadequadamente condicionados através do tubo endotraqueal pode acarretar em espessamento das secreções podendo levar à obstrução das vias aéreas (BONASSA in CARVALHO, 1997), destruição do epitélio das vias aéreas, atelectasia e hipotermia (GALVÃO et al, 2006; THOMACHOT et al, 1998). Somado a isso, os gases secos e frios na via aérea são potentes broncoconstritores em pessoas suscetíveis (MACINTYRE ET AL, 1983).

De acordo com Lucato (2005), estes distúrbios estruturais e funcionais podem ocorrer com apenas 10 minutos de ventilação mecânica sem sistema de umidificação e aquecimento.

Por outro lado, podem ocorrer lesões por excesso de umidificação, como mudanças na tensão superficial e no gradiente de oxigenação alvéolo-arterial indicando inundação dos alvéolos (WILLIAMS, 1998).

De acordo com Poolacherla e Nickells (2006), as principais características de um umidificador ideal incluem:

- capacidade de promover adequados níveis de umidificação;
- baixa resistência ao fluxo de ar;
- pequeno espaço morto;
- promover proteção microbial ao paciente, aos equipamentos de anestesia ou ventilador mecânico;
- manter temperatura corporal;
- segurança e facilidade de uso;
- ser econômico.

A umidificação dos gases inspirados durante a ventilação mecânica pode ocorrer basicamente de duas formas:

- através dos umidificadores aquecidos (Uas), e
- através dos filtros trocadores de calor e umidades (HMEs).

O princípio básico de funcionamento dos Uas consiste na passagem do ar seco e frio vindo do ventilador mecânico através de um reservatório preenchido parcialmente com água aquecida sendo que, através de evaporação, o vapor d´água é misturado ao gás, elevando sua temperatura e umidade (BONASSA in CARVALHO, 1997).

As desvantagens dos Uas consistem no alto custo, condensação do vapor d´água no circuito do ventilador mecânico (propiciando a contaminação bacteriana), necessidade de energia elétrica e constante reabastecimento de água (BRANSON et al, 1993).

Outro sistema de umidificação e aquecimento consiste em um condensador higroscópico ou trocador de calor e umidade (HME) colocado próximo a cânula de intubação ou traqueostomia que tem a propriedade de conservar o calor e umidade das vias aéreas. Este dispositivo é conhecido como “nariz artificial” e com seu uso dispensa-se o nebulizador, que é retirado co circuito (DIAS, PELLACINE e ZECHINELI, 1997).


Autora: Nayala Lirio Gomes Gazola



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