Artrite séptica


É uma artrite aguda, causada por bactérias específicas, com produção de exsudato purulento.
A artrite séptica (ou supurativa) ocorre principalmente nas articulações do joelho, quadril e ombro de crianças.

Com frequência existe um foco infeccioso anterior, que infecta as articulações por via hematogênica (1). Menos frequentemente, a infecção se dissemina de um sítio adjacente, como na osteomielite (2) ou na celulite (3), ou por introdução direta através de procedimentos invasivos (4) ou uma ferida (5).


Vias de entrada de uma articulação

Etiologicamente, os agentes mais comuns são os Staphylococcus aureus ou o Staphylococcus albus e os estreptococos hemolíticos. Menos comuns são os pneumococos, meningococos, gonococos e febre tifóide.

Clinicamente, devem-se pesquisar antecedentes de traumatismo e infecção.

A principal queixa é a dor, que aumenta gradativamente de intensidade em algumas horas, tornando-se finalmente cruciante. Ela se acentua pelo movimento articular e, no caso das extremidades inferiores, pelo suporte de peso. Nesses casos o paciente também pode relatar claudicação.

Quando a articulação do quadril está acometida, a dor geralmente irradia-se ao longo da face interna da coxa até a face interna do joelho.

Os sintomas sistêmicos de infecção geralmente estão presentes e incluem calafrios, febre (40o C), sudorese, mal-estar, anorexia e, nas crianças, náuseas e vômitos.

De um modo geral, apenas uma articulação está comprometida.

Ao exame físico, pode-se observar uma posição antiálgica com flexão parcial da perna, quando o joelho é acometido, ou com flexão, abdução e rotação externa da coxa, quando a infecção é na articulação do quadril, pois essas são as posições de maior relaxamento da cápsula articular.

A articulação acometida mostra-se edemaciada, hiperemiada, quente e dolorosa. Os músculos encontram-se em espasmo protetor.

Laboratorialmente, o hemograma mostra uma leucocitose elevada, com predominância de leucócitos polimorfonucleares; a velocidade de hemossedimentação está elevada; e as proteínas C-reativas apresentam-se positivas.

No início da doença, as radiografias mostram apenas um aumento das partes moles.

Quando a infecção persiste, pode ocorrer osteoporose de todos os ossos adjacentes à articulação acometida. Com a destruição das cartilagens, ocorre um estreitamento da linha articular.

A artrite degenerativa é uma sequela tardia. Também pode ser observada uma osteomielite vizinha.

Terapeuticamente, é indispensável uma drenagem ampla, que é capaz de evitar septicemia, infecção óssea e anquilose incapacitante quando realizada precocemente.

As aspirações são condenadas pois o líquido articular reacumula-se rapidamente e continua a destruição.

A antibioticoterapia deve ser feita em quantidade adequada. Pode-se associar a penicilina ou uma cefalosporina, que combatem a maioria dos organismos Gram-positivos, com um aminoglicosídeo, que é eficaz contra organismos Gram-negativos. A administração de aminoglicosídeos exige monitoramento para a ototoxicidade e nefrotoxicidade.

Como os antibióticos administrados por via intravenosa ou intramuscular não passam prontamente pela sinovial inflamada, eles podem ser introduzidos de forma direta dentro da articulação por gotejamento constante.

O membro acometido deve ser imobilizado e elevado pois os movimentos durante a fase aguda são contra-indicados.

Na fase subaguda de restabelecimento, a articulação deve ser delicada e passivamente movimentada a cada dia como uma precaução à formação de aderências anquilosantes.

Quando o quadril ou o joelho é afetado, é aconselhável uma tração, que imobiliza e afasta as superfícies articulares.

O tratamento de apoio inclui líquidos, transfusões, dieta altamente nutritiva e sedação.

Em geral, a temperatura volta ao normal, a drenagem desaparece e as feridas se fecham espontaneamente. Nos casos raros em que a infecção evolui irreversivelmente e constitui uma ameaça grave à vida do paciente, está indicada a amputação.


Fonte: Romero, Frederico – UFPR

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