Transtorno do Espectro Autista

Conceito 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes condições marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. 

São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.



Histórico 

O termo autismo foi criado em 1908 pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuler para descrever a fuga da realidade para um mundo interior observado em pacientes esquizofrênicos. 

Em 1944 Hans Asperger escreve o artigo “A psicopatia autista na infância”, destacando a ocorrência preferencial em meninos, que apresentam falta de empatia, baixa capacidade de fazer amizades, conversação unilateral, foco intenso e movimentos descoordenados. 

A ONU no ano 2007 instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. 

Em 2015 A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.145/15) cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que aumenta a proteção aos portadores de TEA ao definir a pessoa com deficiência como “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”.



Classificação 

1- Autismo clássico: os indivíduos são voltados para si mesmos, não olham para as outras pessoas nos olhos; conseguem falar, mas não usam a fala como ferramenta de comunicação. 

Embora possam entender enunciados simples, têm dificuldade de compreensão e apreendem apenas o sentido literal das palavras. 

Não compreendem metáforas nem o duplo sentido, repetem movimentos estereotipados, sem muito significado ou ficam girando ao redor de si mesmas 

2- Autismo de alto desempenho (também chamado de síndrome de Asperger) 

Os portadores apresentam as mesmas dificuldades dos outros autistas, mas numa medida bem reduzida. São verbais e inteligentes. Tão inteligentes que chegam a ser confundidos com gênios, porque são imbatíveis nas áreas do conhecimento em que se especializam. Quanto menor a dificuldade de interação social, mais eles conseguem levar vida próxima à normal. 

3- Distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação (DGD-SOE) 

Os indivíduos são considerados dentro do espectro do autismo, mas os sintomas não são suficientes para incluí-los em nenhuma das categorias específicas do transtorno, o que torna o diagnóstico muito mais difícil.



Espectro Autista 

Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA ou ASD em inglês), recebe o nome de espectro (spectrum), porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leves à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau estão relacionadas, com as dificuldades de comunicação e relacionamento social.



Causas do Autismo 

Estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica que estavão alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. 

A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos, biológicos e ambientais. No entanto, saber como o cérebro dessas pessoas funciona ainda é um mistério para ciência.



Fisiopatologia 

Para a maioria dos casos de TEA, não existem sinais clínicos que indiquem uma alteração genética específica. 

No entanto, o TEA pode fazer parte da sintomatologia de alguns transtornos monogênicos (ligada a apenas uma mutação do cromossomo x) e metabólicos. Por isto, uma avaliação clínica cuidadosa do paciente e o estudo da história familiar, que fornecem informações sobre possíveis padrões de herança, podem melhorar a precisão do diagnóstico e a escolha dos testes moleculares apropriados para serem usados em cada caso específico.



Incidência 

Há tempos era considerado uma condição rara, que atingia uma em cada 2 mil crianças. Hoje, as pesquisas mostram que 1 em cada cem crianças pode ser diagnosticada com algum grau do espectro, e afeta mais os meninos do que as meninas. 

Em geral, o transtorno se instala nos três primeiros anos de vida, quando osneurôniosque coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias. 

As manifestações na adolescência e na vida adulta estão correlacionadas com o grau de comprometimento e com a capacidade de superar as dificuldades seguindo as condutas terapêuticas adequadas para cada caso desde cedo.



Diagnóstico 

É essencialmente clínico, realizado por meio de observação direta do comportamento do paciente e de uma entrevista com os pais ou cuidadores. 

Ainda não há marcadores biológicos e exames específicos para autismo, mas alguns exames, como o cariótipo com pesquisa de X frágil, o eletroencefalograma (EEG), a ressonância magnética nuclear, os erros inatos do metabolismo, o teste do pezinho, entre outros. 

Baseia-se nos sinais e sintomas e envolve prejuízos na interação social e na comunicação, além da presença de padrões restritos de comportamento e interesses.



Tratamento Clínico 

Ainda não se conhece a cura definitiva para o transtorno do espectro do autismo. Da mesma forma não existe um padrão de tratamento que possa ser aplicado em todos os portadores do distúrbio. 

Cada paciente exige um tipo de acompanhamento específico e individualizado que exige a participação dos pais, dos familiares e de uma equipe profissional multidisciplinar visando à reabilitação global do paciente. 

O uso de medicamentos só é indicado quando surgem complicações e comorbidades.



Escalas de Avaliação 

Os dois instrumentos mais utilizados: 

A CARS é uma escala de avaliação indicada para crianças acima dos dois anos de idade, sendo composta por 15 itens, que auxiliam na identificação de crianças e adolescentes com autismo. O instrumento diferencia o autismo leve, moderado e grave. 

A MIF – Medida de Independência Funcional, é um instrumento capaz de medir o grau de solicitação de cuidados. A MIF pode ser utilizada em crianças, adolescentes e adultos. 

Trata-se de uma avaliação que não compreende só atividades motoras, mas também os aspectos cognitivos e relativos à comunicação. Tem como objetivo avaliar de forma quantitativa os cuidados de uma pessoa para realização de uma série de tarefas de vida diária.



Tratamento Fisioterapêutico 

Atividades lúdicas (rolar e sentar, chutar bolas, bozu) treino de marcha na esteira, subir e descer escadas, exercícios na bola terapêutica, pegar e soltar objetos, arremessos de bolas e brinquedos, estimulação nas mãos e nos braços com diferentes texturas e objetos de diferentes tamanhos, uso de tapete sensorial. 

Estas atividades auxiliam para modulação de tônus muscular, fortalecimento da musculatura de membros superiores e inferiores, dissociação de cintura pélvica e escapular, melhora de equilíbrio, coordenação motora fina e propriocepção, abrangendo também aspectos psicológicos da criança, referentes à autoconfiança e a auto-estima. 



Referências Bibliográficas 


Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral - Rev Bras Psiquiatr. 2006;28 (Supl I):S3-11 

Autismo e Realidade - https://autismoerealidade.org.br/o-que-e-o-autismo/ - acesso em 16/11/2019 

FERREIRA, Jackeline Tuan Costa et al . Efeitos da fisioterapia em crianças autistas: estudo de séries de casos.Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv., São Paulo , v. 16,n. 2,p. 24-32,dez. 2016. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-03072016000200005&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 16 nov. 2019. 

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Identifique-se para uma troca saudável

Como fazer download no 4shared

Termos de uso

Ano XII - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger .

TOPO