Respiração ou ritmo de Cheynes-Stokes

Caracteriza-se pela alternância de períodos de apneia, seguidos por hiperpneia crescente e decrescente, até a instalação de nova apneia, e, assim, sucessivamente. O período de apneia pode durar de 3 a 30 segundos, e os ciclos repetem-se a cada 40 segundos a 3 minutos.

Esse ritmo respiratório ocorre mais comumente em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave, podendo também estar presente em vigência de lesões do sistema nervoso central e hipertensão intracraniana. Nos casos de insuficiência cardíaca, sua gênese é explicada pelo aumento do retardo circulatório dos pulmões para o cérebro. Nessa situação, ocorre uma dissociação entre os valores de pH e PaCO2 no nível pulmonar e no nível dos quimiorreceptores centrais, levando ao surgimento da respiração periódica.



Lúpus eritematoso sistêmico e fisioterapia

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica, multissistêmica, de etiologia desconhecida e de natureza auto-imune. (SATO, et al., 2002; VELÁZQUEZ, 2005).

Segundo Marck (2008), uma pessoa que tem o LES desenvolve auto-anticorpos, ou seja, anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos, sendo por isso considerada uma doença auto-imune, já que o organismo desenvolve uma resposta imunológica contra componentes próprios aparentemente saudáveis.

Apresenta períodos de remissões agudas e crônicas, podem apresentar distúrbios na imunidade humoral e celular. Fatores genéticos, ambientais e hormonais podem desempenhar algum desequilíbrio do sistema imune, com a produção de auto-anticorpos, alguns dos quais comprovadamente participam da lesão tecidual (SATO, et al., 2002; AYACHE e COSTA, 2005; VELÁZQUEZ, 2005).

Incidência

Cerca de 90% dos indivíduos com lúpus são mulheres na idade reprodutiva, iniciando-se mais comumente entre 15 e 40 anos, numa proporção de nove a dez mulheres para um homem com idades entre 15 e 40 anos, mas as crianças, sobretudo as meninas, homens e mulheres idosos também podem ser afetados (SATO, et al., 2002; VELÁZQUEZ, 2005).

No Brasil, o único dado de incidência de LES é na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, onde indicava uma estimativa de 8,7 casos novos por 100.000 habitantes, no ano de 2000 (VILAR, RODRIGUES e SATO, 2003).

Etiologia

O LES é uma doença complexa, e sua causa é desconhecida, provavelmente tem como causa uma combinação de genética, ambiente, e possivelmente fatores hormonais (SKARE, 2007; POLESE, 2009).

Características Clínicas

O acometimento de diversos órgãos e/ou sistemas pode ocorrer de forma simultânea ou sequencial. A frequência dos diversos acometimentos varia conforme a composição étnica e o tempo de evolução da doença (POLESE, 2009).

Segundo Polese, (2009), cada pessoa com LES tem sintomas levemente diferentes, que podem variar desde leves a severos, e podem aparecer e desaparecer com o tempo. Porém, alguns dos sintomas mais comuns de lúpus incluem artrite, febre sem explicação, e fadiga extrema.

Podem aparecer feridas na face, orelhas, braços, ombros, peito e mãos. Uma vez que muitas pessoas com lúpus são sensíveis à luz solar, as feridas na pele geralmente aparecem primeiramente ou pioram depois da exposição ao sol. Algumas pessoas também apresentam dor de cabeça, tontura, depressão. Alguns sistemas do corpo também podem ser afetados pelo LES, como: sistema renal, sistema respiratório, sistema nervoso central, e sistema cardiovascular (COUTO, et al., 2008; POLESE, 2009).

Diagnóstico

O diagnóstico do LES pode ser difícil, pode levar meses, ou até anos, para que os médicos reúnam os sintomas para diagnosticar essa doença complexa com precisão. O diagnóstico é baseado em exames clínicos e de  laboratório. Entre os critérios clínicos, o Ministério da Saúde (MS) relaciona a fotossensibilidade, úlceras orais, artrite, nefrite, alterações neurológicas. Entre os critérios laboratoriais, o MS aponta alterações hematológicas, imunológicas e anticorpo antinuclear (SATO, et. al, 2002; POLESE, 2009).

Existem onze critérios diagnósticos para o LES, e para confirmação deste é necessário que o paciente apresente pelo menos quatro dessas características (SATO, et. al, 2002; POLESE, 2009).

- Eritema malar: eritema fixo, plano ou elevado, sobre as eminências malares, tendendo a poupar sulco nasolabial.

- Lesão discóide: placas elevadas, eritematosas, com descamação ceratótica e crostículas; cicatrizes atróficas podem aparecer em lesões antigas.

- Fotossensibilidade: eritema cutâneo, às vezes maculopapular, como resultado de uma exposição solar.

- Úlceras orais: ulceração oral ou nasofaringeana, indolor, observada pelo médico. Artrite: artrite não erosiva, envolvendo duas ou mais articulações periféricas.

- Serosite: pleurite ou pericardite documentada por exames radiológicos.

- Alteração Renal (Nefrite): proteinúria maior que 0,5g/24 h, presente em 3 amostras, e/ou alterações no sedimento urinário (hematúria, cilindros granulosos).

- Distúrbio neurológico: convulsões e psicose (descartando distúrbios metabólicos, infecção ou uso de medicações).

- Alterações hematológicas: anemia hemolítica, auto-imune, com reticulocitose, ou Leucopenia: GB < 4.000 cel/mm3, em 2 ou mais ocasiões, ou linfopenia: linfócitos < 1.500 cel/mm3, em 2 ou mais ocasiões ou trombocitopenia: plaquetas < 100.000 cel/mm3, na ausência de drogas desencadeadoras.
- Alterações imunológicas: presença de anticorpos, como anticardiolipina, ou de anticorpos contra DNA nativo, ou de anticorpos contra antígeno nuclear Sm, ou teste para Lues falsamente positivo, confirmado com teste de fluorescência, com anticorpo contra o Treponema pallidum (FTAbs), negativo.

- Fator antinuclear (FAN): títulos anormais de anticorpo antinuclear, por imunofluorescência ou teste equivalente, na ausência de utilização de drogas indutoras de LES (SATO, et. al, 2002; POLESE, 2009). A fisioterapia é utilizada para prevenir surtos ou tratá-los quando ocorrem e também reduzir os danos aos órgãos e outros tecidos.

Tratamento

O tratamento do LES deve ser de forma global, tendo como medidas gerais a educação do paciente e da família quanto a gravidade da doença, os recursos para o seu tratamento, a importância da atividade física. A necessidade de apoio psicológico, obter uma dieta balanceada, evitar fotoproteção e o tabagismo também são medidas que devem ser tomadas (POLESE, 2009).

Tratamento fisioterapêutico

Um dos motivos mais importantes do tratamento fisioterapêutico é manter habilidade para as atividades funcionais, o que depende da capacidade física do indivíduo, sujeita a muitas variáveis, como, alterações na função cardiorrespiratória, força muscular e flexibilidade (SKARE, 2007; POLESE, 2009).

Para grande maioria das pessoas, um tratamento efetivo pode minimizar os sintomas, reduzir as inflamações e manter as funções do corpo íntegras. Medidas preventivas podem reduzir os riscos de uma crise. A focalização do tratamento é baseada em necessidades e sintomas específicos de cada pessoa. Pelo fato das características e do curso do Lúpus variar significativamente de pessoa para pessoa, é importante enfatizar que uma avaliação médica constante é essencial para assegurar um diagnóstico e tratamento adequados (NOGUEIRA, et.al, 2009).

Como o lúpus não é incapacitante, salvo raras exceções, a fisioterapia em seu tratamento visa prevenir problemas e restaurar o equilíbrio osteomuscular. O paciente deve sempre fazer exercícios, para prevenir que a musculatura fique hipotrofiada. Devem-se trabalhar todas as articulações do corpo, e estar sempre atento ao quadro clínico do paciente, pois medidas fisioterápicas que podem aliviar algum dos problemas decorrentes podem vir a ser uma contra indicação de algum outro quadro clínico (NOGUEIRA, et. al, 2009).

Os programas de exercícios para o LES devem enfatizar a força e a resistência, com exercícios aeróbicos de baixo impacto. Os programas devem incluir fortalecimentos isotônicos e isométricos da musculatura adjacente as grandes articulações e manutenção da amplitude de movimento, mas se a necrose avascular estiver presente, apenas os exercícios isométricos são indicados (SKARE, 2007; POLESE, 2009).

A diminuição da capacidade aeróbica é comum nos pacientes com LES e é provável que sua causa seja o descondicionamento dos músculos periféricos. O descondicionamento físico e a fadiga rápida em pacientes com LES pode ser resultado da difusão danificada do oxigênio nos músculos  periféricos inflamados nos pacientes com a doença ativa (SKARE, 2007; POLESE, 2009).

Embora o prognóstico de pacientes com LES tenha melhorado muito nas últimas décadas, muitos pacientes continuam não respondendo à terapêutica atualmente utilizada (NOGUEIRA, et al., 2009).

Geralmente pacientes submetidos a tratamento fisioterapêutico junto com o tratamento medicamentoso e apoio psicológico, apresentam um quadro mais estável da doença (SKARE, 2007; NOGUEIRA, et al., 2009; POLESE, 2009).

Sugestão de protocolo fisioterapêutico baseado em cinesioterapia e hidrocinesioterapia.

Cinesioterapia

Fortalecimento de flexores de ombro com bastão sem carga (2x10);
Fortalecimento dos membros superiores por meio das diagonais do método Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva com faixa elástica verde (2x10);
Fortalecimento de bíceps braquial com halter de 1kg (2x10);
Fortalecimento de músculos rotadores internos e externos de ombro com faixa elástica rosa (3x10);
Fortalecimento dos músculos dorsiflexores e platiflexores de tornozelo com faixa elástica verde (2x10);
Fortalecimento de músculos adutores de coxa com bola (2x10);
Fortalecimento dos flexores e extensores de joelho com caneleira 1kg (2x10);
Fortalecimento de punhos com halter 500g (2x10);
Fortalecimento de dedos com digiflex amarelo e fortalecedor de dedos (1x10);
Mobilizações articulares passivas de tornozelos, punhos, metacarpos, metatarsos e falanges;
Exercícios de equilíbrio, propriocepção e transferência de peso no balance pad e cama elástica;
Pompagens das regiões cervical, escapular, peitoral e sacral;
Alongamentos ativos globais no final da sessão dos principais grupos musculares dos membros superiores e inferiores e de tronco (15 segundos cada grupo muscular);

Hidrocinesioterapia 

Marcha estacionária (3 minutos);
Fortalecimento de músculos flexores, extensores, adutores e abdutores de quadril, flexores e extensores de joelhos, flexores, extensores, adutores e abdutores de ombro com flutuadores (2x10);
Mini agachamentos, progredindo para mini agachamentos associado a fortalecimento de músculos adutores de coxa com uma bola de voleibol entre as coxas (2x10);
Bicicleta estacionária em decúbito dorsal com flutuadores na região escapular (5 minutos);
Saltos alternados (2x10);
Exercício de “sky cross-country” (2 minutos), que são movimentos de flexão e extensão dos membros superiores e inferiores contralaterais, alternadamente;
Caminhada em torno da piscina de frente e de costas (2 voltas ao redor da piscina);
Alongamentos finais dos principais grupos musculares dos membros superiores e inferiores e de tronco, de modo ativo assistido (15 segundos cada grupo muscular).



Fonte: Atuação fisioterapêutica no tratamento de lúpus eritematoso sistêmico - FERREIRA, Natalie Cardoso de Almeida e ZUTTIN, Roberta silva - internet


Reabilitação pós operatório menisco



Sugestão de protocolo fisioterapêutico em pacientes submetidos à meniscectomia parcial por artroscopia

1e 2 semanas

Inicialmente realiza-se a avaliação do paciente, onde são colhidos os seus dados pessoais, o diagnóstico e o mecanismo pelo qual ocorreu a lesão, a perimetria e a goniometria do membro inferior acometido.

A – Mobilização Articular: é realizada de  forma gradual e progressiva, respeitando a individualidade de cada paciente. Nesta fase inicial do tratamento é enfatizado o ganho de mobilidade articular do joelho em movimentos de flexão e extensão. Durante os exercícios, o paciente deverá realizar o máximo de repetições possíveis para uma recuperação melhor e mais rápida da mobilidade articular.

I) Paciente em decúbito dorsal executando movimentos ativo-assistidos e ativos de flexão e extensão do joelho operado até o limite permitido pelo paciente.

2) Paciente em decúbito dorsal, com o quadril fletido a 90 graus, pés apoiados na parede, com o auxílio do membro inferior não operado servindo como apoio ao membro operado, faz-se o deslizamento do pé executando a flexão e extensão do joelho.

3) Paciente sentado com uma toalha em baixo do pé do membro inferior operado, pede-se ao paciente que deslizasse a toalha no chão realizando movimentos de flexão e extensão do joelho.

4) Paciente sentado em uma maca, com as pernas suspensas, este cruza uma perna sobre a outra, a perna não operada deverá estar primeiramente em baixo da perna operada, fazendo a extensão do joelho. Depois troca-se a posição das pernas e a perna não operada força a flexão do joelho da perna operada.

B) Straight Leg Raised (SLR) ou fortalecimento dos quadrantes do quadril.

1) Paciente em pé, apoiado sobre a perna não operada. Executa-se primeiramente a flexão do quadril, depois a extensão, seguindo-se da abdução e adução do quadril. Cada um desses movimentos deverá ser realizado em 3 séries de 10 repetições.

C) Transferência de peso com o paciente em pé entre as barras paralelas.

Esses exercícios para transferência de peso são realizados no 2° e 3° dias.

1) Paciente em pé com as pernas afastadas, executando transferências de peso látero-Iaterais sobre a perna operada, mantendo o peso sobre ela por 5 segundos durante 2 minutos.

2) Paciente em pé, com a perna operada à frente da outra perna e um pouco afastada desta. O paciente executa movimentos ântero-posteriores sustentando o peso sobre a perna operada por 5 segundos durante I minuto. Depois troca-se a posição das pernas colocando-se a perna operada para trás e realizando o mesmo movimento também por 5 segundos durante I minuto.

D) Isometria de Quadríceps e Adutores.

1) Paciente sentado, com as costas apoiadas na parede. Coloca-se um travesseiro embaixo das duas coxas e uma bola entre elas. Pede-se ao paciente que aperte o travesseiro contra o colchonete enquanto aperta a bola entre as coxas. O paciente realiza 6 a 8 séries, mantendo 10 segundos cada contração.

E) A partir do 4° dia inicia-se a sessão com o paciente fazendo 10 minutos de bicicleta ergométrica, mas não realizando o ciclo completo ao pedalar. A partir do 10°dia inicia-se o ciclo completo, onde o paciente começa pedalando 5 minutos para frente e após 5 minutos para trás, sendo que neste último trabalha melhor a extensão do joelho.

F) Inicia-se os alongamentos a partir do 5° dia.

1) Alongamento da musculatura Flexora do Quadril e do Músculo Quadríceps.

Paciente em pé, onde apoia as duas mãos no encosto de uma cadeira que está à sua frente, desloca a perna não operada para a frente, flexionando o joelho até que este esteja na mesma altura do tornozelo desta mesma perna. A seguir apoia a perna operada no encosto de outra cadeira, promovendo assim o alongamento da musculatura flexora do quadril e do músculo quadríceps. O paciente executa 4 séries permanecendo 20 segundos na posição de alongamento, relaxando a cada série.

2) Alongamento da musculatura Ísquio-tibial.

Paciente deitado com as pernas apoiadas e esticadas na parede. Coloca-se um lençol na região da planta do pé da perna operada forçando um movimento de dorsiflexão do tornozelo. O paciente executa 4 séries, permanecendo 20 segundos na posição de alongamento.

3) Alongamento da musculatura Plantiflexora do Pé (panturrilha).

Paciente em pé com as mãos apoiadas na parede e os cotovelos esticados. Dobra uma das pernas e leva o pé a frente apoiado no chão, enquanto a outra perna fica reta e atrás. Leva os quadris lentamente a frente, o pé da perna esticada totalmente apoiado, os artelhos apontados para frente, ou no máximo ligeiramente voltados para dentro. O paciente executa 4 séries, permanecendo 20 segundos na posição de alongamento.

4) Alongamento da musculatura Adutora do Quadril.

Paciente deitado com as pernas apoiadas na parede, encostando os calcanhares. Afasta-se as pernas esticadas na parede até sentir um suave alongamento na parte interna da coxa. O paciente executa 4 séries, permanecendo 20 segundos na posição de alongamento.

5) Alongamento da musculatura Abdutora do Quadril.

Paciente sentado com as costas apoiadas na parede dobra o joelho da perna operada em um ângulo de 90 graus por cima da perna não operada que permanecerá esticada. Com o braço do lado oposto à perna dobrada, puxa-a contra o seu corpo, sentindo o alongamento na região lateral externa da coxa. O paciente executa 4 séries, permanecendo 20 segundos na posição de alongamento.

G) Ao final de cada sessão é realizada a Crioterapia com o objetivo de diminuir o edema na região do joelho.

Posiciona-se o paciente em decúbito dorsal, a perna operada é elevada e apoiada sobre alguns travesseiros. São associados movimentos de planti e dorsiflexão de tornozelo colocando-se compressas de gelo por 20 minutos sobre o joelho operado.

3 e 4 semanas

A) Cada sessão é iniciada com o paciente realizando 10minutos de bicicleta ergométrica executando o ciclo completo, pedalando 5 minutos para frente e 5 minutos para trás.

B) Neste período do tratamento, é dada continuidade a alguns exercícios de mobilização para amplitude de movimento, objetivando a manutenção da amplitude que foi ganha e que neste momento já deve ser total.

C) São realizados também os alongamentos descritos anteriormente na 1e 2 semanas com o mesmo número de repetições.

D) Straight Leg Raised (SLR), agora com o paciente deitado executando os movimentos do quadril, enfatizando o ganho de resistência da musculatura trabalhada.

Os movimentos são realizados sem peso e com maior número de repetições, visando o ganho de resistência da musculatura debilitada.

1) Musculatura Flexora do Quadril: paciente em decúbito dorsal, a perna não operada fletida e com o pé apoiado no colchonete. O paciente executa a flexão do quadril da perna operada com o joelho estendido, sendo que a perna não deve ultrapassar durante o movimento, a altura da perna que estará apoiada. O paciente realiza 3 séries de 40 repetições.

2) Musculatura Adutora do Quadril: paciente em decúbito lateral, sobre a perna operada, a perna não operada permanece fletida e apoiada no colchonete por trás da outra. Com a perna que está por baixo, executa a adução do quadril. O paciente realiza 3 séries de 40 repetições.

3) Musculatura Abdutora do Quadril: paciente em decúbito lateral, sobre a perna não operada, que está fletida. Com a perna operada realiza movimentos de abdução do quadril com o joelho estendido e perna sendo elevada até a altura do quadril. O paciente realiza 3 séries de 40 repetições.

4) Musculatura Extensora do Quadril: paciente em decúbito ventral, com os antebraços apoiados no colchonete e a cabeça relaxada sobre eles. Os joelhos também deverão estar apoiados em um ângulo de 90 graus com o quadril. Realiza a extensão do quadril com o joelho estendido sendo, que ao retomar do movimento, a perna operada não deverá aproximar-se muito do colchonete. O paciente realiza 3 séries de 40 repetições.

E) Neste período é iniciado o trabalho de propriocepção estática, utilizando como recursos um balancim e uma cama elástica pequena. Inicialmente os exercícios são executados com o apoio dos dois pés (bipodal) e posteriormente com o apoio apenas da perna operada (unipodal).

1) O paciente em cima do balancim, realiza movimentos de planti e  dorsiflexão do tornozelo. Depois se associa aos movimentos acima movimentos do joelho. Durante a planti-flexão faz flexão do joelho e ao realizar a dorsi-flexão faz a extensão do joelho. O paciente realiza esses exercícios durante 5 minutos.

2) Muda-se o balancim de posição. Então o paciente transferi o peso do corpo de um lado para o outro, sendo que a perna que está recebendo o peso do corpo estará com o joelho estendido enquanto a outra perna estará com o joelho fletido e assim sucessivamente. O paciente realiza esse exercício durante 3 minutos.

3) Paciente em cima da cama elástica, inicialmente transfere o peso corporal para frente e para trás sucessivamente, com a perna operada na frente da perna não operada e afastadas entre si. Posteriormente inverte a posição das pernas. Depois posiciona as pernas urna ao lado da outra e um pouco afastadas e realiza movimentos látero-Iaterais transferindo agora o peso para os lados.

Posteriormente, no início da 4a semana, associa-se o movimento de flexão do joelho com as transferências de peso ântero-posteriores e látero-Iaterais. O paciente realiza esses exercícios durante 5 minutos.

5 e 6 semanas

A) Bicicleta ergométrica para aquecimento (10 minutos).

B) Alongamentos citados anteriormente na 1e 2semanas.

C) Nesta fase é iniciado o trabalho de fortalecimento muscular. O paciente é orientado a utilizar as mesmas posições dos exercícios para o quadril com objetivo de fortalecer a musculatura flexora, extensora, adutora e abdutora do quadril. Para isso utilizaremos como recurso uma caneleira com peso de 1Kg, que será colocada na altura do tornozelo da perna operada. A partir da 6 semana, após o paciente ter se adaptado a este peso, passaremos a utilizar uma caneleira de 2Kg.

1) Fortalecimento da Musculatura Extensora do Joelho: paciente sentado em uma cadeira. Coloca-se uma caneleira de 1Kg no tornozelo da perna operada, executando movimentos de flexo-extensão do joelho. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

2) Fortalecimento da Musculatura Flexora do Joelho: paciente em pé, de frente para uma parede, sendo que esta servirá de apoio para a perna operada. O paciente encosta a região anterior da coxa da perna operada na parede e com esta perna realiza a flexo-extensão do joelho com uma caneleira de 1 kg na altura do tornozelo. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições deste movimento.

D) Também são realizados exercícios de agachamento com o objetivo de fortalecer a musculatura extensora do joelho. Durante a quinta semana o agachamento é realizado com os dois pés do paciente apoiados no chão (bipodal), a partir da sexta semana o agachamento passa a ser com o apoio somente da perna operada (unipodal).

1) Paciente em pé encostado na parede, com as pernas uma ao lado da outra e afastadas entre si. Realiza exercícios de agachamento com apoio bipodal, sempre permanecendo com os pés inteiramente apoiados no chão. Depois permanecendo na mesma posição, alterando apenas o apoio que passou a ser unipodal, realiza exercícios de agachamento. O paciente executa 3 séries de 10 repetições, tanto em apoio bipodal quanto em apoio unipodal.

E) Propriocepção: o paciente realiza os mesmos exercícios com o balancim e a cama elástica, citados na terceira e quarta semanas, que também são executados com apoio apenas da perna operada (unipodal).

1) Realizam-se também exercícios mais dinâmicos de propriocepção: paciente em cima da cama elástica saltitou de um lado para o outro, depois para frente e para trás, pulando e girando em 360 graus e pulando somente com a perna operada.

Durante esses exercícios o terapeuta utiliza uma bola (com o tamanho de uma bola de vôlei) e a arremessava ao paciente, que de acordo com os comandos do fisioterapeuta, ora chuta, ora arremessa a bola com as mãos de volta ao fisioterapeuta. O paciente realiza estes exercícios durante 10 minutos.

2) Realizam-se também exercícios de propriocepção com a utilização de colchonetes.Utiliza-se um número variado de colchonetes em cada sessão (2 a 6 colchonetes dispostos aleatoriamente). Essa quantidade variada de colchonetes que são utilizados possui uma importância relevante pois estabelece diferentes graus de dificuldade, exigindo do paciente maior equilíbrio e coordenação, pretendendo proporcionar um trabalho eficaz de propriocepção ao membro deficitário. Dispondo a quantidade e posição dos colchonetes de acordo com a escolha do fisioterapeuta, o paciente inicia os exercícios andando com os pés em inversão e eversão, com a ponta dos pés e com o apoio somente no calcanhar. Continua andando com um pé à frente do outro, andando de lado sem cruzar as pernas e após cruzando. Também realiza corridas de lado e cruzando as pernas, anda de costas, de frente realizando flexão do quadril e do joelho com uma perna e depois com a outra. O paciente realiza esses exercícios durante 10 a 15 minutos.

7 e 8 semanas

A) Bicicleta ergométrica (frente e trás) durante 10 minutos.

B) Alongamentos (descritos anteriormente).

C) Fortalecimento Muscular com Theraband azul durante a sétima semana e durante a oitava semana com theraband preto. Nesta fase não utiliza-se mais as caneleiras de 1Kg e 2Kg.

1) Fortalecimento da Musculatura Flexora do Quadril: paciente em pé apoiando-se em uma barra, com uma perna ao lado da outra e um pouco afastadas entre si. O elástico é amarrado com uma de suas extremidades na barra enquanto a outra extremidade é presa ao tornozelo do paciente. O paciente realiza movimentos de flexão do quadril sem fletir o joelho. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

2) Fortalecimento da Musculatura Extensora do Quadril: paciente em pé, com as pernas um pouco afastadas, o elástico preso ao tornozelo, o paciente realiza movimentos de extensão do quadril, sem fletir o joelho. O paciente executa 4 séries de 10 repetições.

3) Fortalecimento da Musculatura Abdutora do Quadril: paciente em pé, com as pernas um pouco afastadas, o elástico preso ao tornozelo. Realiza movimentos de abdução do quadril, deixando o joelho estendido. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

4) Fortalecimento da Musculatura Adutora do Quadril: paciente em pé, com as pernas um pouco afastadas, o elástico preso ao tornozelo. Realiza movimentos de adução do quadril, sem fletir o joelho. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

5) Fortalecimento da Musculatura Extensora do Joelho: paciente sentado em uma cadeira, com as pernas uma ao lado da outra, com o elástico preso ao seu tornozelo. Realiza movimentos de flexo-extensão do joelho. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

6) Fortalecimento da Musculatura Flexora do Joelho: paciente em pé, com as pernas uma ao lado da outra, uma das extremidades do elástico presa na barra e a outra presa na coxa do paciente. O paciente realiza aproximadamente 10 graus de movimento de flexo-extensão de quadril ejoelho sem tirar o pé do chão. O paciente realiza 4 séries de 10 repetições.

D) Propriocepção: são realizados os exercícios de propriocepção da quinta e sexta semanas citados anteriormente (com o balancim, cama elástica e colchonetes). O paciente realiza esses exercícios durante aproximadamente 20 minutos.


Autora: Eliane Regina Cordova - internet


Lesões dos meniscos

Segundo Amatuzzi et al. (2003), a lesão do menisco ocorre por trauma rotacional. Com o pé apoiado no solo a rotação se faz no fêmur, para dentro, nas lesões internas e para fora, nas externas. Outro mecanismo de lesão meniscal é a que ocorre quando há a rotação do corpo sobre o joelho hiperfletido. Este tipo de lesão é comum em mineradores que cavam com picaretas dentro de túneis baixos.

Lesões meniscais ocorrem tipicamente na aplicação de forças específicas enquanto o joelho está em certas posições. Durante a flexão, se a tíbia é rodada internamente, o corno posterior do menisco medial é puxado para o centro da articulação. Este movimento pode produzir uma tração do menisco medial que ocasiona lesão, forçando as fixações periféricas do menisco e produzindo lesão longitudinal do menisco. Lesão no corno posterior do menisco pode retornar a sua posição anatômica com a extensão (SOLOMON et al., 2002).

Para Amatuzzi et al. (2003), as lesões podem ser classificadas quanto ao mecanismo que a desencadeou em traumática ou degenerativa. A lesão do tipo traumática é mais comum no jovem, durante a prática desportiva, costuma ser periférica e se associada a lesão ligamentar pode assumir um aspecto degenerativo. A lesão degenerativa é mais comum em idosos e costuma tomar parte de um processo que acomete o joelho como um todo. Este tipo de lesão pode agravar-se por um fenômeno traumático, agravando suas manifestações clínicas e merecendo uma abordagem diferenciada daquela que temos na lesão puramente degenerativa.




Sintomas

O paciente refere dor, impotência funcional, falseios e derrame articular, na maioria das vezes tardio; pode haver estalo (durante a caminhada devido a tração contra a torção do menisco medial ou lateral), este que é mais observado em lesões do ligamento cruzado anterior. Estes sintomas duram uma ou duas semanas e vão se reduzindo, podendo até desaparecer para logo voltarem em nova crise. Pode haver bloqueio articular pela interposição do fragmento meniscal lesado entre os côndilos, que pode desaparecer espontaneamente pela progressão da lesão ou após manobras de redução. Aceita-se dizer que a lesão meniscal caracteriza-se por crises com intervalos assintomáticos (AMATUZZI et al., 2003; SOLOMON et al., 2002). 

Como o menisco não tem terminações nervosas, as lesões periféricas bem como a tração da cápsula, são as lesões que comumente produzem sintomas  de dor. Um estudo feito por Boden et al.1  (apud Solomon et al., 2002) cita que 16% dos paciente assintomáticos com lesão meniscal demonstraram a lesão em ressonância magnética. Uma incidência de 36% foi obtida para pacientes acima de 45 anos. A lesão meniscal pode resultar em bloqueamento do joelho em posição de flexão. Solomon et al, (2002) cita que o menisco lateral sendo mais móvel, é menos associado a bloqueios quando torcido. A sensação de bloqueio é mais comum em pacientes jovens. Pacientes mais velhos são mais acometidos por lesões degenerativas com menos sintomas mecânicos e um começo insidioso.

Diagnóstico

De acordo com Solomon et al. (2002), o propósito do exame é fazer um diagnóstico anatômico correto. Muitos especialistas recomendam iniciar o exame focando primeiramente no joelho saudável enquanto o paciente assume uma posição que lhe seja mais confortável. O paciente deve ser questionado sobre a história da lesão sem interrupção. Devemos então fazer algumas “perguntas chaves” com o objetivo que enriquecer os detalhes da avaliação, como: Onde exatamente é a dor? (deixar que o paciente mostre para o terapeuta palpando o local) Qual é a duração da dor? Desde que as dores iniciaram, você mudou suas atividades? Se a lesão foi traumática, como foi a torção, em qual direção a perna girou? (a posição da articulação no momento da força traumática dita quais estruturas anatômicas são suspeitas de lesão, portanto, é importante obter a informação do paciente com história de lesão aguda, a descrição da posição do joelho e a direção das forças no momento da lesão) Você sentiu um estalo na hora da lesão? Está sentido falseio ou bloqueio? No momento, o joelho trava na extensão ou na flexão? Dói em mais algum local além do já demonstrado?

Depois de colhida a história, o examinador inspeciona, palpa e testa funções do joelho não lesado (ou menos lesado). Examinando primeiro o joelho normal cria-se uma confiança de que o examinador não está tentando causar dor e distrai o paciente. O joelho normal deve ser examinado porque o essencial para interpretar os achados do joelho lesado é a comparação (SOLOMON et al., 2002).

O diagnóstico se dá pela anamnese, exame físico e exames complementares. A anamnese deve aferir os aspectos cronológicos quanto ao início e o curso da dor, estado atual da condição dolorosa, periodicidade e características sensitivas da dor (TEIXEIRA e PIMENTA, 2001).

No exame físico devemos avaliar a presença de dor à palpação nas interlinhas articulares, força muscular, amplitude de movimento de flexão e extensão e realizamos manobras clínicas. Observamos também o alinhamento do fêmur, da tíbia e da patela estática e dinamicamente (HOPPENFELD, 1999; SOLOMON, 2002).

Amatuzzi et al., (1998) e Solomon et al., (2002) citam que algumas manobras clínicas são executadas para confirmarmos o local da lesão, já que mais do que uma estrutura no joelho pode estar lesada. As manobras de Apley e McMurray são geralmente suficientes para, com a história clínica, se firmar o diagnóstico das lesões meniscais. Estas manobras têm como princípio básico a rotação da perna sob o fêmur, de tal forma que durante a rotação interna da perna o corno posterior do menisco lateral seja comprimido, e durante a rotação externa a compressão ocorra no corno posterior do menisco medial. Estas rotações determinam o pinçamento da área lesada ou o deslocamento de um fragmento solto do menisco.

A manobra de Apley para os meniscos é feita com o paciente em decúbito ventral horizontal e flexão de joelho em 90º. Realiza-se a rotação da perna associada a compressão da mesma contra o fêmur. Para conseguir-se maior positividade na manobra, pode-se associar pequenos movimentos de flexo-extensão com o objetivo de percorrer-se a superfície do menisco. Na rotação interna pesquisa-se o menisco lateral e na externa o medial. Em algumas ocasiões encontra-se dor lateral no joelho para a manobra do menisco medial e vice-versa, o que não invalida o teste (AMATUZZI et al., 1998).

A manobra de McMurray é realizada com o paciente em decúbito dorsal horizontal. O avaliador posiciona o joelho e o quadril do paciente a 90º de flexão, faz um “stress” em valgo e associa os movimentos de rotação externa da perna e extensão do membro. Esta manobra verifica a presença de lesão no menisco medial. Se positivo, ocorre estalo e exacerbação dos sintomas acompanhado de uma inabilidade de estender totalmente o joelho (SOLOMON ET al., 2002).

Para excluir a presença de lesão ligamentar associada é recomendado que se realize os testes para verificar a integridade ligamentar (SOLOMON et al., 2002).

O teste de gaveta anterior consiste em movimentar a tíbia anteriormente em relação ao fêmur com o objetivo de testar a integridade do ligamento cruzado anterior. No teste de gaveta posterior, movimentamos a tíbia posteriormente em relação ao fêmur com o objetivo de testar o ligamento cruzado posterior. Em ambos os testes o paciente é colocado em  decúbito dorsal com os joelhos a 90º de flexão e tracionamos a tíbia anteriormente e posteriormente (SOLOMON et al., 2002).

Os testes de “stress” em valgo e “stress” em varo são realizados com o objetivo de verificar a integridade dos ligamentos colateral medial e lateral respectivamente. Para testar o colateral medial aplica-se uma força na região medial distal da tíbia enquanto empurra-se a parte de fora do joelho para dentro como se tentássemos abrir o compartimento medial da articulação e para testar o colateral lateral aplica-se uma força na região lateral distal da tíbia enquanto empurra-se a parte de dentro do joelho para fora como se tentássemos abrir o compartimento lateral da articulação. Para ambos estes testes, o paciente é colocado em decúbito dorsal com flexão de aproximadamente 30º de joelho. Se for notada a abertura de algum dos compartimentos é possível que haja a lesão do ligamento colateral testado. Para verificar lesão de algum dos ligamentos colaterais associada com o ligamento cruzado posterior, faz-se este mesmo teste porém com o joelho em extensão total e se notada a abertura do compartimento testado, pode-se suspeitar de lesão associada (SOLOMON et al., 2002).

Dos diagnósticos por imagem, a ressonância magnética computadorizada é a que apresenta melhor definição de imagem para estruturas moles. Porém é considerado um exame de alto custo para o paciente sendo realizado apenas em casos especiais onde diversas possibilidades de diagnóstico foram descartadas (MCCARTY et al., 2002).

Tratamento conservador - Fisioterapia

 Uma ruptura meniscal incompleta ou pequena (5 mm), se estável e periférica sem outra condição patológica, como um ligamento cruzado anterior rompido, pode ser tratada conservadoramente com possíveis bons resultados (BROWN e NEWMANN, 2001).

Na maioria dos casos, especialmente nas lesões degenerativas, o tratamento deve ser conservador de início, pois a maior parte dos pacientes poderá beneficiar-se com esta abordagem (AMATUZZI et al., 1998).

O tratamento conservador inclui o uso de anti-inflamatórios não hormonais, cinesioterapia (enfatizando o fortalecimento de quadríceps), eletroterapia e punção. As diferentes modalidades físicas utilizadas na fisioterapia visam diminuir o derrame articular, quando presente, a dor e a incapacidade funcional. Na meniscopatia degenerativa, o derrame articular nem sempre é o mais importante, estando o edema geralmente presente, dessa maneira, a utilização de calor profundo através de ondas curtas ou ultra-som está indicada. Na sequência deve-se utilizar crioterapia para obtenção de vaso-constrição superficial e analgesia, permitindo que sejam instituídos exercícios isométricos leves e alongamento com menor intensidade de dor e diminuindo a possibilidade de piora do edema (AMATUZZI et al., 1998).

Opostamente às lesões degenerativas, nas lesões traumáticas do jovem o componente de derrame articular costuma ser o mais significativo, devendo-se evitar o calor profundo que pode piorá-lo. Nessa situação a corrente dinâmica é mais adequada por estimular o fluxo sanguíneo, incrementando o metabolismo local e favorecendo a absorção do derrame. Da mesma forma, a crioterapia é utilizada previamente aos alongamentos e exercícios isométricos, tanto em cadeia fechada como aberta. Com a melhora da força muscular e amplitude de movimentos institui-se também o trabalho de propriocepção, que com frequência encontra-se comprometido nesses casos (AMATUZZI et al., 1998).

Tratamento cirúrgico

 A cirurgia é indicada quando observamos nos exames uma lesão traumática extensa e/ou degenerativa de caráter debilitante, onde em ambos os casos o tratamento conservador não apresentou bons resultados (SOLOMON et al., 2002).

O tratamento cirúrgico pode ser feito de duas maneiras considerando o modo de reparo a ser feito. Pode ser feita uma sutura meniscal que preserva o menisco lesado pois não há retirada de nenhuma de suas partes ou então a meniscectomia que pode ser parcial ou total. A do tipo parcial é feita para a retirada do menisco de maneira mais econômica possível visando a manutenção do máximo de sua estrutura e conformação original. Em casos em  que a lesão é muito extensa, não sendo possível a retirada de apenas uma parte do menisco, o menisco inteiro é retirado (meniscectomia total), já que se o menisco for mantido com uma conformação deficitária os resultados podem não ser favoráveis (HIGUCHI et al., 2000).

Reabilitação pós meniscectomia parcial

 A progressão dos programas de reabilitação seguidos de uma lesão e/ou cirurgia deve ocorrer em uma sequência lógica. Frequentemente, há uma sobreposição das fases dessa progressão, como, por exemplo, dar ênfase no reforço muscular sem que a amplitude de movimento completa e a flexibilidade tenham sido restauradas. A progressão do paciente deve ser individualizada, o que depende da natureza da lesão e da cirurgia, dos princípios de cicatrização tecidual, dos sinais e sintomas individuais e da resposta do paciente ao tratamento, porque cada pessoa apresenta capacidades físicas, mentais e de cicatrização diferentes umas das outras. Deve-se permitir um tempo adequado para a cicatrização e remodelamento tecidual, mas sem descuidar da mobilidade. Durante a reabilitação, devem-se ter cuidados para não elaborar tratamentos muito agressivos, os quais são sinalizados por dor constante e edema após a fisioterapia, levando à regressão do progresso do paciente. Assim, os protocolos amplamente apresentados em diversas literaturas devem ser usados como um guia para o tratamento e não como um “livro de receitas” (VEZZANI, 2003).

A primeira fase da reabilitação pós meniscectomia parcial consiste em analgesia (crioterapia), diminuição do edema, recrutamento do quadríceps (estimulação elétrica neuromuscular), mobilização patelar, exercícios para aumentar a ADM e a flexibilidade. Esta fase tem duração de aproximadamente uma semana e tem como objetivo analgesia, ADM de extensão plena e condicionamento do quadríceps (WEBER e WARE, 2000). É indicado para pacientes com lesão degenerativa fazer apoio parcial do membro operado com uma semana de pós-cirúrgico, enquanto pacientes com lesão traumática podem iniciar o apoio parcial no 2º dia de P.O. (HIGUCHI et al., 2000).

O início da segunda fase necessita que o paciente esteja com a dor diminuída e ADM de extensão plena. Consiste de diminuição de edema, exercícios de alongamento, flexibilidade e fortalecimento (exercícios de flexão, adução e abdução do quadril com o joelho em extensão e exercícios de extensão de joelho com carga mínima). Esta fase tem como objetivo ganho de ADM plena de extensão e flexão e ausência de dor aos movimentos ativos resistidos (WEBER e WARE, 2000).

Na terceira fase são iniciados os exercícios de propriocepção com o objetivo de recuperar a coordenação do movimento articular e preparar o membro para movimentos variados. São mantidos os exercícios de flexibilidade, alongamento e fortalecimento, e dá-se ênfase ao fortalecimento de quadríceps. O objetivo desta fase é a volta às atividades funcionais (WEBER e WARE, 2000).


Autor: Fernando Lazzarin Bavaresco – internet


Apostila SUS para Concursos


Apostila SUS para Concursos, com conteúdo essencial sempre solicitado em diversos concursos públicos.
Todo conteúdo está em 385 páginas de informações atualizadas para você sair na frente.

Conteúdo da Apostila

1- Do passado ao presente – Construção do SUS
2- Linha do tempo – SUS
3- Participação e Gestão – Estrutura básica
4- Evolução histórica do SUS – princípios, diretrizes e arcabouço legal
5- Constituição Federal de 1988 – artigos 194 a 200
6- Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 – Lei Orgânica da Saúde
7- Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990 – Controle Social
8- Decreto Presidencial nº 7.508 de 28 de junho de 2011 – Regulamenta a Lei 8.080/90
9- Lei Complementar nº 141 de 13 de janeiro de 2012 – Valores mínimos aplicados à Saúde
10- Resolução nº 453 de 10 de maio de 2012 – Conselho Nacional de Saúde
11- Determinantes Sociais
12- Sistemas de Informação em Saúde – Indicadores em saúde
13- Portaria nº 104 de 25 de janeiro de 2011 – Doenças de Notificação Compulsória
14- Portaria nº 1.271 de 6 de junho de 2014 – Define a lista Nacional de Notificação Compulsória
15- Pacto pela Saúde
16- Portaria nº 2.669 de 3 de novembro de 2009 – Pacto pela Saúde
17- Pacto pela Vida
18- Pacto em Defesa do SUS
19- Pacto de Gestão
20- Portaria nº 1.559 de 1 de agosto de 2008 – Política Nacional de Regulação
21- Política Nacional de Humanização – PNH
22- Estratégia Saúde da Família – ESF
23- Política Nacional de Atenção Básica – PNAB
24- Rede de Atenção ás Urgências e Emergências – RUE
25- Portaria nº 2.203 de 5 de novembro de 1996 – Norma Operacional Básica – NOB 1/96
26- Portaria nº 373 de 27 de fevereiro de 2002 – Norma Operacional de Assistência á Saúde – NOAS-SUS 01/02
27- Resolução nº 466 de 12 de dezembro de 2012 – Regulamenta pesquisas envolvendo seres Humanos
28- Siglas Utilizadas
29- Referências Bibliográficas
30- Provas e Gabarito




Clique no botão COMPRAR e receba por e-mail, por apenas 14,99

Apostila digital e não impressa.
Você poderá imprimir todo o conteúdo ou escolher as partes para serem impressas



Como fazer download no 4shared

Termos de uso

Ano IX - © Tânia Marchezin - Fisioterapeuta - Franca/SP

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger .

TOPO